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Jorge Nice: “Há muitas pessoas que pensam que compor é como uma bimby”

Em entrevista à New in Setúbal, o cantor fala do seu percurso de vida, carreira e dos spots favoritos da cidade que o acolheu há 16 anos.

Palavras para quê: é um artista português.

O nome Jorge Manuel Leandro, diz-lhe alguma coisa? E se lhe dissermos que é esse o verdadeiro nome de Jorge Nice? O mega fenómeno musical de Setúbal é conhecido por animar as festas com músicas que são um autêntico hino à cidade. Literalmente. 

Provavelmente não sabia, mas o cantor, que escreveu temas míticos como “Alma Charroca”, “I Got The Filetes” ou “Vitória para Sempre” nasceu do outro lado do Tejo, em Algés há 52 anos. A música sempre fez parte do seu ADN. Começou a cantar desde miúdo e teve um grupo de baile e uma banda de covers, no bairro onde cresceu. A partir daí nunca mais parou. Não teve formação musical e diz que aprendeu tudo aquilo que sabe sozinho. 

Inspirado em Setúbal, onde mora há 16 anos, o seu projeto de originais não deixa ninguém indiferente. Sente cada palavra que canta, com um sotaque meio charroco e a maioria das músicas descrevem os costumes, as expressões e a cultura da cidade do Sado. Mas não pense que o nome de Jorge Nice se fica por Setúbal. O cantor já atuou em palcos internacionais, como embaixadas e até foi convidado para animar casamentos de filhas de ministros.  

Nos tempos livres, não dispensa um bom peixe assado, passear no Parque Urbano de Albarquel e Parque do Bonfim, sem esquecer os espaços noturnos, com música ao vivo. Para si, a cidade é um mundo para descobrir todos os dias. 

Quais são os seus hobbies? 

Além da música, a pesca é o meu escape.

Que papel tem a música na sua vida? 

É o meu meio de subsistência e o ar que respiro. Não consigo dissociá-la da minha vida. É aquilo que bate como o coração.

Em que é que se inspira quando compõe as suas músicas?

Normalmente inspiro-me em coisas reais, baseadas na minha observação e interpretação pessoal do mundo. Se vir uma situação interessante, desenvolvo a partir daí. Há 16 anos que estou em Setúbal e esta cidade é muito rica, em termos de expressões, costumes e locais. E esses fatores têm-me influenciado muito nas minhas composições. Há imensa matéria-prima, porque é um local muito bonito e tem várias coisas a acontecer ao mesmo tempo.

Porque é que decidiu criar este projeto musical? 

É um projeto de originais em nome de Jorge Nice. Surgiu de uma forma natural, porque tive uma banda, que se chamava Banda Nice, daí ter escolhido este nome artístico. E depois como cantei a solo num bar, isso foi o ponto de partida para um novo projeto musical. 

Quais os temas mais emblemáticos do repertório?

Há um tema, que faz a descrição da cidade, que é a “Alma Charroca”. Para mim é a música, que define a simbiose entre o Jorge Nice e a cidade de Setúbal. Tenho outro que gosto muito, que fala da minha paixão pelo Vitória de Setúbal, que é o “Vitória para Sempre” e a “Bela Vista”, que reflete a minha infância e adolescência num bairro problemático. Esta música é uma metáfora da minha vida numa outra Bela Vista, em Lisboa.  

Costuma dar concertos fora de Setúbal?

Vou sobretudo a Lisboa, mas não tenho muita disponibilidade.

Costumam pedir-lhe para escrever temas espontâneos?

Sim, há muitas pessoas que pensam que compor é como uma bimby, pomos tudo lá dentro e sai automaticamente. Mas não é assim, para compor temos de sentir. Quando vou a concertos pedem sempre o “Visigodo” alusivo ao Bairro do Viso e o “Apá Zé, Que Peixe é?”

Já atuou para alguma celebridade?

Sim, houve uma fase da minha vida em que tocava muito em embaixadas num registo de entretenimento e hold music. E também já toquei em vários casamentos de filhas de ministros.

Já fez algum dueto com o Toy?

Não, mas gostava muito, porque somos amigos e aprecio bastante o trabalho dele. É um bom desafio para o futuro.

Tem algum artista em que se reveja?

Dos nomes mais recentes, pela criatividade e técnica vocal, o Bruno Mars, porque é uma lufada de ar fresco na música. Quanto aos clássicos sou fã incondicional dos Pink Floyd, do vocalista David Gilmour e do John Legend.

Se tivesse que eleger um local favorito na cidade, qual seria?

Todos os dias venho passear em frente à lota comercial. Há uma simbiose qualquer que não sei explicar. Não tem muito a ver com a beleza em si, mas com a junção do mar, pesca e acaba por refletir a alma de Setúbal. Mas também gosto muito de ir ao Parque Urbano de Albarquel, Parque do Bonfim e Praia da Saúde. Para namorar, o Forte de São Filipe, o Hotel do Sado Business & Nature e qualquer sítio à beira-rio, desde que estejam meio desertos são maravilhosos.

Dentro da gastronomia regional, qual o prato que mais aprecia?

Gosto de todo o tipo de peixe. Adoro caldeirada, carapauzinhos assados, raia, choco frito em algumas alturas do ano e massa de peixe.

E que restaurantes da cidade aconselha?

Vou muitas vezes ao Pescador, Praxedes e Antóniu’s.

Que praias não dispensa em qualquer verão?

A Praia da Costa, em Tróia, Praia de Galapos e a Figueirinha.

Que sítios sugere aos setubalenses para se sair à noite com os amigos?

Toda a linha de bares é boa. O Decibel Live Music Bar e a Travessa do Rock. No fundo, tudo o que tem música ao vivo.

Que tipo de atividades de lazer são mais propícias para se fazer na cidade?

Atividades náuticas, passeios pedestres na serra e todo o tipo de desportos.

E spots para levar os miúdos a passear?

O Parque Urbano de Albarquel e o Parque do Bonfim são excelentes.

Se tivesse que descrever a cidade numa palavra, o que diria?

Maravilhosa. 

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