Há regressos que já fazem parte da agenda cultural da cidade e este é um deles. A Festa do Cinema Italiano está de volta a Setúbal entre os dias 16 e 19 de abril, prometendo quatro dias dedicados a algumas das melhores produções recentes do cinema italiano (e não só). O palco volta a ser o Cinema Charlot, um dos espaços mais emblemáticos da cidade para quem gosta de Sétima Arte.
Esta é já a 19.ª edição do festival, que ao longo dos anos se tem afirmado como uma referência nacional na divulgação da cultura cinematográfica italiana. Mais do que uma simples mostra de filmes, esta é uma viagem por diferentes estilos, narrativas e sensibilidades, sempre com aquele toque característico do cinema italiano.
E a edição deste ano não foge à regra. Há drama, comédia, cinema político e histórias profundas. Tudo concentrado em quatro dias que prometem conquistar tanto os fãs habituais, como quem só agora começa a explorar este universo.
O arranque acontece já esta quinta-feira, 16 de abril, às 21h30, com um dos nomes mais relevantes do cinema europeu contemporâneo: Paolo Sorrentino. O realizador italiano apresenta “La Grazia“, a sua mais recente obra, protagonizada por Toni Servillo.
O filme acompanha Mariano De Santis, um Presidente da República nos seus últimos meses de mandato, explorando os dilemas éticos, as decisões difíceis e a vida íntima de uma figura de poder. É um retrato sensível, e ao mesmo tempo complexo, que olha para a política através de uma lente que cruza a beleza com a incerteza.
Um programa que cruza géneros e emoções
A programação continua na sexta-feira, 17 de abril, também às 21h30, com “O Último Padrinho“, de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia. Aqui, voltamos a ver Toni Servillo, desta vez num registo diferente. O filme mergulha no universo da máfia italiana, acompanhando a história de Catello, um político que, após anos de prisão, vê nos serviços secretos uma oportunidade de redenção ou, talvez, de regresso ao poder.
Este filme, apresentado na Competição Oficial do Festival de Veneza, entrelaça traições, destinos selados e ambições destruídas num noir que evoca a tradição literária siciliana.
No sábado, 18 de abril, o festival ganha ainda mais intensidade com duas sessões. Às 16 horas, “Campo de Batalha“, de Gianni Amelio, leva o público até um hospital militar durante a Grande Guerra, num drama que explora os limites da resistência humana em tempos de conflito. Já à noite, às 21h30, o ambiente muda com “Louca-Mente“, de Paolo Genovese, uma comédia romântica que conquistou o público tanto em Itália, como em Portugal.
Esta diversidade de géneros é, aliás, uma das grandes forças do festival. Em poucos dias, é possível passar de narrativas densas e dramáticas para histórias mais leves, sempre com uma forte componente emocional e estética.
Um final intimista a encerrar o festival com emoção
O encerramento acontece no domingo, 19 de abril, às 16 horas, com “Três Vezes Adeus“, da realizadora espanhola Isabel Coixet. Inspirado na obra de Michela Murgia, o filme aborda temas como a separação e a doença, mas fá-lo com uma delicadeza rara.
A narrativa centra-se nas relações humanas e nos pequenos gestos do quotidiano, mantendo uma franqueza emocional que marca quem assiste. É um final mais introspectivo, que convida à reflexão e fecha o festival com um tom intimista.
Depois de quatro dias intensos, este último filme surge quase como um momento de pausa, um convite a sentir, mais do que a analisar.

Para quem não quer perder esta edição, os bilhetes já estão disponíveis na bilheteira do Cinema Charlot e nas plataformas digitais habituais. A programação completa pode ser consultada no site oficial da Festa do Cinema Italiano.
O festival é organizado pela Associação Il Sorpasso, em parceria com a Risi Film, e conta com o apoio de várias instituições públicas e privadas. Em Setúbal, a edição de 2026 tem o apoio institucional da Câmara Municipal, reforçando a importância do evento na agenda cultural da cidade.
Num momento em que o consumo de cinema é cada vez mais feito em casa, iniciativas como esta fazem lembrar a experiência única que é ver um filme numa sala especial como o Cinema Charlot.
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