cultura

Vem aí a 4ª edição do festival de jazz de Azeitão. Eis tudo o que sabemos

Cinco concertos, cinco localidades e entrada livre: o Jazz na Vila regressa entre 12 de junho e 24 de julho ao concelho.

O Jazz na Vila regressa para a sua 4.ª edição com cinco concertos distribuídos por cinco localidades da freguesia, sempre às sextas-feiras, às 21h30, com entrada livre.

De 12 de junho a 24 de julho, Oleiros, Aldeia da Piedade, Vendas de Azeitão, Vila Fresca de Azeitão e Vila Nogueira de Azeitão vão receber projetos que mostram a vitalidade e a diversidade do jazz que se faz em Portugal.

Com direção artística do guitarrista azeitonense Francisco Neves, a programação mantém a filosofia que tem definido o festival desde a primeira edição: descentralizar, aproximar e surpreender. Em vez de concentrar tudo num único espaço, o Jazz na Vila leva a música às aldeias e vilas de Azeitão, criando um circuito intimista e comunitário que garante ao evento um carácter único.

Este ano predominam projetos de composições originais, com músicos de diferentes gerações e correntes, dando a ouvir a plasticidade de um género que continua a reinventar-se. 

Faustino | Neves abrem o festival em Oleiros a 12 de junho

O evento arranca oficialmente no dia 12 de junho, em Oleiros, com um duo de guitarras. Eduardo Faustino e Francisco Neves formaram o projeto em 2018 e trazem um formato intimista: duas guitarras, dois músicos com personalidades distintas, mas complementares e um repertório que navega entre standards do cancioneiro americano, temas de compositores como Kenny Wheeler e Bill Frisell e música original.

Com formação em jazz e música moderna pela Universidade Lusíada, Eduardo Faustino é um guitarrista com uma identidade enraizada na tradição do jazz, mas aberta a influências de soul, folk e música contemporânea. Já Francisco Neves, além de liderar os próprios projetos de jazz, é professor no Hot Clube de Portugal e na Academia de Jazz “Os Franceses”, no Barreiro, além de co-fundador e programador do Jazz na Vila, o que faz desta abertura um momento especial.

Harmónica, piano e a busca pela alma portuguesa a 19 de junho

Uma semana depois, a 19 de junho, o festival muda-se para a Aldeia da Piedade com Monks na Meia Praia, o projeto de Gonçalo Sousa e Carlos Garcia. Se o duo de abertura já era um formato invulgar, este concerto vai mais longe ao trazer ao palco um instrumento raramente associado ao jazz contemporâneo em Portugal: a harmónica.

Num formato intimista que junta harmónica, piano e, para esta atuação, o contrabaixo de Gonçalo Naia, o trio abre um leque de sonoridades onde a tradição da música erudita, o jazz e a música tradicional se encontram na busca de uma sonoridade que os músicos descrevem como tendo “alma portuguesa”.

Gonçalo Sousa é uma referência mundial na harmónica, com formação superior em música na variante de jazz e uma carreira que cruza o jazz, a música erudita, o fado e a world music. Já Carlos Garcia, pianista e compositor licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, é um nome habitual na cena musical portuguesa, com um currículo que inclui trabalhos com Carlos do Carmo, Luís Represas, Vitorino e Salvador Sobral.

A nova geração do jazz português sobe ao palco a 26 de junho e 17 de julho

O terceiro concerto acontece a 26 de junho, no Parque da Cooperativa de Vendas de Azeitão, com o Rita Caravaca Trio. Formado por Rita Caravaca ao piano, Francisco Coelho na bateria e Emanuel Inácio no contrabaixo, o projeto nasceu no final de 2023, quando três jovens alunos da Escola Superior de Música de Lisboa se juntaram com o objetivo de desenvolver e criar música original.

Desde então, o trio já se apresentou no Hot Clube de Portugal, no Festival Angra Jazz, no Festival Theia e na Fundação José Saramago, construindo um percurso que, apesar de recente, já mostra maturidade e identidade própria.

Depois de uma interrupção de algumas semanas, o festival regressa a 17 de julho para um concerto na Sociedade Filarmónica Providência, em Vila Fresca de Azeitão, com o António Carvalho Quinteto.

O baterista e compositor, nascido em Mira em 2001, apresenta temas do primeiro disco autoral, “Vago”, editado pela Robalo. No palco, faz-se acompanhar por Gonçalo Marques no trompete, José Soares no saxofone, João Carreiro na guitarra e Demian Cabaud no contrabaixo.

Catarina dos Santos fecha o festival com jazz de raiz cabo-verdiana

O encerramento do Jazz na Vila acontece a 24 de julho, em Vila Nogueira de Azeitão, com Catarina dos Santos e o projeto Terra Terra. É um final que resume o que o festival quer ser: uma celebração da diversidade e da identidade transnacional do jazz.

Terra Terra é um projeto de composições originais, que reinterpretam a tradição musical cabo-verdiana, com a qual Catarina dos Santos cresceu tendo a Margem Sul do Tejo como berço. No palco, apresenta-se com Filipe Duarte na guitarra elétrica, Gonçalo Leonardo no contrabaixo, Jonas Dantas nos teclados e Pedro Santos na bateria.

Formada em jazz performance no City College of New York, com estudos na Juilliard School, Catarina dos Santos já se apresentou em salas como o Blue Note e o Joe’s Pub, em Nova Iorque. Lançou vários álbuns e criou o projeto Mad Nomad, com os discos “Untamed” e “Common Ground”. O mestrado em jazz performance pela Escola Superior de Música de Lisboa deu origem ao Terra Terra, um projeto que procura a valorização da diversidade e da partilha de culturas através de um trabalho original que cria novos mundos sonoros dentro do jazz.

É um fecho à altura de um festival que, em quatro edições, se tem afirmado como um dos eventos culturais mais relevantes da região. Cinco sextas-feiras, cinco localidades, cinco projetos diferentes e a certeza de que o jazz em Azeitão não é um acaso, mas sim uma tradição em construção. Todos os concertos começam às 21h30 e a entrada é gratuita.

Carregue na galeria para conhecer os artistas desta edição do Jazz na Vila.

ARTIGOS RECOMENDADOS