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Especialistas dizem que erradicação da Covid-19 é “provavelmente viável”

Novo estudo que compara a pandemia atual com outros vírus atribui às vacinas e a outros fatores o possível sucesso.
Vacinação acelera esperanças.

São boas notícias depois de largos meses de luta mundial contra a pandemia. Segundo um novo estudo divulgado no dia 9 de agosto, a erradicação global da Covid-19 é “provavelmente viável”, graças à vacinação, às medidas de saúde pública e ao interesse global em controlar a situação.

De acordo com os signatários deste estudo, publicado no BMJ Global Health e citado pela agência Lusa, as políticas de saúde e o interesse global devido às crises financeiras e sociais fazem com que a erradicação do vírus seja possível. No entanto, segundo especialistas da Universidade de Otago Wellington (Nova Zelândia), os principais objetivos são garantir uma maior cobertura de vacinação, capaz de responder com rapidez às variantes.

“Embora a nossa análise seja preliminar, com vários elementos subjetivos, parece colocar a erradicação da Covid-19 dentro do campo do possível, especialmente em termos de viabilidade técnica”, afirmam os autores do estudo, que inclui dados comparativos de fatores técnicos, sociopolíticos e económicos de infeções por Covid-19, poliomielite e varíola.

Os investigadores usaram um sistema de pontuação de três pontos para cada uma das 17 variáveis, incluindo a disponibilidade de uma vacina segura e eficaz, imunidade vitalícia, o impacto das medidas de saúde pública e gestão governamental eficaz de controlo da infeção.

Também a preocupação política e pública com repercussões económicas e sociais ou a aceitação de medidas restritivas foram calculadas.

As pontuações médias no estudo totalizaram 2,7 para a varíola, 1,6 para a covid-19 e 1,5 para poliomielite.

A varíola foi declarada erradicada em 1980 e dois dos três serótipos do poliovírus também foram erradicados globalmente.

Os especialistas reconhecem que, em relação à varíola e à poliomielite, os desafios técnicos da erradicação da Covid-19 incluem a baixa aceitação da vacina e o surgimento de variantes mais transmissíveis.

“Porém, a evolução viral tem os seus limites. É de se esperar que o vírus acabe por atingir a sua capacidade máxima e que novas vacinas sejam concebidas”, argumentam. Não são apresentadas datas ou metas possíveis.

Ainda de acordo com o documento, a persistência do vírus em reservatórios de animais pode frustrar os esforços, mas não parece ser um problema sério, acrescentam os investigadores.

Por outro lado, é destacado o “interesse global sem precedentes no controlo da doença e no investimento maciço na vacinação contra a pandemia”.

Ao contrário da varíola e da poliomielite, a Covid-19 beneficia do impacto adicional das medidas de saúde pública, como controlo de fronteiras, distanciamento social e o uso de máscaras, que “podem ser muito eficazes, se bem implantadas”. Tanto é assim que a eliminação da Covid-19 foi alcançada e sustentada em longos períodos, em várias regiões asiáticas, “fornecendo a prova […] de que a erradicação global é tecnicamente possível”, resumem.

Para terminar, o estudo identifica, entre os desafios futuros, conseguir a cooperação internacional para combater o “nacionalismo das vacinas”.

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