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Devemos (ou não) beber as águas vitaminadas que se encontram à venda nos ginásios?

Estão disponíveis em quase todos os espaços de treino e são promovidas como saudáveis e benéficas para a saúde. Será mesmo assim?
Atenção às quantidades que ingere.

Durante o treino, tudo o que nos apetece é uma bebida refrescante para aliviar a sede causada pelo esforço e transpiração. Em algumas cadeias de ginásios é comum vermos uns dispensadores de águas coloridas que têm, supostamente, inúmeros benefícios. Falamos das águas vitaminadas que estão também disponíveis em alguns hipermercados portugueses. Existem em versão líquida, mas também é vendido um pó para preparar a bebida em casa — ambos os produtos prometem benefícios semelhantes. Será que é mesmo assim? A NiT foi à procura de repostas.

Antes de chegarem a Portugal, estas águas já eram elogiadas por muitas celebridades internacionais e são encaradas quase como uma religião nos Estados Unidos. Jessie J. e Ellen DeGeneres são duas fãs confessas destas bebidas. Não é muito difícil de perceber porquê. Afirmam ter vários pontos fortes, desde a simples hidratação a fornecerem energia passando pela proteção contra os radicais livres e, além disso, são doces.

Afinal o que têm estas águas vitaminadas?

As vitaminas são micronutrientes indispensáveis ao bom funcionamento do organismo, uma vez que “são responsáveis pelo metabolismo, crescimento, regulação celular e equilíbrio do organismo”, explica à NiT Sónia Marcelo, nutricionista e autora do blogue “Dicas de uma Dietista”.

A vitamina D, por exemplo, é sintetizada pela ação dos raios ultravioletas do Sol, que é o responsável por fornecer entre 80 a 85 por cento da dose diária recomendada, que ainda pode ainda ser complementada com alimentação. A D é a única vitamina a ser sintetizada na pele do nosso corpo. Isto porque “o organismo não consegue sintetizar as [restantes] vitaminas, que têm que ser adquiridas através da ingestão de alimentos”.

E também podem ser encontradas nas famosas águas vitaminadas. Estas são, como o nome indica, água com vitaminas adicionadas, que chegam às prateleiras dos supermercados em embalagens atrativas e líquidos coloridos.

A especialista em nutrição analisou alguns os rótulos de alguns produtos deste tipo disponíveis no mercado e o resultado foi surpreendente. “No caso no pó para fazer água vitaminada Immune Support à venda no site Nature’s Finest o primeiro ingrediente é maltodextrina, que é um açúcar. Por 100 gramas, este preparado tem 84 gramas de hidratos. É imenso”, alerta a profissional.

A composição das águas vitaminadas varia consoante as marcas e os benefícios que afirmam conferir — algumas são antioxidantes além de hidratantes. A Prozis, por exemplo, disponibiliza misturas em pacotes individuais com vários sabores e funções. Depois de analisado o rótulo da infusão com vitamina C percebemos, como explica Sónia Marcelo, que tem maltodextrina como primeiro ingrediente. “É por isso semelhante ao anterior”, assegura.

“Estas águas têm a desvantagem, na minha opinião, de habituarem o paladar ao sabor doce”, sublinha a nutricionista. Porém, acrescenta que a ingestão destas bebidas “pode fazer sentido em situações de prática intensa de exercícios extremos, como os atletas que fazem treinos de hipertrofia e em que este açúcar é usado para estimular o crescimento muscular”. Contudo, como destaca, oferecem nutrientes que podem ser obtidos através de uma alimentação saudável e equilibrada.

Em relação às águas vitaminadas disponíveis nos ginásios, a NiT tentou procurar junto dos mesmos a informação nutricional das mesmas — que não se encontra disponível nos respetivos sites —, mas não obtivemos respostas. Porém, sendo também bebidas coloridas e adocicadas, não devem ter uma composição muito diferente das analisadas pela nutricionista.

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