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“Porque me Mataste?”: o novo documentário da Netflix que conta uma história trágica

Uma mãe usou o MySpace para encontrar o assassino da filha. No final, conseguiu a justiça que procurava.
Crystal Theobald tinha 24 anos.

Tudo aconteceu no trágico dia de 24 de fevereiro de 2006. A jovem de 24 anos Crystal Theobald, mãe de dois filhos, estava no carro com o namorado e o irmão, a conduzir pelo subúrbio de Los Angeles onde viviam, em Riverside. 

Travaram numa esquina quando um jovem apareceu de repente, sacou de uma pistola e começou a disparar para dentro do carro. Crystal foi atingida na parte de trás da cabeça, foi levada para o hospital e morreu passado pouco tempo.

O namorado também foi atingido mas, depois de ser operado, conseguiu sobreviver. E o irmão conseguiu escapar às balas. Belinda Lane seguia no próprio carro mas estava muito perto do da filha, Crystal. Por isso, conseguiu assistir a toda a cena de terror.

Aquilo que parecia claro, e que se veio a verificar, é que o assassino — que estava com outros jovens — pertencia a um conhecido gangue local chamado 5150. Confundiram o carro onde seguia Crystal Theobald com um veículo de um gangue rival e o assassino abriu fogo. 

Esta história é contada no novo documentário da Netflix, “Porque me Mataste?”, que estreou na plataforma de streaming esta quarta-feira, 14 de abril. Tem menos de uma hora e meia de duração.

Ao contrário de tantos outros documentários do género, que se centram em histórias verdadeiras de crime, este caso não tem um mistério bizarro subjacente. O que é mais interessante é que Belinda Lane, mãe da vítima, começou a própria investigação online após a morte da filha.

Belinda é uma das figuras centrais da história.

No documentário, Crystal Theobald é descrita pela família e amigos como uma pessoa exemplar. Depois da sua morte, a polícia teve algumas dificuldades em encontrar o suspeito. Ao mesmo tempo, a família Theobald (tal como tantas outras naquele contexto de um bairro problemático de Los Angeles) não confiava muito nas autoridades.

Os seus filhos tinham tido alguns problemas legais por pequenos delitos e Belinda tinha-se tornado viciada em metanfetaminas, depois de ter começado a usar a droga para ter energia para ter dois empregos enquanto cuidava sozinha de cinco filhos.

Belinda Lane tinha a certeza — que mais tarde se veio a provar — de que o assassino fazia parte do tal gangue 5150. Tentou identificar um suspeito junto da polícia, mas era a pessoa errada. As autoridades não avançavam no caso.

Foi aí que Jaimie, a prima mais nova de Crystal, teve a ideia de criar uma conta falsa no MySpace, para fingir ser uma jovem mulher atraente. Começou a interagir com membros do gangue na rede social para ver se conseguia ter acesso a algum tipo de indícios que levassem a família a conhecer a identidade do culpado.

Ela trocava mensagens sedutoras com os homens mas não conseguiu obter grande informação. Então decidiu criar outra conta, com a foto de Crystal, usando o nome Angel. Jaimie tentou até usar a personalidade de Crystal nas mensagens, já que dizia que a prima era alguém por quem se podia facilmente apaixonar.

Conseguiu chegar mais longe com esta segunda conta, mas começou a achar tudo aquilo bastante perturbador e desistiu da missão. Mas antes deu a password a Belinda, a mãe de Crystal. Belinda, que tinha dito à família para não se intrometer e deixar a investigação policial decorrer, usou a conta de Angel para começar a dialogar bastante mais diretamente com os membros do gangue. Daí o título do documentário: “Porque me Mataste?”

A produção realizada por Fredrick Munk acaba por se centrar mais na figura de Belinda Lane, que aborda diretamente as suas falhas, mas mostra que a maior tragédia da sua vida a mudou completamente. 

Tal como “American Murder: The Family Next Door”, também da Netflix, ou “I Love You, Now Die”, da HBO, este documentário desenrola-se sobretudo através de mensagens de texto, neste caso trocadas no MySpace. Ao mesmo tempo, também há entrevistas com familiares, e mesmo com ex-membros do gangue 5150, que faz com que o documentário também mostre como muitas destas pessoas vinham de contextos familiares terríveis e encontraram ali uma organização que os protegesse de alguma forma. O documentário não cai na tentação de diabolizar estes criminosos e tenta também colocá-los sob algum contexto.

Apesar de ser uma história triste, “Porque me Mataste?” mostra como a missão da família e, em particular, de Belinda, conseguiu ter resultados, já que contribuiu ativamente para que o culpado fosse finalmente apanhado pela polícia.

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