Uma mistura de experiências e vivências. É assim que o rapper Tinta Persona, nome artístico de André Moniz, descreve “Plateia”, o seu disco de estreia que foi lançado na passada sexta-feira, 7 de maço. O álbum conta com 12 temas, 26 convidados e demorou cerca de seis anos a ficar completo. Agora, o artista setubalense apresentou-o ao mundo.
“Tenho letras neste disco que eu escrevi há dez anos, o que é interessante porque muitas vezes nós deixamos de nos identificar com as coisas e isso não tem acontecido”, começa por contar à NiS o artista de 30 anos. “Tenho coisas que escrevi há tanto tempo e continuo a senti-las. Isso é maravilhoso.”
Há cerca de nove anos, André foi fazer um trabalho de voluntariado na Grécia e aproveitou a oportunidade para viajar pela Europa. Durante este tempo, conheceu várias pessoas com experiências distintas que viriam a estar presentes em “Plateia”.
Na altura da pandemia de Covid-19, quando teve de deixar o teatro, que é atualmente a sua profissão principal, foi mais uma vez um momento de viragem. De regresso a Portugal, foi no Algarve que teve outras experiências profissionais (como numa pizzaria e numa loja de surf) até as restrições terminarem. E tudo isto faz parte daquele que é hoje o seu primeiro disco.
“Acho que o disco tem muito a ver com essa consciência de que sempre que mudamos de espaço deixamos um bocadinho de nós lá e trazemos um bocadinho desse espaço connosco”, aponta. “Tem esse objetivo de refletir toda a troca de energia e de conhecimento e de crescimento que há sempre.”
Rapidamente, o gosto por explorar o mundo lá fora acabou por se tornar numa das principais inspirações para Tinta Persona. “Neste disco, decidimos explorar sonoridades mais diversificadas. Depois, a nível de mensagem, se eu estou a tentar contar uma história que é abrangente e que é multigeográfica fazia sentido também trazer pessoas que tivessem essa bagagem e essa linguagem.”
André contou com o apoio de dois amigos e profissionais da indústria musical para criar o novo disco, o compositor e produtor westah e o artista Zé Zambujo. A nível de colaborações, foram 26, de artistas de várias parte do globo, como Sardenha, Zimbabué, País Basco e Moçambique.
Através de “Plateia”, Tinta Persona quer que todos aqueles que escutem o novo disco viajem pelo mundo, pelo menos durante 42 minutos. “O disco é uma mistura de experiências. Imagino que cada artista trouxe um pouco da história de vida e um pouco de sentimentos. Misturámos tudo ali e criámos um pequeno mundo. O disco é um mapa de experiências, é quase um itinerário.”
As paixões pela música e pelo teatro surgiram de formas distintas na vida de André Moniz. Aos 13 anos já colecionava CD’s e quando comprou o “Nação Hip-Hop”, um disco com uma compilação de temas do género, descobriu aí um interesse especial pelo rap.
“Na verdade, apaixonei-me pela música a partir daí, porque depois percebi que essa ideia de que não era preciso ter grande entendimento de música para fazer rap, pelo menos como deve ser, acabou por-se desmistificar um bocadinho”. “Fui-me apaixonando crescentemente e aprendendo.”
O gosto pelo teatro surgiu mais tarde, quando estava no oitavo ano. O André foi sempre “extrovertido e falador” e, nessa altura, foi desafiado a fazer parte do teatro da escola. “Fui experimentar e criou-se ali uma família. E descobri, sem querer, aquilo que tem sido a minha profissão”, conta. “Já fiz muitas outras coisas, como quase todos os atores, mas tenho tido essa sorte que há dez anos, esta é a minha profissão principal.”
O nome artístico, Tinta Persona, é precisamente uma junção das duas paixões — tinta remete para a escrita e persona para as várias vidas que já teve enquanto ator. “Há uma relação com a minha profissão que é esta necessidade de mudar de pele e de me reinventar”, conta. “E preciso que aquilo que faço mude comigo.”

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