cultura

“Valéria”: a nova série espanhola feminina provocadora (e ousada) da Netflix

Tal como “O Sexo e a Cidade”, centra-se em quatro amigas e nos seus casos amorosos e aventuras no dia a dia.
A primeira temporada tem oito episódios.

Foi em setembro de 2018 que a Netflix abriu em Espanha o seu centro de produção europeu. Quase um ano antes, em dezembro de 2017, tinha começado um fenómeno que talvez viesse a ser decisivo para esta decisão de fixar essas instalações e equipas no nosso país vizinho.

No Natal de 2017, “La Casa de Papel” chegou à plataforma de streaming, tornando-se de forma orgânica num dos maiores fenómenos globais de sempre da Netflix, alcançando o topo dos conteúdos mais vistos em vários mercados importantes, sobretudo na Europa e América do Sul, valorizando a língua castelhana e os profissionais espanhóis.

Seguiram-se séries como “Elite”, “Fariña” ou “Toy Boy” — entre outros projetos já existentes e que foram adicionados ao catálogo do serviço de streaming, como “Vis a Vis” e “El Tiempo Entre Costuras”. O próprio Álex Pina, criador de “La Casa de Papel” e um dos maiores responsáveis por “Vis a Vis”, assinou um acordo com a empresa americana para produzir mais conteúdos — e eles estão a caminho, como é o caso de “White Lines”.

No entanto, há outra produção que merece atenção por estes dias, e que chegou à Netflix na sexta-feira passada, a 8 de maio. Ao longo do fim de semana foi subindo a escada dos conteúdos mais vistos em Portugal e nas últimas 24 horas está no segundo lugar do ranking.

Falamos de “Valéria”, que tem sido descrita como uma versão espanhola de “O Sexo e a Cidade”. É da produtora Plano a Plano, a mesma que fez “Toy Boy”. Tal como a icónica produção da HBO que estreou em 1998, esta série também se centra em quatro amigas e nas suas aventuras amorosas (e sexuais) na sua cidade. Neste caso, Madrid. Há muitas cenas de momentos íntimos ao longo da narrativa, tal como em “Toy Boy”.

“Valéria” baseia-se nos livros de Elísabet Benavent, autora que tem “O Sexo e a Cidade” como uma das suas maiores inspirações. A protagonista, Carrie Bradshaw, escrevia uma coluna sobre relações. Neste caso, a personagem principal, e que dá título à série, é uma escritora de romances.

Valéria é interpretada por Diana Gómez, atriz que interpreta Tatiana (a misteriosa mulher de Berlín) nos flashbacks de “La Casa de Papel”. Trata-se de uma escritora em crise, tanto em relação ao seu trabalho — os livros que escreve — como ao marido. 

Aquilo que a salva de não ter uma vida miserável são as suas melhores amigas, Carmen, Lola e Nerea, que vão apoiá-la e ouvir as suas histórias, enquanto também partilham novas aventuras.

Lola tem um caso com um homem casado, e divide o seu tempo entre os momentos de diversão e os cuidados e apoio que tem de dar ao irmão deficiente motor. Já Carmen está apaixonada por um colega de trabalho e tem grandes dúvidas sobre o “mundo de casais” em que vivem. 

Está à procura de um apartamento, mas rapidamente se apercebe de que é praticamente impossível alugar algo em condições para viver sozinha, sem ter a ajuda de alguém. Nerea é homossexual, mas ainda não conseguiu revelar a sua orientação sexual à família, com quem mora e trabalha. Tem medo de perder o emprego e de ser posta fora de casa.

O enredo apresenta uma perspetiva feminina e liberal e muitas vezes aborda de forma leve temas mais sérios, sem ter grandes tabus pelo caminho, seja o assunto em questão as relações abertas, a infidelidade, a comunidade LGBT ou o movimento #MeToo.

O elenco inclui ainda Maxi Iglesias, Ibrahim Al Shami J., Eva Martín, Ángel de Miguel, Silma López, Paula Malia, Teresa Riott, Fran Bleu e Dominga Bofill, entre outros. 

Apesar de a série estar a ter uma boa audiência nestes primeiros dias desde a estreia — sendo que a primeira temporada tem oito episódios, cada um com cerca de 40 minutos – vários fãs dos livros têm-se mostrado nas redes sociais desapontados com a adaptação televisiva, por haver vários elementos e características que não fizeram a transição da literatura para a Netflix.

tags: "Valéria", Carrie Bradshaw, mulheres, netflix, série

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