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Nova exposição revela os rostos e a memória da apanha da ostra no Sado

A mostra está patente na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e revela o trabalho de Joaquim Baptista.

As mãos calejadas, os gestos repetidos pela experiência e os olhares que contam décadas de vida junto ao rio voltam a ser protagonistas em Setúbal. A exposição “Rostos da nossa gente na apanha de ostra”, agora patente na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal até 12 de dezembro, leva ao público um conjunto poderoso de imagens que celebram um dos ofícios mais identitários da região: a apanha da ostra no Estuário do Sado.

Organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, com o apoio do Instituto Politécnico, a mostra reúne cerca de 50 fotografias de Joaquim Baptista, autor que dedicou grande parte da sua vida a documentar o quotidiano da cidade e, em particular, a atividade da ostra, um setor que marcou a economia local e moldou a forma de viver de várias gerações setubalenses.

Nas paredes da Escola Superior de Educação surgem rostos que traduzem resiliência, pertença e tradição. São mulheres, homens e até crianças, captados ao longo das várias fases da apanha e tratamento da ostra, desde a recolha nos viveiros, à seleção, preparação e expedição. Cada imagem transporta a força e a dignidade de quem fez do Sado o seu sustento, revelando um património humano que é, ainda hoje, um símbolo da identidade marítima de Setúbal.

Além dos rostos, a exposição oferece também uma leitura visual sobre o próprio território. As fotografias revelam a quietude das águas, as embarcações tradicionais, a geometria dos viveiros e os cenários ribeirinhos que fazem do Estuário do Sado um lugar único no País. Esta dimensão paisagística reforça a importância ambiental e económica do estuário, palco de uma atividade que marcou gerações e continua a ser um dos elementos distintivos da região.

Todas as imagens pertencem ao espólio documental deixado pelos herdeiros de Joaquim Baptista ao Arquivo Municipal de Setúbal, onde integram a vasta Coleção Baptista, composta por milhares de fotografias que registam múltiplas facetas da vida setubalense ao longo de décadas.

Antes de chegar à Escola Superior de Educação, a exposição já tinha passado pelo Centro Comercial Alegro Setúbal e pela Junta de Freguesia de Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra, cumprindo um caminho itinerante que permite aproximar este património visual de diferentes públicos. Agora, num ambiente académico, cruza-se também com estudantes e docentes, incentivando a reflexão sobre a memória local e o papel das atividades tradicionais na construção da identidade coletiva.

De entrada gratuita, a mostra pode ser visitada até 12 de dezembro, de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 17 horas, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Uma oportunidade para revisitar, através da lente de um dos grandes cronistas visuais da cidade, a história de um ofício que continua gravado no imaginário setubalense.

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