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“Uma introspeção gótica”. O regresso de “Peaky Blinders” está a dividir os críticos

Em "The Immortal Man", o último capítulo da saga, o conflito entre Tommy Shelby e o filho é um dos aspetos mais elogiados.

Após o final da sexta temporada, em 2022, todos os fãs de “Peaky Blinders” passaram a aguardar a continuação da saga da família Shelby no cinema. Mais entusiasmados ficaram quando foi anunciado “The Immortal Man”, um novo filme da saga que estreia na Netflix a 20 de março.

Neste capítulo, Barry Keoghan irá interpretar o filho de Tommy Shelby e, desta vez, tem a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo. O protagonista da série original é forçado a regressar de um exílio autoimposto e “terá de enfrentar os seus próprios demónios e decidir se confronta o seu legado ou se o deixa arder até às cinzas”, pode ler-se na sinopse.

As primeiras críticas internacionais à longa-metragem realizada por Tom Harper, que chega aos cinemas norte-americanos esta sexta-feira, 6 de março, já começaram a sair e temos boas notícias para os fãs. A produção está a ser vista como um regresso estiloso ao universo da série, embora alguns críticos defendam que não consegue superar o impacto do final televisivo.

Para a revista “Variety”, por exemplo, o filme “serve como um lembrete de tudo o que sempre pareceu cinematográfico na série”, defende o crítico Guy Lodge. É elogiada a forma como mantém “uma narrativa robusta e valores de produção fortes”, ainda que sugira que o projeto funcione mais como uma extensão do que como um produto novo.

Neste “regresso brutal ao universo dos Shelby”, segundo o jornal “The Guardian”, estamos perante um “confronto sangrento no ecrã” em que Tommy regressa para restaurar a ordem na família. Descrito como “intenso e sombrio” , tem como destaque a mistura entre crime e política enquanto a personagem enfrenta “ameaças externas e conflitos familiares”.

 

Outro elemento destacado pelos vários críticos é o conflito geracional entre Tommy e o filho, que passa a ser um dos motores da narrativa. Algumas análises referem que a longa-metragem apresenta um Tommy já envelhecido e mais introspetivo, muitas vezes refletindo sobre o passado enquanto escreve as suas memórias.

No jornal “The Times”, a reação é ainda mais entusiasta. O jornal britânico chega a comparar o tom da produção a “O Padrinho: Parte III”, por causa do lado mais introspetivo de Shelby, que vive numa mansão no interior de Inglaterra. Segundo o crítico, a história mistura “drama intenso, atitude rock e introspeção gótica”.

No caso do “The Guardian”, o artigo aponta ainda que alguns elementos sentimentais suavizam o impacto do personagem, mesmo que a presença de Cillian Murphy continue a ser um dos maiores trunfos do filme.

A crítica mais dividida surge no site “Consequence”, que elogia sobretudo as interpretações, especialmente na dinâmica entre Murphy e Keoghan, mas considera que a história tenta condensar demasiado material em pouco tempo. O resultado faz com que o filme pareça “como se o desenvolvimento de uma temporada inteira tivesse sido comprimido em cerca de duas horas” e reduz o impacto emocional do desfecho.

Ainda assim, todos os críticos parecem concordar em dois pontos. O realizador mantém o estilo visual da saga e oferece um final emocional para o percurso do líder. Para muitos, funcionará como um epílogo para os fãs e não tanto como um novo capítulo completamente autónomo.

No regresso ao seu papel mais impactante, Murphy é acompanhado por um elenco de luxo que inclui Rebecca Ferguson, Tim Roth e Stephen Graham. Além disso, atores da série original, como Sophie Rundle, Ned Dennehy e Packy Lee, também regressam à narrativa.

A série original estreou em 2013, na BBC e, depois de ser disponibilizada na Netflix, ganhou popularidade mundial. A história acompanha a ascensão da família Shelby, um poderoso gangue de ciganos que atua em Birmingham no início do século XX, que se envolve em atividades criminosas como apostas ilegais, contrabando e violência, enquanto enfrenta rivais e gere a pressão das autoridades.

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