O “Filme Francês do Mês” regressa a Setúbal no sábado, 7 de fevereiro, trazendo à Sala José Afonso uma obra intensa e atual. A iniciativa, dedicada ao cinema francófono, resulta da parceria entre a Alliance Française Setúbal, o Instituto Francês de Portugal e a Câmara Municipal de Setúbal, e continua a afirmar-se como um espaço privilegiado de encontro entre culturas, histórias e olhares sobre o mundo.
O filme escolhido para esta sessão é “Le Quatrième Mur”, realizado por David Oelhoffen, uma produção de 2024 que cruza cinema, teatro e política para refletir sobre a possibilidade (ou impossibilidade) da arte criar pontes em tempos de guerra.
A história transporta-nos para o Líbano, em 1982, em plena guerra civil. Georges, interpretado por Laurent Lafitte, viaja até Beirute para cumprir uma promessa feita a um velho amigo: encenar a tragédia grega Antígona como um gesto simbólico de paz, reunindo atores de diferentes campos políticos e religiosos.
Num território marcado pela violência e pela desconfiança, o teatro surge como tentativa de diálogo, mas rapidamente se confronta com a dureza da realidade. Georges move-se numa cidade que não conhece, guiado por Marwan, enquanto tenta manter vivo um ideal artístico num contexto que ameaça engoli-lo a cada passo.
À medida que os combates recomeçam, o projeto começa a ruir. É neste ambiente instável que Georges se apaixona por Imane, interpretada por Manal Issa, acrescentando uma dimensão íntima a uma narrativa já carregada de tensão política. O filme constrói-se nesse equilíbrio frágil entre esperança e desilusão, entre o desejo de criar algo belo e a brutalidade de um conflito que não dá tréguas.
Com um elenco que inclui ainda Simon Abkarian, “Le Quatrième Mur” questiona o papel do artista em tempos de guerra e interroga até que ponto a arte pode realmente suspender, mesmo que por instantes, a violência que domina o quotidiano.
Esta sessão integra o ciclo “Filme Francês do Mês”, um programa que tem vindo a trazer a Setúbal obras marcantes do cinema francófono contemporâneo, sempre com entrada gratuita. Mais do que simples exibições, estas sessões funcionam como convites à reflexão sobre temas universais, como identidade, conflito, memória e resistência, através da linguagem do cinema.
A exibição está marcada para as 21h30, na Sala José Afonso, na Casa da Cultura. A entrada é, como sempre, gratuita.

LET'S ROCK







