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Gravou mais de 10 mil concertos nos anos 80 e 90. Agora pôs todos online à borla

Aadam Jacobs passou anos a gravar atuações de bandas como Nirvana, Depeche Mode ou The Cure.

Antes de o mundo conhecer “Smells Like Teen Spirit”, já alguém tinha registado os Nirvana ao vivo, num pequeno bar em Chicago, no final dos anos 80. Essa gravação, feita por um fã com um gravador no bolso, é hoje apenas uma entre milhares que acabam de ficar disponíveis online. Aadam Jacobs tem 59 anos e passou várias décadas a fazer algo que poucos levariam tão a sério: gravar concertos. Começou em 1984, ainda adolescente, com um gravador emprestado da avó. E nunca mais parou.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu a 8 de julho de 1989, quando ouviu um jovem Kurt Cobain subir ao palco e dizer: “Olá, nós somos os Nirvana e vimos de Seattle”. A gravação inclui temas como “School”, “Polly” ou “About a Girl”, muito antes do sucesso mundial da banda.

Esse registo (e muitos outros) já estão disponíveis gratuitamente no Internet Archive, uma biblioteca digital sem fins lucrativos. Ao todo, já foram carregadas mais de duas mil gravações, mas o arquivo completo ultrapassa as 10 mil.

A coleção inclui nomes como Depeche Mode, R.E.M., Björk, The Cure, Sonic Youth ou Tracy Chapman, além de centenas de artistas menos conhecidos, muitos deles registados em fases muito iniciais das carreiras.

 

Durante anos, Jacobs tornou-se uma figura habitual na cena alternativa de Chicago. Gravava vários concertos por semana e acabou por ganhar a confiança de artistas e promotores, chegando a ter acesso facilitado a salas e bastidores.

“Eventualmente, conheci um tipo que me disse: ‘podes simplesmente levar um gravador contigo para um concerto e gravá-lo’. Pensei ‘Uau, isso é fixe’. Foi assim que comecei”, contou à Associated Press.

Apesar de muitos verem o projeto como uma obsessão, o próprio sempre o encarou como algo mais simples. “A minha paixão é documentar algo que não seria documentado de outra forma”, disse ao “Chicago Reader”.

A digitalização do arquivo começou recentemente, depois de voluntários do Internet Archive terem percebido o valor histórico das cassetes. O objetivo é simples: preservar tudo antes que o tempo destrua as gravações.

E há outro detalhe curioso: até agora, quase nenhum artista pediu para retirar os concertos. Pelo contrário, muitos ficaram satisfeitos por ver o seu trabalho guardado e acessível. Jacobs resume a abordagem de forma espontânea: “Acho que é consensual que é mais fácil pedir desculpa do que pedir permissão”, disse à Associated Press.

Hoje, já não vai a concertos por motivos de saúde, mas continua a acompanhar a música de outra forma. “Como toda a gente tem um telemóvel, qualquer um pode gravar um concerto”, acrescentou. A diferença é que poucos o fizeram durante tanto tempo e com um arquivo que acaba por ser uma espécie de cápsula do tempo da música ao vivo.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos grandes concertos que vai poder ver em Portugal em 2026.

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