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Como foram gravadas as cenas eróticas e íntimas da nova temporada de “Elite”

Os alunos de Las Encinas regressaram à Netflix para mais oito episódios. E há novos rostos entre eles.
A série já está disponível na plataforma de streaming.

Três anos após a estreia, “Elite” continua a ser um sucesso tremendo na Netflix. O regresso ao colégio de Las Encinas aconteceu na passada sexta-feira, 18 de junho, com a estreia da quarta temporada — que tinha sido antecipada por um conjunto de histórias curtas especiais.

Apesar de algumas das personagens mais icónicas já terem abandonado a narrativa, os fãs continuam agarrados às televisões, aos computadores e aos telemóveis para acompanharem o enredo, que cruza uma grande dose de suspense com romances de escola e tem sempre presente por trás o tema da luta de classes.

A grande mudança nesta temporada tem a ver com a direção da escola. Azucena foi despedida e o cargo de diretor pertence agora ao exigente Benjamín Blanco, que pretende aplicar medidas mais severas de disciplina e que começa logo por antagonizar os alunos das bolsas de estudo, o que vai fazer aumentar a tensão no colégio.

Benjamín traz consigo os seus três filhos: Ari, Mencía e Patrick. Os três estudantes têm visões bastante distintas sobre a conduta do pai, mas todos vão influenciar bastante a história e relacionar-se com as personagens que já existiam.

“Elite” sempre teve como característica apostar em várias cenas eróticas entre protagonistas — quase todas as personagens principais já tiveram direito a momentos íntimos. Na quarta temporada isso é ainda mais evidente.

Há cenas de sexo a três, momentos tensos com roupas vestidas, uma festa de toalhas, uma festa lésbica de chocolate e por aí adiante. Tornou-se uma das características chave de “Elite”, mesmo que alguns fãs estejam a escrever nas redes sociais que a quarta temporada foi algo exagerada nesse sentido. É também notória a preocupação da série em incluir cenas com casais homossexuais e abordá-las exatamente da mesma forma.

Nas diversas entrevistas que deram sobre a série, vários dos atores explicam que nesta fase já estão experientes o suficiente para que estas cenas sejam gravadas de forma mais confortável. Além disso, para facilitar o processo só está presente a equipa essencial, com o mínimo número possível de elementos.

“Já estamos curados do terror”, disse ao “Sensacine” o ator Arón Piper, que interpreta Ander. Contudo, nesta temporada teve de contracenar não só com Omar Ayuso (Omar), mas também com o novato Manu Ríos, que faz de Patrick. Juntas, as personagens vão formar um complexo triângulo amoroso.

Manu Ríos é um dos novos atores.

A primeira cena que Manu Ríos teve de gravar foi precisamente uma erótica. “Lembro-me do meu primeiro dia”, recordou à mesma publicação. “Oito e meia da manhã, uma meia aqui [nas partes genitais], eu nu. Podem imaginar.”

E acrescentou: “Mas no final passámos um bom tempo, porque estás na mesma situação e entendes o outro e não tens outra escolha senão rir. E também há uma equipa de coordenação das cenas íntimas que te deixa mais calmo e faz com que não te sintas tão exposto. Mesmo que depois toda a gente vá ver [risos]”.

Os coordenadores de cenas íntimas são profissionais que agem quase como coreógrafos, indicando aos atores que movimentos corporais devem fazer, onde devem tocar, até onde devem ir, e asseguram que todos estão confortáveis no momento das gravações.

“O Patrick é um tipo muito sexual, por isso tenho muitas cenas dessas por causa da personalidade da personagem e da narrativa. No início chocou-me um pouco e tornou-se um pouco difícil”, contou o ator a outra publicação, o “El Periódico”.

“Isso aconteceu-me sobretudo quando me estava a preparar para a personagem, com os pensamentos que tinha antes da rodagem. Quando chegas ao set, fazer a cena e vê-la com a equipa é um pouco intimidante, e ainda mais se fores um pouco tímido, mas no final estás confortável, ainda que estejas nu e a fazer o que estás a fazer. Nunca me senti desconfortável.”

“Na temporada anterior eu não estive nesta situação. Não tinha cenas íntimas”, recordou também ao “Sensacine” a atriz Claudia Salas, que faz de Rebeka. “Antes de filmar eu estava super nervosa. Estava mesmo a passar mal, porque era uma grande exposição e porque é uma situação muito íntima. Mas, contra todas as hipóteses, posso dizer que se tornou numa das cenas mais confortáveis da minha vida.”

E acrescentou: “A equipa reduzida está lá para ti, cada segundo, cada detalhe. Eles protegem-te a cada segundo. As pessoas estão tão próximas que tudo o que tenhas na tua cabeça que possa estragar quando interpretas sai e tudo flui de uma maneira que não tinha sentido nas outras cenas”.

A sensação é partilhada por outra das atrizes estreantes de “Elite”, Martina Cariddi, que tem o papel de Mencía (e que era uma fã da produção desde o início). “Para mim também era um desafio, além de todo o projeto no geral, e acabou por ser uma das coisas mais fáceis. Senti-me super confortável com os meus colegas, e com os realizadores. Gostei muito.”

Noutra entrevista, ao jornal “El Nacional”, a outra novata da série, Carla Díaz — que tem o papel de Ari — explicou como foi a sua experiência. “No início estava mais nervosa porque nunca tinha feito cenas sexuais e deixou-me nauseada. Mas depois normalizas e encara-la como mais uma cena.”

Georgina Amorós, que faz de Cayetana (personagem que tem um romance com um príncipe nesta temporada), concorda. “São cenas de muita comunicação, tanto com o teu parceiro como com o realizador. Conversas para perceberes o quão longe queres ir, que deixe toda a gente confortável. E a verdade é que são muito técnicas, bastante aborrecidas porque não há grande hipótese para improvisar.”

Mencía e Rebeka formam um dos novos casais.

Miguel Bernardeau, um dos veteranos de “Elite”, que interpreta Guzmán, assegura que a experiência tem sido uma vantagem. “Eu noto que temos mais experiência. Temos rodado muito tempo, durante muitas horas. Acabas por ganhar confiança e relaxar cada vez mais”, disse ao “Sensacine”.

A cena entre Rebeka e Mencía 

A cena do primeiro encontro (e beijo) entre Rebeka e Mencía foi particularmente complicada de gravar, recorda Cariddi ao “El Nacional” — mas por outro motivo. “Foi a mais complicada porque nessa manhã acordei com uma amigdalite e 38 graus de febre. As filmagens eram à noite e acabámos às seis da manhã, estava cheia de frio. Era a cena do nosso primeiro encontro, do nosso primeiro beijo e já não podia ser adiada.”

Claudia Salas também falou com o mesmo jornal sobre o assunto. “A Martina não tinha Covid, mas era contagioso à mesma e tivemos de seguir todo um protocolo. Era um local que já tinha mudado bastante e tinha mesmo de ser feito. Puseram duas duplas a usar umas máscaras para que parecêssemos nós, mas no final acabámos por dizer: ‘É a cena mais importante da nossa história, temos de ser nós a fazê-la’. Então deram-nos uns copos de plástico com um líquido que criava uma espécie de película para não te contagiares e minutos antes do beijo, que se teve que filmar várias vezes, tinhas de dar um gole. Foi a coisa mais anti romântica do mundo!”, contou a atriz, entre risos.

Como havia tantas cenas próximas, mesmo que não fossem eróticas, houve um protocolo exigente para as gravações poderem acontecer durante a pandemia. Os atores estavam constantemente a fazer testes rápidos à Covid-19 e, uma vez por semana, faziam um PCR.

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