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Peça de dança “À deriva” chega no final deste mês ao Fórum Luísa Todi

O espetáculo pela ACTA é apresentado no dia 28 de setembro, às 21h30. Já pode comprar os bilhetes.
Uma peça para refletir.

Se está com saudades de ver uma peça de dança, pode preparar-se pois ainda este mês sobe ao palco do Fórum Municipal Luísa Todi o espetáculo “À deriva”. É quase no final de setembro, no dia 28, quarta-feira, às 21h30, com a ACTA — A companhia de teatro do Algarve. Esta companhia é a promotora do evento, com a coprodução do CTB — Companhia de Teatro de Braga. 

Trata-se de uma obra que aborda a problemática dos migrantes que tentam chegar ao lado ocidental do Mediterrâneo. O espetáculo remete para um caso verídico ocorrido durante o regime do apartheid na África do Sul, na ilha-prisão de Robben, onde também Nelson Mandela cumpriu pena durante 27 anos.

Os atores em palco interpretam dois companheiros de cela que partilham esse mesmo espaço. Durante o dia realizam trabalho forçado e à noite ensaiam a Antígona, de Sófocles. O objetivo é que a peça, com apenas as duas personagens de Antígona e Creonte, seja apresentada perante os outros prisioneiros. Ela expõe paralelos entre a situação de Antígona, condenada por razão discricionária e a idêntica contingência em que todos eles se encontram naquela ilha-prisão.

No que diz respeito ao enredo remete para problemáticas do dia a dia,. Exemplos disso são casos de migrantes que, fugindo da miséria, não conseguem chegar ao esperançoso lado ocidental do Mediterrâneo e acabam capturados e explorados em condições análogas às que o texto fundador expõe.

Também aos que nos seus próprios países são reféns da cobiça e interesses múltiplos, como é o caso dos sujeitos a escravatura nas minas de Coltan no Leste do Congo, o mineral metálico coração dos smartphones. Também ao tráfico humano, em geral, que contemporaneamente acontece em África com a discreta conivência e múltiplos interesses ocidentais. 

Os bilhetes custam 8€ (geral) e 6€ para estudantes, desempregados, menores de 25 anos ou mais de 65 e profissionais do espetáculo. Pode comprar os ingressos online. 

O texto é de versão livre de Alexandre Honrado, a partir do original “The Island”. A autoria é de Athol Fugard, John Kani e ainda Winston Ntshona. A tradução foi feita por Sara Afonso com a produção de Márcia Martinho. 

A encenação e dramaturgia ficaram a cargo de Luís Vicente, com os intérpretes Luis Vicente e Rogério Boane. Rafael Goes foi quem tratou da cenografia. Já a assistência de encenação foi da responsabilidade de Tânia da Silva. Os desenhos de luz e de som são de Octávio Oliveira e Diogo Aleixo. 

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