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Foi despedida por apoiar a Palestina. Agora é a estrela do novo filme sensação de terror

Melissa Barrera pronunciou-se publicamente sobre o conflito: “Gaza está a ser tratada como um campo de concentração”.
Está a ser muito elogiado.

No papel, o trabalho é simples: raptar a filha de um homem abastado e mantê-la refém até obterem o dinheiro do resgate. Depois do rapto, torna-se claro que a descrição do trabalho não foi clara: a menina do papá é, afinal, uma vampira.

“Abigail”, o novo filme de terror bastante elogiado pelos críticos, chegou esta quinta-feira, 9 de maio, aos cinemas portugueses — nos Estados Unidos e Canadá foi lançado a 19 de abril e, até agora, já arrecadou 35 milhões de euros.

Melissa Barrera, de 33 anos, interpreta Joey, uma das criminosas que raptou Abigail (Alisha Weir, 14) — a rapariga sedenta de sangue. A atriz mais conhecida pelo seu papel no reboot de “Scream” confessa que a sua personagem é completamente diferente de si.

Joey é forte, silenciosa, maternal, equilibrada e está constantemente a apresentar soluções. “Nunca interpretei uma personagem tão distinta”, conta ao “Screen Rant”. “Ao contrário de mim, ela só observa e nunca quer ser o centro das atenções. É daquelas pessoas que faz o seu trabalho, vai-se embora e não se preocupa em criar relações com aqueles à sua volta ou em ser a líder”, acrescenta.

Apesar desta primeira descrição, Melissa explica que a sua personagem também é “durona e uma guerreira”. “Ao mesmo tempo, é sensível e tem um instinto maternal que a leva a proteger a Abigail e isso é lindo.”

Além de Joey, Melissa guarda muitos elogios para Abigail, ou melhor, para Alisha Weir. “Ela é incrível porque deu tudo de si constantemente. Era muito fácil conectar-me com ela”, diz ao “Collider”. Destaca uma cena em específico, quando os seus caminhos se separam. “A forma como ela disse essa fala fazia-me chorar em todos os takes. Foi muito difícil. Mas trabalhar com ela foi incrível”, confessa.

O filme conta com uma avaliação de 84 por cento por parte dos críticos e 85 por cento do público. “Uma obra intensa, bem gravada e absolutamente divertida que qualquer fã de terror vai adorar”, garante o “Los Angeles Times”.

O despedimento do fenómeno “Scream”

A 21 de novembro do ano passado, Melissa Barrera foi alvo de uma polémica que culminou com o seu despedimento de “Scream”, na sequência de algumas publicações nas redes sociais nas quais defendia a Palestina face aos ataques levados a cabo por Israel.

Num dos stories do Instagram afirmava que “Gaza está a ser tratada como um campo de concentração”, fazendo uma comparação com o Holocausto. “Estão a encurralar as pessoas todas juntas, sem lugar para ir, sem água. Não aprenderam nada com a história. E, como já aconteceu, as pessoas assistem a tudo silenciosamente. Isto é genocídio e limpeza étnica”.

A Spyglass, produtora responsável pela saga, explicou rapidamente o porquê da demissão da protagonista. “A nossa posição é inequivocamente clara: temos zero tolerância a antissemitismo e incitação ao ódio em qualquer forma, incluindo referências falsas a genocídio, limpeza étnica, distorções do Holocausto ou qualquer coisa que cruze, de forma flagrante, essa linha e entre no discurso de ódio”, explicou um porta-voz da empresa ao “The Hollywood Reporter”.

Após a notícia ter sido divulgada, a atriz partilhou uma história no Instagram que muitos entendem ser uma resposta à situação. “Ao final do dia, prefiro ser excluída por quem incluo, do que incluída por quem excluo.”

Numa entrevista com o “LA Times” partilhada a 23 de abril, Melissa Barrera falou novamente sobre este caso que incendiou e dividiu as opiniões nas redes sociais. “O facto de ter falado roubou-me muitas oportunidades. Mas sempre confiei em Deus e sabia que tudo ia ficar bem.”

Admite que ter sido chamada de antissemita “foi horrível” porque sabe que “isso não é verdade”. “Senti-me sempre em paz porque sabia que não tinha feito nada de errado. Estou do lado certo e dos direitos humanos.”

O caso também está a dividir Hollywood. Enquanto alguns pedem um cessar-fogo em Gaza, outros posicionam-se no lado de Israel. “Recebi o apoio de muitas pessoas da indústria, mas outras deixaram de me falar”, lamenta. “Ao final do dia, não me arrependo de nada do que fiz. Já se passaram seis meses [desde 7 de outubro, quando começou o conflito] e ainda há pessoas a morrer. É óbvio o que está a acontecer e fico feliz porque as pessoas estão finalmente a falar sobre este assunto”, conclui.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que chegam (e chegaram) em maio às plataformas de streaming e canais de televisão.

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