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Do Guilty’s à Nativa: Vanessa Mascarenhas mistura soul, rock e funk em novo projeto

A vocalista setubalense apresenta o novo projeto musical a 18 de abril, num concerto que cruza rock, soul, blues e funk.

A música sempre esteve presente na vida de Vanessa Mascarenhas, muito antes de subir a um palco ou gravar um single. Desde cedo, cantar era algo natural, quase instintivo, e acabou por transformar-se numa vocação que foi crescendo ao longo dos anos, entre formação musical, experiências em palco e diferentes projetos artísticos.

Agora, após vários anos ligados à música e de ter integrado projetos como os Guilty’s, a cantora prepara-se para abrir um novo capítulo. O novo projeto chama-se Nativa e nasce da vontade de criar uma sonoridade própria, que mistura soul, rock, blues e funk. O concerto de apresentação acontece a 18 de abril, na Sociedade Musical Capricho Setubalense.

Mais do que um novo projeto, este momento marca uma nova fase no seu percurso artístico. Uma fase em que a criação musical, a energia do palco e a emoção da voz se juntam para dar forma a uma identidade mais pessoal.

Uma ligação à música que começou na infância

A relação de Vanessa Mascarenhas com a música começou muito antes de pensar em carreiras, projetos ou palcos. Segundo recorda, cantar fazia parte da sua rotina desde criança, quase como uma extensão natural da sua forma de estar.

“A música sempre fez parte da minha vida”, conta. A família também percebeu cedo essa ligação. “A minha mãe e avó dizem que, com apenas dois anos, ficava à espera que a televisão terminasse a emissão para poder cantar o Hino Nacional, que passava no final da programação”.

Esse gesto simples tornou-se uma espécie de primeira memória musical. “Talvez tenha sido um dos primeiros sinais de que a música já fazia parte de mim”, recorda. Desde muito pequena, cantar era algo espontâneo, quase inevitável. “Desde muito pequena sempre cantarolei pela casa, quase como se fosse algo completamente natural”.

A ligação intensificou-se ao longo dos anos. Antes mesmo de qualquer formação formal, Vanessa já passava grande parte do tempo ligada à música. Chegou a ter aulas de guitarra e a aprender a acompanhar fados, o que reforçou ainda mais a sua proximidade com o universo musical.

Dos karaokes às aulas de canto e ao Coral Luísa Todi

O primeiro contacto mais sério com o palco surgiu de forma inesperada. Tudo começou de forma informal, entre amigos e momentos de lazer. “Comecei a cantar por brincadeira nos karaokes com amigos e depois comecei a sentir uma ligação especial com a música”, conta.

Foi nesses momentos descontraídos que percebeu que cantar lhe dava um prazer muito particular e que talvez houvesse ali algo mais para explorar.

Essa curiosidade levou-a a procurar formação vocal. Começou a ter aulas de canto na Escola de Música Damsom, em Setúbal, onde estudou canto lírico com o professor Marcos Santos. Esse período foi fundamental para desenvolver técnica e conhecer melhor as possibilidades da sua voz.

Com o tempo percebeu, no entanto, que a sua identidade vocal seguia um caminho um pouco diferente do clássico. “Foi aí que percebi que, apesar da formação clássica, a minha identidade vocal estava mais ligada ao soul”, explica.

Mais tarde viria a integrar o Coral Luísa Todi, onde continuou a desenvolver o canto. Foi nesse contexto que surgiu outra figura importante no seu percurso: o maestro Fernando Malão, que lhe deu oportunidades para se afirmar como solista.

Essa fase permitiu-lhe partilhar o palco com músicos experientes e participar em momentos importantes da sua formação artística. “Deu-me a oportunidade de cantar como solista ao lado de excelentes músicos, como os tenores Carlos Guilherme e João Mendonza”.

O projeto Guilty’s e o início da música original

Depois de vários anos ligados à interpretação e à formação musical, surgiu um novo desafio de começar a criar música original, de um amigo com quem já tinha alguma ligação.

“O meu interesse pela criação de música original surgiu através do meu amigo Rui Capucho, que me desafiou a iniciar um projeto de temas originais”.

Desse desafio nasceu o projeto Guilty’s, onde Vanessa assumiu a voz de um conjunto de temas originais que misturavam rock, blues e soul. Ao lado de outros músicos, o grupo começou a construir repertório próprio e a apresentar essas músicas ao público.

Durante vários anos, os Guilty’s foram uma parte importante do percurso da cantora, permitindo-lhe explorar a criação musical e consolidar a sua presença em palco. Com o tempo, no entanto, os caminhos começaram a divergir. “Com o tempo, e devido a diferentes caminhos e disponibilidades, o projeto acabou por seguir outras direções”.

Esse momento acabou por abrir espaço para uma nova fase artística, mais pessoal e mais centrada na identidade musical da própria Vanessa.

O nascimento do projeto Nativa

Foi dessa vontade de recomeçar que nasceu Nativa, um projeto criado e liderado pela própria Vanessa Mascarenhas. “Encontrei um conjunto de músicos extraordinários, com quem partilho agora esta nova fase artística através do projeto Nativa”, explica.

O nome não foi escolhido ao acaso. Está ligado à ideia de autenticidade e de criação genuína. “Nativa nasce da ideia de algo que vem da nossa essência. Daquilo que é verdadeiro e natural”.

Musicalmente, o projeto propõe uma fusão de estilos que cruzam soul, rock, blues e funk, criando uma sonoridade intensa e emocional. A banda reúne músicos com percursos muito diferentes, que se juntam agora neste novo projeto.

Entre eles estão Erick Hailstone (guitarra e voz), Edward Morgan (baixo), Hans Fuecker (teclas), José Zambujo (saxofone), Gonçalo Mota (bateria) e Brian Shepard (percussão). A produção musical contou ainda com a colaboração artística de Janine Neethling no desenvolvimento de alguns dos temas do projeto.

O primeiro tema chama-se “Come Get What You Need” e será apresentado ao público no concerto de estreia. Este é o primeiro single da Nativa e representa a energia e a identidade do projeto”, explica Vanessa.

Musicalmente, o tema mistura influências de rock e soul, com uma forte presença instrumental e espaço para a emoção vocal. “É um tema com fortes influências de rock e soul, com uma sonoridade intensa, groove marcado e muito espaço para a emoção da voz e dos instrumentos”.

A mensagem da música fala sobre coragem e autenticidade. “Sobre ter a coragem de procurar aquilo que realmente precisamos na vida, seja amor, liberdade, realização pessoal ou simplesmente a força para seguir em frente”.

Para a cantora, a música funciona como um convite ao público. “De certa forma, este single é um convite: ‘Come Get What You Need’, vem buscar a sentir a música e viver o momento connosco”.

O concerto de apresentação de Nativa acontece a 18 de abril, às 21 horas, na Sociedade Musical Capricho Setubalense. Os bilhetes têm o valor de 13€ e podem ser adquiridos diretamente através de WhatsApp, para o número 927 370 522, sendo enviados em formato digital.

Para a cantora, este concerto marca apenas o início de uma nova etapa. O objetivo agora é levar o projeto a novos palcos e continuar a desenvolver a identidade musical da banda. “O objetivo é continuar a criar música, partilhá-la com o público e levar a Nativa a novos palcos.”

Depois de anos a explorar diferentes caminhos na música, Vanessa Mascarenhas entra assim numa fase mais pessoal da sua carreira, uma fase onde a voz, a emoção e a criação musical se encontram numa identidade verdadeiramente “nativa”.

Carregue na galeria para conhecer os bastidores do projeto.

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