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Fomos visitar o renovado Convento de Jesus — e contamos-lhe tudo

As salas do Coro Alto, Capítulo e os claustros reabriram ao público em outubro.
Os claustros do Convento de Jesus.

O Convento de Jesus é uma das maiores relíquias do património setubalense. No entanto, o monumento nacional — onde foi ratificado o famoso Tratado de Tordesilhas em 1494, que dividiu o mundo em duas partes (Portugal e Espanha) — foi-se degradando nos últimos anos e estava a caminho das ruínas.

Durante muito tempo, o único movimento do Largo de Jesus vinha do skate parque da cidade, onde muitos jovens se juntavam para treinar algumas manobras.

Só quando passou para a posse da Câmara Municipal de Setúbal, em 2013, é que começou a primeira fase das obras de reabilitação do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, que permitiu a abertura em 2015 de uma parte do Convento. Na segunda fase, a intervenção passou pela zona exterior.

Porém, só em outubro deste ano é que foi totalmente concluída esta remodelação com a reabertura ao público da Sala do Coro Alto, Sala do Capítulo, Sala da Roda, sala de exposição, os claustros e a Igreja do Convento de Jesus.

A New in Setúbal fez uma visita guiada ao monumento e conta-lhe o que pode encontrar em cada espaço. Na primeira sala a seguir à receção, os visitantes vão poder perceber o trabalho de reabilitação desenvolvido desde 2013 e o projeto previsto para a terceira fase em destaque na exposição de média duração.

Na ala nascente no piso 0, junto aos claustros, fica a Sala do Capítulo. É lá que se encontra o túmulo da freira Justa Rodrigues Pereira, fundadora do Convento de Jesus. Nessa sala decorriam também as grandes assembleias para discussão dos problemas da comunidade conventual.

Na Sala da Roda, os visitantes podem ver uma espécie de gaveta, que comunicava com a igreja e recolhia as esmolas. No piso superior ficam ainda a Sala do Coro Alto e a sala de exposição.

A Sala do Coro Alto é, sem dúvida, uma das mais bonitas do Convento. O espaço destinava-se às orações diárias e era o local onde as freiras assistiam à missa sem contacto com o resto da comunidade.

Conta com algumas obras de pinturas, que retratam Justa Rodrigues Pereira, a Rainha Santa Isabel, alguns santos franciscanos, entre outros. Durante as obras foi descoberta uma estrutura do coro baixo que também pode ser vista pelos visitantes.

Na sala de exposição estão alguns exemplares dos utensílios domésticos utilizados pelas freiras clarissas do convento e coleções de pintura. A Igreja do Convento de Jesus, com entrada pelo exterior do monumento também foi reabilitada. Com assinatura do arquiteto Diogo de Boitaca, o monumento é considerado o primeiro projeto arquitetónico de estilo manuelino em Portugal, com a característica de igreja-salão.

O Convento de Jesus nasceu de um amor proibido entre Justa Rodrigues Pereira, ama de leite do rei D. Manuel II, e o frade carmelita, D. João Manuel, de quem teve dois filhos. Arrependida por ter quebrado o voto, a freira decidiu edificar um convento neste local para as freiras franciscanas da Ordem de Santa Clara.

Em 1489, foi emitida uma bula papal que permitiu a construção do convento inaugurado dois anos depois. A fundadora teve o apoio do rei D. João II, que em conjunto com o mestre Diogo Boitaca decidiu o comprimento da Igreja, entre outros detalhes da construção.

Depois da extinção das ordens religiosas, o Convento passou para as mãos da Santa Casa da Misericórdia que instalou o Hospital do Espírito Santo. Só em 1961 é instalado o Museu de Setúbal.

O Museu de Setúbal/Convento de Jesus pode ser visitado de terça a sábado, das 10 às 18 horas; e ao domingo, entre as 14 e as 18 horas. A Igreja de Jesus funciona no mesmo horário do Convento, mas fecha às 17 horas.

Carregue na galeria para conhecer as principais salas do monumento setubalense. 

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