Há muito que os ginásios se tornaram palco de tendências e rotinas copiadas do que aparece nas redes sociais, muitas vezes sem contexto, sem avaliação e sem tempo para perceber o essencial: o corpo de cada pessoa, com as suas dores, limitações, rotinas e objetivos. E é precisamente contra essa lógica do treino para a fotografia que nasceu o Delta Core, um novo estúdio desportivo em Setúbal com o objetivo de colocar a saúde em primeiro lugar e só depois a estética.
O projeto começou no digital e só depois ganhou um espaço físico. Pedro Martins, personal trainer e um dos fundadores do projeto, explica que o Delta Core surge com um critério diferenciador: “o máximo de cuidado numa excelente avaliação física”, incluindo avaliação de postura e identificação das “dores que surgem diariamente na vida de cada um”. Só depois se adapta o treino, a nutrição e, se a pessoa quiser, também apoio psicológico.
Aqui, a saúde é vista como um todo e esta visão aparece como estrutura de trabalho, desde o primeiro contacto até ao acompanhamento contínuo. A marca foi lançada online a 27 de julho de 2025. “Já começou há mais tempo, mas ainda parece que foi ontem”, diz Pedro.
O espaço físico viria a abrir em dezembro, quando três personal trainers decidiram unir esforços e criar um estúdio onde o treino não se faz por “imitação”, mas por prescrição e acompanhamento.
O treino onde o aluno não é apenas “mais um”
O Delta Core começou por apostar num formato digital já que há muitos interessados num acompanhamento sério, mas sem tempo para encaixar rotinas presenciais todos os dias. E o online não se resume a um PDF e boa sorte.
O acompanhamento é feito por videochamada, com treinos numa aplicação “com todos os vídeos descritivos”, e disponibilidade “para esclarecer qualquer dúvida quanto aos exercícios e em relação ao treino”. Ou seja, mesmo à distância, a ideia sempre foi manter o aluno acompanhado.
Porém, o ponto central é a personalização. Pedro faz questão de separar o método Delta Core dos restantes ginásios. “É um treino focado ao máximo no aluno, não temos treinos genéricos. Noutros ginásios, por exemplo, a dona Maria, de 70 anos, tem exatamente o mesmo tipo de treino que a Sofia, de 20”.
Antes de começar qualquer tipo de treino existe sempre uma avaliação. No online, Pedro explica que esta é feita por videochamada, com perguntas sobre o quotidiano, profissão, patologias, objetivos e até exercícios funcionais, para analisar padrões e limitações:
“Se o joelho tem afetação interna ou externa, se não consegue fazer um agachamento na amplitude máxima, temos de perceber o que é que acontece com a cabeça, com a cervical”. É esse mapa do corpo real que dita o treino, não o algoritmo. “Percebermos as dores reais e, em função disso, adaptamos o treino e a nutrição”.
De ginásio de cadeia a estúdio privado
O espaço físico nasceu de um ponto de viragem comum a muitos profissionais. Quando o trabalho começa a dar resultados, chega a altura de querer fazer as coisas com outra liberdade. Os três fundadores e PTs, Pedro, Idalécio e Cláudia, já tinham “uma lista de clientes vasta e resultados à vista de todos”. Até que sentiram a necessidade de criar um modelo mais alinhado com a sua visão.
A decisão passou por unir forças e criar um estúdio próprio, com um objetivo de “ajudar cada vez mais pessoas a terem melhor qualidade de vida, uma melhor saúde”.
Aqui, o mote não é “venha perder peso”, mas sim “venha viver melhor”, diz Pedro. “Primeiro pensamos na saúde, e só depois num um físico mais voltado para a estética, mas sem negligenciar a saúde”. A filosofia do espaço é tornar o treino numa estratégia de longevidade e bem-estar, sobretudo para quem chega com dor, patologia ou medo de voltar a mexer-se.
E é por isso que o estúdio existe, mesmo mantendo a versão online. O espaço serve para dar treinos presenciais a quem precisa de correção técnica e mais acompanhamento na execução. “Há pessoas que têm mais dificuldade em executar exercícios e gostam de ter o acompanhamento mais próximo”. Mas também para trabalhar o que é mais sensível, sejam patologias, dores, a parte mental ou a longevidade.
“O Delta Core tem duas nutricionistas e uma parceria com uma clínica de psicologia”, para suportar a saúde de forma mais completa.
Estúdio com treinos por marcação e avaliação constante
Se o que o incomoda num ginásio é a lotação, a falta de privacidade e a sensação de estar a disputar espaço, aqui o modelo é outro. O Delta Core funciona por marcações. “O aluno disponibiliza os seus horários semanais, e o treino é sempre agendado com um dos PTs”. O estúdio fecha ao fim de semana, mas Pedro deixa claro que é possível treinar nesses dias, desde que haja marcação prévia.
A organização também foge ao ginásio tradicional de várias salas e máquinas com filas. Aqui existe um único espaço de treino com “uma zona de cardiovascular e máquinas” orientadas para treino funcional, incluindo trabalho “com o peso do corpo”.
E a avaliação não fica só no dia um. Pedro explcia que há reavaliações frequentes e medições de saúde que muitos nunca viram ser acompanhadas num treino comum: composição corporal, IMC, pressão arterial e uma preocupação particular com casos comuns, mas muitas vezes ignorados. “Muitas vezes, a pessoa é hipertensa e vai para um treino cardiovascular sem uma prescrição do mesmo. Isto é muito comum hoje em dia”.
Para o DeltaCore, esse tipo de detalhe não é opcional, mas sim obrigatório porque “é a saúde que está em jogo”.
Small groups e Muay Thai só para mulheres
Apesar de o foco ser o treino individual, também há aulas em formato de grupo, ou melhor, “small groups”, como lhes chama Pedro. “Em turmas de 30 pessoas, o professor não consegue responder a todos, e a promessa de correção individual acaba por ser uma ilusão”. O objetivo é permitir ajustes reais, saber quem é cada aluno e não comprometer a saúde de ninguém.
Essa lógica liga-se a outra preocupação que o estúdio assume: a frustração que nasce quando as pessoas tentam copiar tudo o que veem online. “As redes sociais vendem ideias que não são bem reais”, e isso faz com que muitos tentem replicar intensidades e movimentos para os quais ainda não têm base, estabilidade ou consciência corporal. O resultado são dores, lesões, desistências e aquela sensação de “não sou capaz”. Aqui, a ideia é exatamente o oposto, construir base, respeitar tempo e individualidade.
Entre as aulas já disponíveis, a que mais chama a atenção é o Muay Thai exclusivo para mulheres. A modalidade é acompanhada por um professor que foi “praticante de MMA no Brasil” e, segundo Pedro, as aulas são “super divertidas e dinâmicas. O foco em mulheres é porque acreditamos que a auto defesa é uma grande mais valia hoje em dia”.
Este não é um clube de luta agressiva, mas de cardio, confiança e competência física. Além do Muay Thai, o estúdio tem Pilates e treino funcional com mais intensidade, assim como kickboxing feminino.
As marcações são feitas diretamente com um dos três PTs. Também é possível pedir informações pelas redes sociais do Delta Core. Antes de qualquer plano ou aula, há sempre avaliação presencial.
Para quem anda cansado de fórmulas rápidas, turmas gigantes e treinos que servem para todos, o Delta Core aparece como aquele espaço onde a pergunta não é “quanto peso quer perder?”, mas “como está o seu corpo e o que ele precisa para durar?”.
Carregue na galeria para conhecer o espaço.

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