Iniciada em fevereiro de 2022, a empreitada “Museu de Setúbal – Recuperação do Convento de Jesus – Alas Norte e Nascente”, já tem fim à vista e data para a reabertura total, que será a 30 de novembro. Para a “realização de trabalhos de preparação”, o espaço estará encerrado a partir de 22 de outubro.
Segundo explica a Câmara Municipal de Setúbal, alguns espaços “permanecem visitáveis”, como a sala de exposições temporárias, na qual está patente a exposição “A Presença das Formigas”, da décima Edição da Festa da Ilustração. Já a Igreja de Jesus mantém o “funcionamento normal”, bem como os espetáculos agendados. O restaurante Barriga de Freira também se mantém aberto.
Terminadas as intervenções “de conservação preventiva e restauro”, além dos “diversos estudos realizados”, o Retábulo Quinhentista, “um tesouro do Renascimento português composto por 14 pinturas a óleo sobre madeira”, e outras peças de arte regressam ao Museu de Setúbal/Convento de Jesus. Tal facto “motiva a necessidade de uma reestruturação do projeto museográfico da Galeria Municipal do Banco de Portugal”, onde estavam expostas estas obras e, assim, o espaço encerra temporariamente ao público a partir de sábado, 19 de outubro.
Os trabalhos entram na terceira e última fase do projeto de requalificação, que tem “por objetivo a beneficiação e o alargamento da área expositiva do equipamento cultural” num investimento de 2,299 milhões de euros, aos quais acresce o IVA. As obras pretendem “finalizar a recuperação do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, com a execução de trabalhos no interior das salas expositivas, localizadas nas alas norte e nascente, que incluem os projetos de conservação e restauro, museografia e de iluminação museológica”.
“O equipamento cultural reabre com soluções de espaço e modernidade renovadas, com uma área expositiva alargada, novos recursos de acessibilidade e de multimédia e um novo projeto museográfico que valoriza as várias coleções”, explica a autarquia, que revela ainda estarem “mais de quinhentas obras de arte em exposição”.
A reabertura ao público, dia 30, contempla um conjunto de atividades de entrada livre, a começar com visitas-guiadas ao equipamento cultural, a partir das 18h30. Está agendado o concerto “Cânticos do Retábulo-Mor”, nos Claustros do Convento de Jesus, às 21 horas, pela Companhia de Ópera de Setúbal. No dia seguinte, 1 de dezembro, as visitas-guiadas são retomadas às 10 horas, seguindo-se, às 11h30, um concerto pelo Coral Luísa Todi, na Igreja de Jesus.
As três fases da empreitada
O projeto de requalificação do Museu de Setúbal/Convento de Jesus incluiu três fases de intervenção, representando um investimento global de perto de nove milhões de euros, com a autarquia setubalense, que conduz o processo ao assumir uma responsabilidade da competência da Administração Central, a suportar metade do valor. O restante é proveniente de fundos comunitários resultantes de candidaturas aprovadas pelo Lisboa 2020 – Programa Operacional Regional de Lisboa.
A primeira fase das obras, concluída em 2015, incidiu na “recuperação estrutural de todo o convento, com execução da cobertura e restauro da ala poente”. A ala nascente e duas outras salas foram também intervencionadas e “construiu-se um novo edifício para a área técnica do Museu de Setúbal”, tendo ainda sido “integralmente escorada a Sala do Coro Alto e Deambulatório”, por apresentar “sinais de degradação muito avançados”.
Assim, “a necessidade de centrar atenções na Sala do Coro Alto fez com que os trabalhos previstos na primeira empreitada não tenham sido concluídos no piso térreo”, por questões de segurança do património. Na segunda fase do projeto, concluída em outubro de 2020 — e onde a NiS fez uma visita — foi executada “toda a envolvente exterior do Convento, assim como o Deambulatório, a cafetaria, duas salas, a Sala da Roda e instalações sanitárias”. Na altura, reabriam ainda a Sala do Capítulo, os Claustros e a Sala do Coro Alto.
No exterior, o Largo de Jesus, foi “totalmente renovado”, com a criação de “amplas zonas de relva e árvores, após uma intervenção que incluiu a recuperação e relocalização para a posição original do cruzeiro ali instalado”. O Convento de Jesus é uma das maiores relíquias do património setubalense. No entanto, o monumento nacional foi-se degradando nos últimos anos e estava a caminho das ruínas.
Nasceu de um amor proibido entre Justa Rodrigues Pereira, ama de leite do rei D. Manuel II, e o frade carmelita, D. João Manuel, de quem teve dois filhos. Arrependida por ter quebrado o voto, a freira decidiu edificar um convento neste local para as freiras franciscanas da Ordem de Santa Clara.
Em 1489, foi emitida uma bula papal que permitiu a construção do convento inaugurado dois anos depois. A fundadora teve o apoio do rei D. João II, que, em conjunto com o mestre Diogo Boitaca, decidiu o comprimento da Igreja, entre outros detalhes da construção.
Depois da extinção das ordens religiosas, o Convento passou para as mãos da Santa Casa da Misericórdia, que instalou o Hospital do Espírito Santo. Só em 1961 é instalado o Museu de Setúbal.
Carregue na galeria para conhecer as principais salas do monumento setubalense, aquando da reabertura de 2020.

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