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Um Corpo Estranho: o duo setubalense vai atuar na Feira de Sant’Iago

A New in Setúbal falou com Pedro Franco e João Mota sobre o mais recente trabalho "Homem Delírio".
O duo atua na Feira de Sant’Iago a 21 de julho. Foto: Rui David.

O duo composto por Pedro Franco e João Mota vai atuar no Palco Setúbal da Feira de Sant’Iago na noite de 21 de julho, domingo. O espetáculo é às 21h30 antes do concerto de Sérgio Godinho marcado para as 22h30. À New in Setúbal, os músicos antecipam que “o concerto vai ser uma mistura de todos os discos anteriores em formato de banda e de alguns temas que não estão nos álbuns, um sobre Bocage e outro sobre Zeca Afonso de forma a mostrar a identidade do projeto ao longo dos anos”. Em palco vão estar Gonçalo Mota (bateria), Bernardo Pereira (baixo), Sérgio Mendes (2.ª guitarra), Pedro Franco e João Mota (guitarras e vozes).

Os setubalenses Pedro Franco, 40 anos e João Mota, 39 formam o duo Um Corpo Estranho. Os dois amigos tocam juntos desde os 16 anos e a música sempre fez parte do seu imaginário. “Tivemos algumas bandas de garagem num estilo mais acústico e de folk e costumávamos ir para a Praia da Figueirinha tocar guitarra”, conta à New in Setúbal, Pedro Franco.

Estiveram vários anos sem se ver, mas reencontraram-se no Teatro da Trindade quando Pedro estava a fazer a banda sonora e a sonoplastia de um espetáculo produzido por uma companhia de Santa Iria da Azoia. “Ele foi ver a minha peça e disse-me que tinha umas canções e que gostava de criar um projeto”, explica João Mota.

“Como era guitarrista dos Hands on Approach, senti que queria começar um caminho próprio baseado em originais e ao lado de alguém com quem já tinha uma ligação de cumplicidade a amizade”, diz Pedro. Ambos escrevem as letras das canções, que interpretam em português. O processo de criação passa por experiências da vida pessoal desconstruídas para o universo da banda.

O projeto musical nasceu em 2009 e o primeiro EP composto por cinco temas, editado pela associação juvenil Experimentáculo surgiu em 2012. Seguiram-se depois o disco de estreia “De não ter tempo” (2014) e “Pulso” (2016). Entre os períodos de pausa, Pedro e João compuseram peças para teatro físico, como “A Almofada da Paula”, baseada na obra da pintora Paulo Rego, “A Velha Ampulheta” e “Qarib”, sendo que estes dois últimos são criações do encenador e produtor Ricardo Mondim.

O mais recente trabalho do duo setubalense chama-se “Homem Delírio”. Lançado em março foi apresentado em maio, num espetáculo no Cine-Teatro S. João em Palmela. “Homem Delírio” é uma mistura de conceitos, já que inclui um CD com oito temas e um espetáculo de teatro físico inspirado no novo circo. A performance é uma criação de Ricardo Mondim, com figurinos de Zé Nova e produção da associação Passos e Compassos.

“Quisemos agregar tudo o que fizemos até agora, desde as canções às peças, fechando o que podemos chamar de trilogia. Neste espetáculo além de tocarmos ao vivo somos atores da peça”, revela João. Este “Homem Delírio”, que dá nome ao disco fala essencialmente da condição humana e é inspirado em Dom Quixote, o “homem louco e sonhador que vai contra a realidade instalada e busca algo melhor”.

O novo álbum está disponível em todas as plataformas digitais (Youtube, Spotify e iTunes) e também em CD, que custa 10€ e já à venda nas livrarias Uni Verso e Culsete, em Setúbal. Além do CD, outro dos elementos chave de “Homem Delírio” é um quadro da autoria da artista plástica Rita Melo, que funcionou como capa do próprio CD e elemento cénico da peça. O videoclip de “O Estrangeiro”, um dos singles que integra o álbum foi gravado na Sociedade Musical Capricho Setubalense e realizado por António Aleixo do coletivo GARAGEM.

Pedro e João justificam a escolha do nome Um Corpo Estranho por ser um território que não sobrevive apenas com um dos dois, sendo que o resultado final nasce desse cruzamento. “Ao ser um projeto bicéfalo pensado por duas cabeças torna-se um corpo estranho para ambos”, conclui João.

tags: "Homem Delírio", concerto, duo, Feira de Sant’Iago 2019, João Mota, Pedro Franco, teatro físico, Um Corpo Estranho