Setúbal junta-se às cidades portuguesas que vão receber a estreia de “Complô”, o primeiro documentário do realizador João Miller Guerra, que chega às salas de cinema no próximo 20 de novembro, incluindo no Cinemacity Setúbal.
A obra é um retrato íntimo e cru da vida de Bruno Furtado, mais conhecido como Ghoya, um rapper crioulo, ativista político e “órfão de Estado”, como o próprio se define.
Com estreia internacional no Festival Internacional de Cinema de Marselha, em França, e passagem pelo Doclisboa, em Outubro, onde recebeu uma Menção Honrosa, o documentário de Miller Guerra foi recebido com entusiasmo e emoção, e agora poderá ser visto nos ecrãs nacionais, com Setúbal em destaque neste circuito de exibições que inclui Lisboa, Barreiro, Leiria, Sintra e Coimbra. Mais do que uma sessão de cinema, esta é uma chamada à escuta e à reflexão.
Nascido e criado em Portugal, Ghoya nunca teve direito à nacionalidade portuguesa. Filho de mãe santomense e pai cabo-verdiano, cresceu numa realidade marcada pelo racismo, pobreza e exclusão social. Apesar de ter nascido em Portugal, perante o Estado, nunca reuniu os “requisitos” para ser português, tendo experienciado ódio racial, desigualdade social e reclusão durante uma década.
O documentário mostra, de forma crua, como a ausência de documentos condicionou toda a sua vida, até mesmo a possibilidade de assistir ao nascimento do filho fora do país. “Órfão de um País onde nasceu, órfão de Estado. Encarcerado metade da sua vida, sempre livre”, descreve a sinopse do filme.
Hoje, Ghoya é uma voz poderosa no hip hop português e um símbolo de resistência para muitos jovens afrodescendentes que continuam à margem das estruturas de poder. As suas letras são cruas, diretas e nascem da dor, da injustiça e da urgência de se fazer ouvir.
O documentário acompanha a gravação do seu novo álbum e entrelaça momentos do estúdio com fragmentos da sua história de vida, criando um retrato comovente e político de um homem que aprendeu a resistir com arte e consciência.
“Complô” é o primeiro filme a solo de João Miller Guerra, que assinou ainda o argumento e a realização. A montagem é de Pedro Cabeleira, a direção de fotografia de Vasco Viana e a produção é de Filipa Reis.
O filme é uma produção de Uma Pedra no Sapato, com distribuição da Magenta. Um documentário atual, com sessões já confirmadas em Coimbra, Lisboa, Setúbal, Leiria, Barreiro e Sintra, a que se vão somar sessões especiais na presença de Ghoya, João Miller Guerra e outros convidados.







