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Pedro Carvalho e Zé Zambujo: a dupla de amigos que anima as noites setubalenses

Costumam tocar no Rockalot, na Casa da Cultura, no Parque Urbano de Albarquel e em outros bares e restaurantes da cidade.
Os dois jovens artistas em palco.

Com certeza que foram muitas as vezes que ficou surpreendido por ir a algum espaço mais emblemático da cidade beber um copo e ficar encantado com o som que por lá se ouvia em concertos de música ao vivo. Setúbal é uma cidade cheia de talento e muitos dos eventos produzidos no concelho são protagonizados por artistas locais.

Pedro Carvalho, de 26 anos, natural de Azeitão e o setubalense José Zambujo, mais conhecido por Zé Zambujo, de 31 anos são um desses exemplos já que trazem muitas vezes música a vários espaços bem conhecidos da cidade do Sado. Em entrevista à New in Setúbal afirmaram que não se lembram como se conhecerem nem quando começaram a tocar.

“É uma das grandes dúvidas que temos. Já foi há muito tempo, talvez desde os meus 18/20 anos. Mas mais importante do que isso é que sei que com o Zé não é preciso ensaiar para as coisas correrem bem, apesar de ensaiar ser uma coisa essencial, mas lá está, a maneira como os dois sentimos a música, para nós é diferente, porque as coisas saem naturalmente”, revela Pedro.

E acrescenta: “Este projeto que tenho com o Zé é bom porque identifico-me bastante com ele como músico. Já tocámos em todo o tipo de locais e com várias pessoas diferentes. Desde miúdos de cinco anos a pessoas de 70 anos e conseguimos fazer a festa, seja em que ambiente for. Uma coisa boa em nós, é o facto de sermos versáteis e de conseguirmos trabalhar bem tendo em conta o público que temos à nossa frente.”

Uma das grandes imagens de marca dos dois músicos é mesmo a versatilidade. Se tiverem público espanhol vão tocar música espanhola, caso o público seja brasileiro, vão tocar música brasileira ou até mexicana, como já chegou a acontecer recentemente.

Para Pedro, o reggae é a base de tudo, no entanto, tendo em conta os públicos muitas vezes surge a necessidade de tocar outros estilos musicais como samba, bossa nova, flamengos e rock. “Muitas das vezes temos pessoal à nossa frente que é difícil de ler. Tocamos um reggae e eles não reagem tão bem, mas se calhar se tocarmos um rock dos anos 80 já vão reagir de outra forma. Há que saber ler o público e adaptarmo-nos.”

No caso de Pedro Carvalho, tudo começou quando era mais novo. Na altura jogava futebol federado e entretanto descobriu que tinha uma lesão nas costas. Como não podia jogar o resto da vida, decidiu apostar no mundo da música. 

Começou a aprender a tocar guitarra sozinho em casa em vez de sair para a rua, para ir brincar com os amigos. Ficava horas a fio agarrado à guitarra, a aprender as coisas como autodidata. Mais tarde descobriu que talvez até conseguisse cantar e começou a aperfeiçoar essa parte, apesar de ter uma voz completamente diferente da que tem agora.

A primeira vez que foi experimentar tocar ao vivo em Sesimbra tinha 14 anos. “Estava cheio de vergonha, mas aconteceu. E apercebi-me que talvez fosse isto que queria fazer para o resto da minha vida. A partir daí fui tentando evoluir até aos 18 anos”, conta. O seu sonho sempre foi ter uma banda de reggae. Fez uma audição para uma banda desse estilo, foi selecionado e basicamente foi aí que concretizou uma das partes do seu sonho. Foi sempre trabalhando até chegar ao patamar em que se encontra hoje.

Neste momento, Pedro considera que faz aquilo que gosta, portanto, não considera ser trabalho. Para ele a música é uma maneira de estar e de ser. O dinheiro não é tudo. Prefere ganhar menos, mas estar feliz e satisfeito com as coisas básicas da vida. Atualmente está a explorar um bar, num campo de futebol, em Azeitão. 

Na área da música costuma tocar a solo, tem duas bandas sendo que uma delas é a BigUp — Reggae Tribute e tem uma dupla com o Zé Zambujo. Por enquanto, os dois estão apenas a explorar o universo dos covers, porque se encontram a trabalhar em projetos de originais, mas o objetivo final é mesmo lançar álbuns e criar temas próprios. 

Pedro considera que o local onde nasceu e cresceu influenciou de forma positiva a sua forma de estar na vida. “Vivi em Lisboa durante pouco tempo mas deu para perceber que não é aquilo que quero, pois estou tão habituado à tranquilidade da vila de Azeitão e isso acaba por ser um reflexo na minha pessoa. Lisboa é boa para trabalhar, é onde se passa tudo, é a capital do País. Mas para viver, Azeitão é bem melhor. Transmite uma paz que em Lisboa não existe. Às cinco da manhã, temos ambulâncias a passar em frente a casa, em Azeitão temos pássaros”, brinca.

O amante de reggae deixa um conselho para todos aqueles que estão a dar os primeiros passos na música. “Sejam vocês próprios, nunca mudem as vossas convicções e se deixem influenciar por opiniões alheias. Se temos a nossa opinião, temos de nos manter fiéis à nossa essência. É sempre bom ouvir opiniões de outras pessoas, até para trabalhar alguns aspetos, mas se acharem que são mesmo bons na música, mantenham-se firmes.”

O artista já tocou em cidades como Évora, Guarda, Lisboa, Porto e Sagres. Fora de Portugal atuou na rua devido ao facto de a sua avó ser italiana. “Fui uma vez ter com ela durante as férias e andei a tocar na rua por diversão e não com o objetivo de ganhar dinheiro.” Em Setúbal já tocou no Rockalot Praia, no Decibel, na Feira de Sant’Iago, em festas no Parque Urbano de Albarquel, na Casa da Cultura e no Skál.

Já atuaram em vários palcos da cidade.

Zé Zambujo tem bases de jazz, de bossa nova e Pedro tem mais as do reggae. Apesar de terem influências diferentes, o seu objetivo comum é criar um projeto de originais, “onde possam misturar música portuguesa com música angolana, com a de Moçambique e também da Nigéria”. 

A música entrou na vida de Zé aos oito anos. “Estava na escola com flauta de bisel, aquele clássico, e a professora disse-me que tinha jeito. Fui para a Capricho Setubalense aprender música e foi aí que comecei a estudar clarinete. Fui para o Conservatório e tirei o oitavo grau em clarinete. Depois fiquei cerca de dois anos parado. Abri um bar, nessa altura, estava na dúvida em relação ao que queria fazer. Entretanto fui estudar saxofone para o Hot Club, em Lisboa.” 

Atualmente tem cerca de nove projetos diferentes. Deu aulas privadas de clarinete e de saxofone, na escola de música da Capricho. No entanto, era na Casa da Cultura que decorriam as aulas. Também já deu AECS a escolas primárias do primeiro ao quarto ano.

Para o jovem setubalense, as “aulas particulares são sempre mais dedicadas, porque a pessoa vai para lá porque quer aprender e pretende mesmo ter essa experiência. Dar AECS é difícil, porque estamos a dar aulas a 20 ou 30 miúdos, mas nem todos estão focados. Como o nome indica são atividades extra curriculares, ou seja, muitos alunos levam aquela formação como se não fosse obrigatória, um bocado na brincadeira também.”

Zé tocou na rua com amigos e considera que foi isso que o fez chegar até aqui. Tocar com pessoas melhores do que ele fez com que aprendesse sempre mais. Neste momento trabalha a solo em restaurantes, hotéis, eventos, casamentos e vive dessa atividade. Na cidade do Sado atuou em restaurantes, passando pelo Fórum Municipal Luísa Todi, à Casa da Cultura, ao Rockalot Praia, ao PUA e Festival da Liberdade.

Em Lisboa subiu ao palco do Music Box, CCB, Lux Frágil, Titanic, Tokyo, entre muitos outros espaços noturnos. Em França, já tocou em bares e jam sessions. Costuma apresentar-se com estilos como jazz ou bossa nova. Porém, não rejeita tocar por cima de música eletrónica ou outros estilos.

Este mês tem marcado na agenda eventos privados como casamentos. O grande destaque vai para o Festival Iminente, em conjunto com Yakuza. A grande ambição de Zambujo é ter um projeto a solo. Para saber mais sobre estes artistas pode visitar as páginas de Instagram de Pedro Carvalho e Zé Zambujo. 

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