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“Dona Beja” e outras paixões trágicas são as estreias de fevereiro no streaming e TV

O remake da histórica novela dos anos 80, que foi líder de audiências em Portugal, é uma das novidades da HBO Max.

Se, por tradição, fevereiro é considerado o mês do amor, as plataformas de streaming parecem ter conspirado para elevar a paixão ao seu estado mais rebelde e inesquecível. No centro desse furacão de emoções surge “Dona Beja”, a nova versão da novela brasileira “Dona Beija”, da extinta TV Manchete. Com Maitê Proença como protagonista, em Portugal foi exibida pela RTP, em 1990, e líder de audiências.

A nova produção da HBO Max é apresentada como uma releitura da obra original escrita por Wilson Aguiar Filho, nos anos 80, mas também vai beber diretamente às fontes literárias para reconstruir a trajetória de Ana Jacinta de São José. Tanto a versão atual como a novela de 1986 utilizaram como base dois romances biográficos centrais que ajudaram a construir o mito de Ana Jacinta de São José:  “Dona Beija: A Feiticeira do Araxá”, de Thomas Othon Leonardos e “A Vida em Flor de Dona Bêja”, de Agripa Vasconcelos, ambos publicados em 1957.

A trama é baseada na vida de uma mulher de Araxá (Minas Gerais), que existiu na vida real, no século XIX, e escandalizou a sociedade brasileira ao fundar um bordel e se prostituir aos olhos de todos. Reconhecida na região pela sua beleza rara, Ana Jacinta foi raptada aos 15 anos por Joaquim Inácio Silveira da Motta, um alto funcionário do rei, que a manteve como sua amante forçada durante dois anos. 

Ao ser abandonada pelo raptor, voltou para Araxá para se deparar com o desprezo de uma elite hipócrita e com o desencontro do seu grande amor, António Sampaio, que não aceita o seu passado de “desonra”. Marginalizada e desprezada pela sociedade conservadora da região, que a considerava “impura”, não se deixou vergar. Assumiu a alcunha de Beja, fundou a Chácara do Jatobá e transformou-se numa cortesã poderosa que, por vingança e estratégia, escolhia um homem casado da elite local por noite. 

Se na versão original, protagonizada por Maitê Proença, o foco residia no choque e na sensualidade de uma “mulher fatal” que parou o Brasil (com as primeiras cenas de nudez numa novela e em horário nobre), a interpretação de Grazi Massafera em 2026 traz uma Beja mais política e resiliente — mas igualmente sensual. Nesta nova versão, a protagonista deixa de ser apenas uma vítima do destino para se tornar uma empresária de diamantes e um símbolo de autonomia feminista que desafia as normas de um Brasil escravocrata.

Os números da produção brasileira de 40 episódios impressionam. Para recriar o universo da história, foi construída uma cidade cenográfica de 1.710 metros quadrados e foram criados mais de três mil figurinos exclusivos, recriando os trajes da época. 

Além de Grazi Massafera e David Junior, Dona Beja reúne outros grandes nomes no elenco, como André Luiz Miranda, Pedro Fasanaro, Bianca Bin, Deborah Evelyn, Bukassa Kabengele, Otavio Muller, Isabela Garcia, Erika Januza, Tuca Andrada, Werner Schünemann, Thalma de Freitas e Miguel Rômulo. A novela ainda conta ainda com os atores portugueses Rita Pereira, Joana Solnado e Virgílio Castelo; e participações especiais de Elizabeth Savalla, Othon Bastos, Elisa Lucinda e Lúcia Veríssimo.

Grassi Massafera (à esquerda) e Maitê Proença (à direita).

Este espírito de resistência de Dona Beja ecoa noutras latitudes, como a Turquia. Uma das novas séries da Netflix transporta-nos para a Istambul dos anos 70, com ”O Museu da Inocência“, baseada no romance homónimo de Orhan Pamuk (Nobel da Literatura em 2006 e uma das vozes mais singulares da ficção contemporânea).

Aqui, o amor de Kemal por Füsun transforma-se numa obsessão poética que, tal como a determinação de Beja, recusa aceitar o fim. Kemal coleciona objetos, pequenas relíquias de um tempo perdido, criando um santuário para uma paixão que a sociedade tentou apagar, provando que o coração encontra sempre formas de preservar o que a realidade dissolve.

O glamour e a tragédia também se cruzam numa das séries mais aguardadas dos últimos tempos. A antologia “Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette” chega à Disney+ na véspera do Dia dos Namorados, com a história de um casal que viveu sob o olhar implacável do mundo inteiro. A série explora a química imediata entre o herdeiro da dinastia Kennedy e a executiva da Calvin Klein, revelando como a paixão pode ser asfixiada pelos flashes dos paparazzi, transformando um romance de sonho num pesadelo público que culminou num trágico final.

As estreias deste mês trazem ainda novidades das paixões de corte, com o regresso do universo de “Bridgerton” onde cada olhar é uma promessa e cada baile um terreno de sedução. É um registo mais leve, mas não menos intenso, que serve de contraponto ao realismo mágico de “Como Água Para Chocolate”, série baseada no romance homónimo de Laura Esquivel. Nesta segunda e última temporada, voltamos à paixão de Tita e Pedro e “às receitas onde os sabores funcionam como feitiços capazes de libertar desejos amordaçados por tradições familiares severas”.

Curiosamente, fevereiro será um mês dominado por adaptações literárias, como o thriller “56 Dias”, que parte do bestseller homónimo de Catherine Ryan Howard; “Cross” baseada na saga de James Patterson, com 60 milhões de livros vendidos em todo o mundo; ou “The Night Agent”, a partir do thriller político de Matthew Quirk.

Carregue na galeria para conhecer as melhores séries e temporadas que estreiam em fevereiro nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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