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Há um possível novo sintoma da Covid que pode atingir cerca de 20% dos infetados

A NiT falou com um especialista que ressalva o facto de a chamada "Língua de Covid" não ser ainda "algo muito sustentado" do ponto de vista científico.

A chamada “língua de Covid” tem ganho destaque nos últimos tempos, mas não corresponde a um diagnóstico médico formal. Trata-se, sim, de um termo informal usado para descrever um conjunto de alterações observadas na língua de algumas pessoas infetadas com Covid-19.

Segundo o médico e professor universitário António Hipólito de Aguiar, estas manifestações incluem inchaço, manchas esbranquiçadas, amareladas ou avermelhadas, bem como uma sensação de ardor ou mesmo dor, como conta à NiT. Em alguns casos, a língua apresenta várias colorações ao mesmo tempo e é frequente existir também sensação de boca seca.

A comunidade científica considera que altas alterações podem estar relacionadas com modificações no sistema imunitário e com mudanças na flora oral provocadas pela infeção. O especialista sublinha que a boca desempenha um papel fundamental no organismo, muitas vezes subestimado.

“A boca é o primeiro sítio onde começa a digestão dos alimentos. Existem muitas enzimas digestivas na boca, que funcionam como detergentes”, explica, acrescentando que este é um local particularmente exposto a agentes tóxicos e onde coexistem numerosos microrganismos responsáveis por degradar os alimentos de forma rápida.

Estas alterações na flora oral (o conjunto de bactérias e outros microrganismos considerados benéficos) podem ser influenciados pelo impacto do vírus no organismo. O médico refere que se verifica que a Covid-19 pode provocar stress e desidratação, fatores que contribuem para alterações na expressão da língua e no equilíbrio da boca.

Estima-se que entre 10 e 20 por cento dos infetados apresentem algum tipo de alteração na boca, sendo que as manifestações na língua têm sido observadas em cerca de 15 por cento dos casos. Ainda assim, o especialista ressalva que ainda “não é algo muito sustentado” do ponto de vista científico.

A comunidade médica é cautelosa na interpretação destes sinais, visto que as alterações na língua não são consideradas específicas da Covid-19. Afinal, podem surgir noutras situações, como candidíase, que são relativamente frequentes — especialmente entre homens homossexuais —, o uso excessivo ou inadequado de antibióticos, muitas vezes associado à automedicação cada vez mais comum no País, ou mesmo mudanças nos hábitos alimentares. 

O médico chama também a atenção para o consumo crescente de alimentos processados, ricos em açúcar, que contribuem para um estado inflamatório mais evidente no organismo e podem refletir-se na saúde oral.

Para já, os especialistas defendem que é necessária mais investigação para perceber se estas alterações ocorrem exclusivamente em pessoas com Covid-19 e se desaparecem com a evolução natural da doença. Só com estudos mais aprofundados será possível determinar se a chamada “língua de Covid” é uma consequência direta da infeção ou apenas um fenómeno associado a múltiplos fatores que afetam a saúde oral.

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