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John Malkovich é a estrela do filme que está pronto — mas só vai estrear em 2115

A produção de Robert Rodrigues é um filme ou um golpe publicitário? Há quem diga que é ambos.
Malkovich é a estrela do filme.

Uma garrafa de conhaque Louis XIII é feita com lotes com idades que atingem os 100 anos. Um luxo ao alcance de poucos, já que as garrafas podem atingir preços acima dos três mil euros. Em 2016, aliás, uma garrafa de um blend exclusivo foi leiloada por mais de 130 mil euros. E o que é que isto tem a ver com cinema? Neste caso, tudo.

É que a Rémy Martin, a famosa empresa por detrás deste conhaque, decidiu em 2015 investir numa curta realizada, nem mais nem menos por Robert Rodriguez, com John Malkovich como protagonista. Para honrar as garrafas que se mantêm quase um século nas adegas francesas, a dupla criou um filme com uma particularidade: ficará tanto tempo na gaveta quanto o cobiçado conhaque.

Isto quer dizer que o filme feito em 2015 só poderá ser visto em 2115. “O Louis XIII é um exemplo da mestria do tempo e procuramos agora criar uma peça de arte que explore a dinâmica relação com o passado, presente e futuro, revelou então Ludovic du Plessis, o CEO da marca.

A peça inacessível tem, contudo, alguns teasers que se limitam a espicaçar os fãs que queiram ver Malkovich. “Havia várias versões em cima da mesa do que seria o futuro, quando o projeto nos foi apresentado. Um mundo altamente tecnológico; um mundo pós-computadores e pós-Chernobyl, de volta à natureza, numa civilização semi-colapsadasemi-clolapsada; e ainda um futuro retro imaginado como ficção científica da década de 40 ou 50”, explicou o ator.

A data ficou definida no momento do anúncio. O filme só poderá ser publicado a 18 de novembro de 2115.

“É a primeira vez que fiz algo deste género”, explicou Rodriguez. “Fiquei intrigado por todo o conceito de trabalhar num filme que ficaria guardado durante 100 anos. Até me deram bilhetes prateados para que os meus descendentes possam assistir à estreia em 2115.”

A ideia passou por criar uma obra de arte “intemporal que possa ser desfrutada daqui a 100 anos”.

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