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“Sex/Life”: a nova série da Netflix sobre sexo — de mulheres para mulheres

A série centra-se numa espécie de triângulo amoroso entre o passado e o presente.
Sarah Shahi é a protagonista.

Desde “Bridgerton” a “Elite”, têm sido muitas as séries da Netflix a incluir várias cenas eróticas e a tornarem-nas como parte característica das respetivas histórias. Esta sexta-feira, 25 de junho, estreia “Sex/Life”, que promete mergulhar neste tema através da perspetiva feminina.

A produção acompanha Billie Connelly (Sarah Shahi), uma mãe de dois filhos, dona de casa suburbana americana do Connecticut, que tem ficado cada vez mais aborrecida com a sua rotina e vida familiar com o marido. “Eu amo o meu marido”, diz a personagem no trailer. “Não consigo imaginar a minha vida sem ele. Só não tenho a certeza se é isto que é suposto eu ser.”

O seu marido, Cooper (Mike Vogel), é querido, carinhoso, leal e está bastante presente. Só que Billie tem saudades dos seus tempos de solteira. Por um lado, sentia-se mais livre e passava os dias a festejar com a melhor amiga — enquanto também construía uma carreira.

Por outro, tem saudades em particular de uma vida sexual mais satisfatória, e sente falta de Brad (Adam Demos), um antigo caso amoroso que nunca superou verdadeiramente, com quem teve as melhores experiências sexuais da sua vida.

Aborrecida e frustrada, Billie vai desabafando no seu diário que escreve no computador. Rapidamente começa a recordar os velhos tempos e a fantasiar com Brad — sendo que existe um claro conflito iminente com o marido, sobretudo quando há realmente uma hipótese de Brad voltar à sua vida.

A narrativa, baseada no livro “44 Chapters about 4 Men”, de B.B. Easton, acompanha esta espécie de triângulo amoroso ao longo de oito episódios.

“É uma visão do passado carregada de nostalgia, de sonho fervoroso, com o melhor sexo que já tiveste”, descreve a criadora da série, Stacy Rukeyser, à revista “Entertainment Weekly”. Toda a série foi dirigida por realizadoras e escrita sobretudo por mulheres. “Sex/Life” explora o desejo sexual feminino, algo que Rukeyser considera que tem faltado na televisão, comparado com todas as séries com cenas íntimas que são feitas de um ponto de vista mais masculino.

Aqui, admite a criadora do projeto, existe também uma “objetificação saudável e fetichização do corpo masculino”. “Foi entusiasmante para mim inverter os papéis.” E disse ainda à “Forbes”: “Eu queria abordar esta história de uma mulher a recordar o melhor sexo que já teve, que é tão divertido, mas queria fazê-lo de uma forma que a tornasse poderosa enquanto mulher. A série não é sobre o tipo de sexo que um homem poderia gostar, ou se uma mulher poderia concordar ou não com ele. É sobre a experiência dela, onde ela não é objetificada. Nós podemos ser mães e esposas e também deusas sexuais vorazes.”

A atriz principal, Sarah Shahi, disse à “Entertainment Weekly” que se identificou imediatamente com o papel. “Houve muita coisa dela com a qual me identifiquei e espero que muitas pessoas se relacionem com a questão de, primeiro do que tudo, seres uma mãe e amares os teus filhos, mas ao mesmo tempo questionares a tua identidade, quem te tornaste e se as decisões que tomaste na tua vida foram as certas. Acho que a sociedade às vezes diz às mães que só podem ser isso. E não é verdade. Só porque somos mães, não temos de deixar aqueles dias em que nos sentíamos livres e selvagens. Haverá uma forma de sermos os dois? Para mim, foi um grande tema na minha vida.”

Billie escondeu grande parte do seu lado mais selvagem e sexy — e do seu passado — ao marido. Por isso, quando estes desejos reaparecem, poderá ser desafiante e inesperado para Cooper, mesmo que ele se esforce para corresponder às necessidades da mulher.

“Ao esconder uma grande parte dela ao Cooper, criou um problema para si. Ela ficou com o homem, mas a que custo? O custo é negar uma parte dela própria, que tem ficado dormente mas que precisa de ser honrada, celebrada e cuidada porque é uma parte real dela”, acrescentou Stacy Rukeyser.

As muitas cenas eróticas de “Sex/Life” foram gravadas com uma equipa de coordenadores de intimidade, que quase coreografam estas cenas específicas em que há um grande envolvimento físico por parte dos atores.

Para que a história espelhasse bem a evolução do seu corpo, desde os momentos na juventude à atual maturidade enquanto mãe, Sarah Shahi também teve de usar próteses de peito para as cenas em que está a amamentar um dos filhos. O elenco inclui ainda Margaret Odette, Phoenix Reich, Jonathan Sadowski, Li Jun Li, Sofia Galasso, Meghan Heffern e Joyce Rivera, entre outros.

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