Entre 21 de fevereiro e 20 de março, Setúbal recebe uma exposição que não se limita a mostrar fotografias, mas que convida a parar e a pensar no que permanece quando o tempo passa. “O Que Fica/ What Remains”, de Filipa Silva, é inaugurada no dia 21 de fevereiro na Karavela Art Gallery e reúne 35 imagens que atravessam uma década de criação.
A mostra propõe uma retrospetiva do percurso da fotógrafa setubalense, sem seguir uma narrativa linear. Em vez de contar uma história com princípio, meio e fim, a exposição evidencia a continuidade de um olhar, uma sensibilidade que atravessa diferentes fases, temas e contextos. Com entrada livre, a exposição pode ser visitada até 20 de março, num espaço que começa a afirmar-se como um novo ponto de encontro para a arte contemporânea na cidade.
As 35 imagens “O Que Fica/ What Remains” percorrem retratos, pormenores, texturas, animais e arquitetura. A diversidade temática é clara, mas há um fio condutor que une tudo: a atenção consistente à composição, à luz e à forma. O foco não está apenas no que é fotografado, mas na forma como são observados e enquadrados.
A exposição propõe uma leitura sobre o que permanece ao longo do tempo. No caso de Filipa Silva, permanece uma sensibilidade visual clara, aplicada a contextos e matérias distintas. O resultado é um corpo de trabalho que se reconhece não pelo tema, mas pelo olhar.
Natural de Setúbal, Filipa Silva iniciou o seu percurso em 2009, de forma autodidata, durante a formação na ESART. Desde cedo, a fotografia assumiu-se como prática autoral, cruzando fotografia conceptual, fotografia de rua e observação do quotidiano.
Em 2012, realizou um estágio profissional em Itália, experiência que marcou a consolidação do seu percurso. Desde então, tem desenvolvido uma prática contínua, onde articula investigação visual, rigor técnico e expressão pessoal.
O seu trabalho já foi apresentado em exposições e publicações nacionais e internacionais, passando por espaços como o Stills – Centre for Photography, em Edimburgo, o Millepiani, em Roma, e a Litvai Gallery, em Landshut. Foi ainda distinguida no Concurso de Fotografia Augusto Cabrita.
Ao longo dos anos, mantém uma atenção persistente à luz, à composição e à forma elementos que sustentam a coerência do seu percurso e que agora podem ser revisitados nesta retrospetiva em Setúbal.
A exposição acontece na Karavela Art Gallery, um novo espaço cultural situado na Praça de Portugal, nº 7B, em Setúbal. De dimensão intimista, mas com forte potencial, a galeria dedica-se à promoção de arte contemporânea e fotografia.
O espaço funciona como extensão do Karavela Architecture Studio, fundado por Paulo Rosinha, e surge com a ambição de dinamizar a oferta cultural da cidade. Com um ambiente cuidado e uma programação focada na qualidade e na reflexão, a Karavela Art Gallery posiciona-se como mais um ponto de paragem obrigatória para quem acompanha a cena artística local.
A exposição “O Que Fica/What Remains” está patente de 21 de fevereiro a 20 de março de 2026, com entrada livre. A galeria funciona às segundas, quartas e sexta-feiras das 14 às 19 horas. Às terças e quintas o funcionamento é das 10 às 19 horas. Já ao fim de semana, a galeria funciona apenas mediante agendamento.

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