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“Night Stalker”: a nova série documental da Netflix sobre um serial killer

A história passa-se na Los Angeles dos anos 80, quando um homem assassinou pelo menos 13 pessoas e se tornou um mito.
Ramirez foi preso aos 25 anos.

É o mais recente projeto documental da Netflix a relatar uma sinistra história real. “Night Stalker” estreou esta quarta-feira, 13 de janeiro, e é uma série de quatro episódios que mergulha na Los Angeles dos anos 80 para se centrar nos terríveis assassinatos de Richard Ramirez.

No verão de 1985, a cidade de Los Angeles sofria com uma enorme vaga de calor. Por isso, muitos habitantes deixavam janelas (ou mesmo portas) das suas casas abertas. O problema é que havia um serial killer, que tinha começado a matar um ano antes, que iria aproveitar essas aberturas para entrar nas casas e cometer crimes hediondos.

Richard Ramirez matou pelo menos 13 pessoas, além de ter violado, agredido e roubado tantas outras. Não havia qualquer padrão: a sua vítima mais nova tinha apenas seis anos, a mais velha 82. Não eram da mesma etnia, classe social ou género. A única coisa que tinham em comum era as janelas ou portas abertas. E houve até vítimas noutros locais do estado americano da Califórnia.

As armas do crime eram igualmente diversas. Ramirez tanto usou revólveres como estrangulou vítimas com o cabo do telefone. Por vezes deixava mensagens ou símbolos satânicos no local do crime, noutras ocasiões fazia uma pausa para comer uma peça de fruta do frigorífico das vítimas. Não era cauteloso nem parecia obedecer a qualquer tipo de lógica.

As vítimas que sobreviveram lembravam-se sobretudo de duas características físicas marcantes deste agressor: o seu cheiro intenso e repugnante; e a sua boca, com dentes podres e outros em falta.

Os assassinatos aterrorizaram a população de Los Angeles — afinal, qualquer pessoa podia ser a próxima vítima deste homem que ficou conhecido como “night stalker”. Toda esta história é contada na série documental, a partir da perspetiva dos dois detetives responsáveis pelo caso, Gil Carrillo e Frank Salerno.

Quando aceitaram participar na produção, os dois agentes quiseram contar a narrativa focando-se nas vítimas e nas suas famílias, cujas vidas foram severamente afetadas por este serial killer.

A ideia era contrariar uma certa mitologia que existe à volta de Richard Ramirez — tal como acontece com outros assassinos do género —, que conquistou fãs por causa da sua popularidade e que chegou a receber cartas de amor e pedidos de casamento durante os anos que esteve na prisão. Ramirez foi detido em agosto de 1985, quando tinha 25 anos, e morreu na cadeia em 2013, vítima de um cancro.

A série foi estruturada de forma cronológica, ataque a ataque, de pista em pista, para percebermos o estado de espírito dos residentes de Los Angeles e dos detetives durante aqueles cinco meses de investigação. Há depoimentos de habitantes da cidade e de vítimas e familiares.

Ao mesmo tempo, é um retrato da cidade naquela época, com uma estética obscura, quase de filme noir — tendo em conta que os crimes aconteciam sempre à noite —, que associamos a Los Angeles através do imaginário cinematográfico, e de outros (igualmente chocantes) crimes mediáticos, como os homicídios cometidos pelo culto de Charles Manson.

O projeto começou quando o realizador da série, Tiller Russell, um antigo repórter de crime de Los Angeles, conheceu o detetive Carrillo num restaurante clássico da cidade. O agente lembrava-se de todos os pormenores do caso e Russell achou que poderia contar de outra forma a história que já havia sido relatada noutros projetos do género.

“Era muito importante para mim não cair naquilo que eu acredito que seja uma falsa mitologia”, explicou Tiller Russell ao jornal “The Guardian”. “Este tipo não era o Jim Morrison dos serial killers. Não há nada de fixe nisto.”

À revista “People”, o realizador acrescenta que foi uma vaga de homicídios brutais que deixou marcas profundas em Los Angeles. “Mesmo hoje em dia, quando conduzes pela cidade, é por isso que vês tantas janelas com grades.” Muitos residentes da altura instalaram proteções nas janelas ou adotaram cães de guarda.

Tiller Russell diz ainda que a marca positiva que também quiseram deixar ao contar esta história tem a ver com a “resiliência das pessoas”. “Independentemente de aquilo por que passaram, elas recusam-se a ser definidas pelo Night Stalker, ‘Quero que a minha vida continue’. Por isso também havia este aspeto, em que vês a força das pessoas a contar as histórias e ao mesmo tempo a não deixarem limitar-se por elas.”

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