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Israel vai poder ir à Eurovisão. Espanha e Países Baixos confirmam boicote

"A Eurovisão não é um concurso de canções, mas também um festival dominado por interesses geopolíticos e fraturados", disse o presidente da RTVE.

Apesar das críticas de inúmeros países, a Assembleia-Geral da União Europeia de Radiodifusão (UER), responsável pelo festival Eurovisão, anunciou esta quinta-feira, 4 de dezembro, que Israel vai mesmo participar na competição em 2026.

A notícia foi avançada pelo jornal “El País”, que acrescenta que a decisão foi tomada depois de ter sido feita uma votação interna. Com a participação do país, há já duas saídas confirmadas na próxima edição.

A RTVE já garantiu que Espanha não vai participar. “O que se passou na Assembleia da UER confirmou que a Eurovisão não é um concurso de canções, mas também um festival dominado por interesses geopolíticos e fraturados”, disse o presidente José Pablo López no X (antigo Twitter). Também a AVROTROS, a estação pública dos Países Baixos, revelou que não participará no evento.

A decisão da UER estava marcada para o início de novembro, mas foi adiada. A edição de 2026 da Eurovisão vai decorrer em Viena, na Áustria, e a televisão pública austríaca já tinha apoiado a decisão de adiar a deliberação sobre a participação de Israel.

A polémica intensificou-se quando países como Espanha, Eslovénia, Países Baixos, Irlanda e Islândia avisaram que ponderavam um boicote. O peso de Espanha nesta equação é ainda maior por ser um dos países do chamado grupo dos Big Five, os principais financiadores do festival.

Apesar de se apresentar como um evento apolítico, a Eurovisão tem sido cada vez mais pressionada a posicionar-se em relação a temas sensíveis. A presidente da EBU, Delphine Ernotte Cunci, chegou mesmo a admitir, numa carta enviada em setembro, que “a união nunca enfrentou uma situação tão divisiva”. Por isso, acrescentou, a decisão “merece uma base democrática mais alargada”.

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