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“Sophie: Crime em Cork” — a nova série documental da Netflix sobre um homicídio misterioso

A história aconteceu na Irlanda nos anos 90.
Tinha 39 anos.

Há uma nova série documental da Netflix para os fãs de histórias reais de crime. “Sophie: Crime em Cork” tem três episódios e estreia esta quarta-feira, 30 de junho, na plataforma de streaming. A produção centra-se num homicídio misterioso que aconteceu na Irlanda em 1996.

Sophie Toscan du Plantier era uma produtora e cineasta francesa de 39 anos, pertencente a uma elite social, que tinha uma casa de férias na parte oeste de Cork, na Irlanda. É um local bastante isolado e remoto, onde vive uma pequena comunidade na qual toda a gente se conhece.

Foi no final de dezembro, a poucos dias do Natal, que o corpo de Sophie foi encontrado numa estrada perto da sua casa. A Irlanda tinha tão poucos homicídios e crimes graves, sobretudo naquela região, que demorou bastante tempo para que um patologista forense chegasse ao local do crime. Como era no exterior, já havia poucas condições para recolher provas.

A mulher tinha sido espancada até à morte, mas não havia testemunhas nem provas diretas — como ADN, por exemplo — que apontassem para o agressor. O caso chocou tanto a Irlanda como França — Sophie deixou um marido e um filho de 13 anos.

25 anos depois do homicídio, não existe ainda um desfecho — sobretudo para a família Toscan du Plantier. Contudo, desde muito cedo foi apontado um suspeito: o jornalista britânico Ian Bailey, que vivia perto da casa de Sophie e continua a morar em Cork.

Ian Bailey é descrito como uma pessoa violenta, que agredia regularmente a sua ex-companheira, e terá admitido a alguns populares ter sido o responsável pela morte da cidadã francesa. Contudo, as autoridades irlandesas consideraram as provas insuficientes para acusar Bailey.

A justiça francesa tem outra visão do caso. Pressionado pela família de Sophie, que nunca desistiu de procurar justiça pela sua morte, o ministério público francês acusou formalmente Ian Bailey, considerando haver provas suficientes. O réu não esteve presente no julgamento, nem teve uma defesa legal, mas foi condenado pelo homicídio em 2019.

Desde então, as autoridades têm tentado perceber se é possível haver uma extradição da Irlanda para França, mas não existe esse precedente legal entre os dois países, pelo que Ian Bailey permanece em liberdade no país onde vive há várias décadas.

“Sophie: Crime em Cork” apresenta bastante a visão da família Toscan du Plantier, com entrevistas a vários familiares — e sobretudo ao filho de Sophie, Pierre Louis, que continua determinado a encontrar justiça pelo que aconteceu à sua mãe.

Isto é comum em vários documentários do género — a parte mais invulgar neste tipo de produções televisivas é que inclui uma entrevista com o próprio Ian Bailey. Apesar de ter sido condenado em França pelo crime, o britânico é descrito como uma pessoa narcisista e que está constantemente à procura de atenção.

Embora negue o seu envolvimento na morte de Sophie, é apresentado como alguém que quase tem prazer em ser considerado um suspeito principal do crime. Por isso mesmo, tem dado entrevistas ao longo dos anos sobre o caso.

Sophie é retratada como uma mulher livre e artística, uma boa mãe e esposa, que gostava da tranquilidade das paisagens irlandesas — e do oceano — até a sua vida lhe ter sido roubada de forma repentina e brutal. Mais do que as provas, há uma vertente bastante emocional presente nesta série documental, que também combina com a beleza obscura daquela parte do mundo.

“Sophie: Crime em Cork” foi realizado por John Dower e tem na lista de produtores executivos o nome de Simon Chinn, o premiado produtor por trás de documentários como “Homem no Arame” e “My Scientology Movie” (que também foi realizado por Dower).

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