Sofia Nunes Viegas tem 21 anos e já concretizou um sonho: escreveu o seu primeiro livro. “Até Que a Morte Não Nos Separe” chegou recentemente às prateleiras da Bertrand, Wook, Fnac e também está disponível na loja online da Atlantic Books. “Inicialmente, a sensação foi de choque, como se não acreditasse que estava realmente a acontecer”, conta a jovem autora à New in Setúbal. “Foi preciso ter o livro nas minhas mãos para acreditar que tudo aquilo era real”, diz.
A jovem cresceu em Setúbal, estudou na Escola Básica e Secundária de Aranguêz e, mais tarde, frequentou a Escola Secundária Lima de Freitas. Atualmente, estuda Criminologia na Universidade Lusófona, em Lisboa, mas continua a viver em Setúbal. A ligação à cidade onde nasceu mantém-se forte. “Foi aqui que começou o meu amor pelas artes. Foi na cidade em que nasci que descobri o teatro, a dança e a música”, conta.
A autora reconhece que deve muito às pessoas que a aproximaram das artes. Ainda assim, acredita que, mais cedo ou mais tarde, escrever acabaria por ser inevitável. Das pequenas histórias que escrevia nasceu, um dia, a vontade de criar um livro. Já a ideia para o romance surgiu-lhe num sonho. “Seguindo o caminho mais cliché”, admite a própria autora. O percurso até ao livro terminado nem sempre foi simples.
Conciliar a escrita com os estudos foi um dos maiores desafios. “Foi difícil não ceder ao chamamento da escrita entre as aulas ou nos momentos de estudo e, por vezes, cedi a esse chamamento”, admite. Em apenas quatro meses, o manuscrito ficou concluído. Era dezembro de 2024. Sofia começou a escrever o livro aos 19 anos e tinha 20 quando o terminou. Seguiram-se correções, revisões e, finalmente, a resposta positiva da editora. Ainda assim, a jovem setubalense teve de esperar até junho de 2026 para ver a obra impressa.
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Apesar de ser um romance, o livro não deixa de abordar temas mais profundos. Sem revelar demasiado, a história acompanha Sara e Nathan. Ela é obrigada a assumir um papel para o qual não se sente preparada, mas tenta manter a esperança de que tudo acabará por se resolver.
Quando Nathan, mais desiludido e desconfiado com a vida, surge inesperadamente no seu caminho, os dois percebem que talvez precisassem um do outro. “Escolhi e construí estas personagens porque senti que precisava de ver pessoas com dificuldades reais a seguirem com as suas vidas”, explica Sofia. “Elas representam a realidade da vida, é difícil e pode ser injusta. Foi isso que quis transmitir com estas personagens.”
O livro não é autobiográfico, mas Sofia reconhece-se em vários aspetos das personagens. Ambas carregam uma parte de si, explica à NiS. “Não posso dizer que me identifico mais com um ou com o outro porque a verdade é que coloquei parte de mim em cada um deles.” Com Sara, partilha sobretudo a capacidade de continuar a acreditar no amanhã. “A sua esperança é semelhante à que tenho sempre que me vejo numa encruzilhada”, admite a setubalense, de 21 anos.
Nathan, por outro lado, olha para o mundo com algum ceticismo devido às experiências que viveu — uma característica que Sofia também reconhece em si própria. “Por vezes, também vejo o mundo com ceticismo.” O facto de o romance abordar repetidamente a injustiça da vida também não surgiu por acaso. “Também tive experiências que me fizeram duvidar se a esperança era bem fundada”, explica a jovem autora. E há ainda pequenos pedaços da realidade espalhados pela história: “alguns personagens foram inspirados em pessoas que conheço.”
Não houve um momento específico em que Sofia percebeu que a vida nem sempre é justa. Foi antes uma conclusão que se foi formando ao longo dos anos, “depois de sofrer bullying na escola, de ter tido um distúrbio alimentar, de ter visto pessoas na minha vida diagnosticadas com cancro”, conta Sofia.
Também alguns casos criminais estudados na universidade contribuíram para essa perceção, ao mostrarem-lhe que nem sempre a justiça atua de forma mais justa. “Foi uma ideia muito suave que entrou aos poucos dentro de mim. Percebi que o mundo não é justo porque vi outros a passarem por situações que não mereciam e porque passei por coisas que me fizeram implorar para que o mundo me mostrasse que a vida podia ser algo melhor.”
Quanto à mensagem que gostaria que os leitores levassem consigo depois da última página, Sofia resume-a assim: “A vida não é justa, tropeçamos, caímos e, por vezes, não temos ninguém ou algo para nos ajudar a levantar. Quero que as pessoas acabem de ler o meu livro e percebam que, por vezes, não existe um final feliz, mas sim extasiante.”
Quem quiser encontrar Sofia pessoalmente, talvez tenha sorte pelas ruas de Setúbal. O seu lugar favorito na cidade é o Forte de São Filipe, cuja energia diz adorar. Em setembro, a autora irá apresentar a obra na cidade, por ocasião das Comemorações Bocagianas, numa iniciativa em parceria com o Gabinete da Juventude da Câmara Municipal. A data exata será divulgada em breve.
Para outros jovens que também sonham ver o próprio nome na capa de um livro, Sofia deixa um conselho. “Nunca deixem de sonhar alto e se lançar um livro é algo que anseiam, nunca desistam.” O sonho de Sofia ainda não terminou: a jovem autora já está a escrever uma nova obra.
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