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Sara Prata: “Deixo a minha filha na escola e depois vou brincar às escolas”

Falámos com a atriz setubalense que interpreta uma educadora de infância na próxima novela da TVI, “Queridos Papás”, que estreia em março.
Sara Prata interpreta Sílvia.

“Queridos Papás” é a próxima novela da TVI. Estreia em março e já está a ser gravada no concelho do Seixal. Criada por Maria João Mira, a partir do argumento de uma telenovela argentina, foca-se em quatro pais e nas suas histórias. Fernando Pires, José Fidalgo, Pedro Sousa e Tiago Teotónio Pereira são os pais que protagonizam a narrativa.

Muitas outras personagens povoam o enredo. É o caso de Sílvia Gouveia, interpretada por Sara Prata. Trata-se de uma educadora de infância do colégio onde anda o filho de Jaime Guimarães (Fernando Pires). Jaime ficou viúvo recentemente e julga não estar preparado para uma nova paixão — mas isso muda quando conhece Sílvia. 

Falamos com Sara Prata sobre o novo projeto. Leia a entrevista. 

Quando lhe fizeram o convite para fazer esta personagem nesta novela, o que é que a atraiu mais?
Em primeiro lugar, foi o facto de ser assim a primeira novela sobre quatro pais. Gosto imenso desse mood a que fomos habituados desde sempre, a referências de filmes e séries. É algo com que nos identificamos. Tenho a certeza de que o público também se vai identificar com essa brincadeira e com essas questões que vão surgindo ao longo da novela. E, depois, porque o meu papel também era muito giro. É uma educadora de infância, vai haver um envolvimento bastante interessante de ser trabalhado… E então foi com essa felicidade que recebi este projeto mais leve. Talvez não seja um registo de novela clássico. Eu vim agora da “Para Sempre”, que ainda está no ar, e tem um registo mais clássico, com uma trama mais densa, com uns conflitos mais difíceis. Aceitei este precisamente por ser uma lufada de ar fresco, por ter um registo leve, apesar de abordarmos temas muito interessantes da maternidade e da paternidade — neste caso, mais focado nos pais. E não deixa de haver sempre um ponto cómico, um ponto divertido, com o qual tenho a certeza que muita gente se vai identificar. 

É bom fazer papéis mais leves para equilibrar com os projetos mais dramáticos?
Acho que a novela tem esse dom de se aproximar do público através de vários registos. Tanto podemos fazer uma novela mais difícil, com conflito, e o público fica lá preso… Toda a gente continua a lembrar-se do “quem matou o António?” [risos]. Mas também é muito giro o público poder sentar-se no sofá e estar só descontraído a ver uma coisa, como agora é o caso do “Festa é Festa” — e tenho a certeza de que o “Queridos Papás” também vai trazer isso. Essa leveza de só estarmos sentados a ser entretidos sem grandes questões, bom para se ver em família.

A sua personagem é uma educadora de infância que vai ter um romance com um dos pais. O que pode contar sobre o seu papel?
É um amor daqueles que nem damos conta. Nós nem queríamos! Nós nem fizemos nada para isso acontecer. Mas de repente há algo que nos liga muito àquela pessoa. Quando começamos uma novela, tem uma história aberta, não sabemos qual é o desfecho. Mas fico a fazer muitas figas para que os dois fiquem juntos. Só que, lá está, são muitas semanas e meses de acontecimentos pelo meio — e espero que o público também deseje que aqueles dois acabem juntos. É um amor mais forte do que nós.

Sara Prata na rodagem da nova novela.

Pelo menos até agora, esta personagem acaba por existir mais enquanto parte deste romance ou também tem a sua própria história?
Não, está totalmente envolvida neste romance, neste conflito. Porque ela é casada — aliás, no início está noiva. Então, está neste conflito entre aquilo que é correto e o coração. O “correto” que é errado, porque ele é um crápula [risos].

É assim um dilema moral.
Exato. É um dilema amoroso e também moral. Porque também não é correto ela envolver-se com um pai do colégio. São todas essas questões.

Qual tem sido o grande desafio até agora?
O desafio maior é continuarmos a desenvolver uma personagem com as cenas novas que nos vão chegando. Esse é o maior desafio da novela. É esta elasticidade que tens de ter para seguires conforme o rumo do que vai ser escrito. Tu nunca sabes qual é o episódio que vem amanhã. Então acho que o desafio é sempre esse: chegar mais um episódio e ter a capacidade de adaptar aquilo que eu já fiz à continuidade dessa personagem. E depois é gerir e conciliar a vida pessoal com a profissional, que também é um desafio. Mas o projeto em si está a correr muito bem. Temos um elenco incrível, apoiamo-nos muito uns aos outros, acima de tudo somos amigos. Por isso é muito tranquilo ir gravar. Trabalhar para nós não está a ser nada complicado. Claro, são muitas horas de estúdio, todos nós já sabemos, mas faz parte. E é um projeto que me tem dado muito gozo.

Estava a comentar há pouco sobre as referências de pais em comédias. Acredita que é importante ainda hoje reforçar este papel, porque muitas vezes a questão dos filhos está socialmente ainda muito atribuída às mães?
Acho que não é o propósito da novela, passarmos uma mensagem ou ajudarmos a que essa mensagem chegue cada vez mais às pessoas. Acho que os tempos mudaram, já é uma realidade que a paternidade é vivida de outra forma. Não vale a pena “ah, porque a paternidade terá um dia de mudar”. Não, a paternidade já mudou, e isso é ótimo. As crianças já têm o pai como uma grande referência diária. Daqui a um tempo iremos estudar as verdadeiras consequências de o pai ter passado a fazer parte da vida das crianças. Claro que em dimensões ainda muito diferentes, mas o pai já faz parte da vida das crianças. Mas não é esta a questão da história. Os pais conduzem esta história, mas é simplesmente um retrato da vida normal a acontecer. Não aborda os temas gritantes da paternidade, mas acho que quanto mais a normalizarmos, mais importância lhe damos. Afinal, é o sítio normal do pai.

Teve de fazer alguma preparação específica para este papel?
Para este em específico não. O maior workshop que poderia fazer para este trabalho é a minha filha. Diariamente observo o que é o crescimento dela, a evolução dos miúdos, aquilo em que mais se focam, os desafios em gerir as emoções deles… Então depois tento transmitir isso para aquele universo que tenho da escolinha, no qual tenho de lidar com muitas crianças. Nós gravamos com cerca de 15 ou 20 crianças, tem sido muito giro. Eles chegam e já me chamam Sílvia, ou “professora”, como se eu fosse a professora deles [risos]. Querem mostrar, pintam-me imensos desenhos, trago sempre muitos para casa. Por isso o meu maior workshop claro que foi ser a mãe da Amélia. Ajuda-me a entrar no universo infantil e no mundo da educação. Deixo a minha filha na escola e depois vou brincar às escolas [risos].

Já explicou que “Queridos Papás” tem um lado mais leve que também é importante. Mas o que é que acha que esta novela em específico pode trazer de novo e de mais-valia aos espectadores que estão habituados a ver este tipo de produções?
Acho que estamos sempre à procura do “novo”, e que o próximo projeto vai trazer não sei quê de novo. Não vai, não é? O formato de novela é sempre muito idêntico porque é muito real, muito aproximado do público. Acho que, quanto mais dermos importância de continuar a retratar aquilo que o público mais gosta, com aquilo que se identifica, mais positivo será o resultado desse projeto. E este tem uma leveza, uma descontração, cenas muitas engraçadas… É sentarmo-nos no sofá para ver a vida a acontecer, no seu ritmo, nos seus jogos, nos seus acontecimentos, nos azares e nas felicidades. O que mais podemos esperar é exatamente isso: a vida a ser vivida através de um ecrã. Divertimo-nos muito, somos muito felizes a gravar este projeto, por isso acredito que também seja transmitido lá para casa.

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