cultura

Marilyn Manson nega todas as acusações — mas já foi despedido da editora e das séries

O músico reagiu após ter sido acusado de abusos por várias mulheres. As consequências para a sua carreira foram imediatas.
Marilyn Manson e Evan Rachel Wood chegaram a estar noivos.

Esta segunda-feira, 1 de fevereiro, Evan Rachel Wood acusou Marilyn Manson de ter abusado dela durante vários anos. A atriz já tinha revelado no passado ter sido vítima de abusos por parte de um homem mais velho, mas só agora apontou o dedo a Brian Warner, o nome real do músico americano — com quem já se sabia que tinha mantido uma relação.

As consequências não demoraram a chegar. A editora de Marilyn Manson, a Loma Vista, divulgou um comunicado onde afirma que nunca mais vai trabalhar com o músico. “À luz destas alegações perturbadoras, vamos deixar de promover o seu álbum, com efeito imediato. E não voltaremos a trabalhar com ele”, escreveu a Loma Vista.

No mesmo dia, as séries de televisão em que Manson estava a participar também se demarcaram totalmente do artista. Um futuro episódio de “American Gods”, que ia incluir uma participação do músico, não vai ser transmitido até que o seu papel seja retirado. O episódio está a ser editado por causa disto mesmo.

“A Starz está de forma inequívoca com todas as vítimas e sobreviventes de abusos”, revelou a estação de televisão Starz, responsável pela série, em comunicado. “Devido às alegações feitas contra Marilyn Manson, decidimos retirar a sua performance do último episódio em que ele aparece, que vai ser transmitido mais tarde, nesta temporada.”

O músico tinha um papel regular nesta terceira temporada de “American Gods” e já tinha participado em dois capítulos.

Além disso, o episódio de Marilyn Manson na série de antologia “Creepshow” também vai ser retirado. O músico ia aparecer num futuro capítulo da segunda temporada da produção e o seu segmento vai ser substituído.

Num texto curto, Evan Rachel Wood salientou que começou a ser seduzida quando ainda era adolescente. “Abusou de mim de forma horrível ao longo de anos”, escreveu, acrescentando que foi “manipulada” e alvo de “lavagem cerebral” até se ter tornado submissa.

“Estou farta de viver com medo de retaliação, insultos ou chantagem. Estou aqui para expor este homem perigoso”, escreve ainda, apontando o dedo ao mundo dos negócios que o tem protegido. “Antes que ele destrua mais vidas”.

Foi em 2007 que se tornou pública a relação entre ambos. Na altura, Evan tinha 19 anos e o músico 38. Os dois chegaram a ficar noivos em 2010 mas a relação chegou ao fim cerca de um ano depois. Nove anos mais tarde, numa entrevista à “Rolling Stone”, ainda antes do movimento #MeToo, que expôs inúmeras histórias de abuso no mundo do cinema e da música, a atriz já revelara ter estado numa relação abusiva.

Evan Rachel Wood, que nos últimos anos se destacou em “Westworld”, da HBO, chegou a estar casada entre 2012 e 2014 com Jamie Bell (com quem teve um filho). Ao longo dos últimos anos, diferentes publicações, por exclusão de partes, já tinham sugerido que o autor dos alegados abusos teria sido Marilyn Manson. No entanto, Evan nunca tinha acusado diretamente o músico, até agora.

Depois da revelação de Evan Rachel Wood, outras mulheres chegaram-se à frente para contar as alegadas histórias pessoais de vítimas de abuso de Marilyn Manson. Foi o caso da modelo Sarah McNeilly.

“Eu fui emocionalmente abusada, aterrorizada e assustada. Fui fechada em quartos quando me portava ‘mal’, às vezes obrigada a ouvir enquanto ele entretia outras mulheres. Fui obrigada a ficar afastada de alguns amigos, caso não o fizesse ele ameaçava atacá-los. Contaram-me histórias de outras pessoas que tentaram contar a sua história e que os seus animais de estimação foram encontrados mortos”, escreveu no próprio testemunho.

Num momento mais violento, foi “atirada contra uma parede” enquanto Marilyn Manson a ameaçava de lhe bater na cara com um bastão de basebol. Sarah McNeilly disse ainda que o músico gravava outras pessoas, sem eles saberem, de forma a poder chantagear qualquer pessoa que entrasse na sua casa, que a modelo chama de “meat locker” – porque estava sempre a uma temperatura de 16 graus.

Outra mulher, Ashley Lindsay Morgan, que se apresenta como ex-modelo e atual estudante de medicina, escreveu como em 2009 e 2010, foram-lhe dadas regras e meteu-se “em problemas” por qualquer comportamento que Manson não aprovasse. 

“Houve abusos, violência sexual, violência física e coerção. Ainda sinto os efeitos todos os dias. Tenho pesadelos terríveis, stress pós-traumático, ansiedade e um transtorno de obsessão compulsiva.” Ashley Lindsay Morgan acrescentou ainda que ele lhe pediu para comprar artefactos nazis quando ela estava em viagem pela Ásia.

Outra mulher, que no Instagram se chama Gabriella, disse que uma vez ele “exigiu” que fizessem um “pacto de sangue” num quarto de hotel. Partiram um copo de vinho e cortaram ambas as mãos. Gabriella terá acompanhado Marilyn Manson numa tour pela Europa.

“Ele amarrava-me e violava-me. Eu chorava no chão do quarto de hotel, e quando olhava para ele, ele estava a sorrir. Ele disse que, por causa da minha reação, ele sabia que eu o amava. Ele tirou-me fotos nua sem a minha permissão, quando eu estava amarrada e a dormir, e enviou para os amigos.” Gabriella também relatou como Manson a trancava em divisões quando ela tinha comportamentos que ele não apreciava. Terá ainda havido uma acusação de uma quarta mulher, que entretanto apagou a publicação.

Em 2018, houve uma pequena investigação policial, relacionada com crimes sexuais não especificados, a Marilyn Manson. Algum tempo depois, o ministério público americano anunciou que não ia prosseguir com a acusação, porque tinha passado bastante tempo e não havia provas que corroborassem a queixa. 

Esta segunda-feira, depois de tudo o que aconteceu, Marilyn Manson também reagiu às acusações. “Obviamente, a minha arte e a minha vida têm sido desde há muito tempo ímans de controvérsia”, começou por escrever o músico na sua conta no Instagram.

“As minhas relações íntimas têm sido sempre inteiramente consensuais com parceiros de mente semelhante. Independentemente de como — e do porquê — outros estão agora a escolher mal-interpretar o passado, essa é a verdade.”

MAIS HISTÓRIAS DE SETÚBAL

AGENDA