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Atriz de “Pulp Fiction” acusa Tarantino de racismo. O realizador já respondeu

Ao longo dos anos, Quentin Tarantino tem sido criticado por vários nomes da indústria. Um dos mais famosos é o realizador Spike Lee.

A polémica começou com uma entrevista e acabou numa troca pública de acusações. Quentin Tarantino respondeu às críticas feitas pela atriz Rosanna Arquette sobre o uso de um termo racista nos seus filmes, acusando-a de ter “falta de classe”.

Tudo começou a 7 de março quando Arquette, de 66 anos, recordou a sua participação em “Pulp Fiction” (1994), realizado por Tarantino, numa entrevista ao jornal britânico “The Times”. A atriz, que teve um pequeno papel no filme, elogiou a importância da obra, que marcou a história do cinema, mas mostrou-se incomodada com utilização da palavra “nigger” nas obras do realizador.

O termo é considerado extremamente ofensivo e está historicamente associado ao racismo segregacionista nos Estados Unidos, tendo sido usado durante décadas para insultar e desumanizar pessoas negras. 

É um filme icónico em muitos aspetos. Mas pessoalmente estou farta do uso dessa palavra. Não suporto que ele tenha tido carta branca para usá-la. Não é arte. É simplesmente racista e assustador”, afirmou a atriz ao jornal inglês.

A atriz também revelou outro motivo de frustração ligado ao filme. Segundo Arquette, foi a única pessoa do elenco que não recebeu uma percentagem dos lucros de bilheteira. Ainda assim, diz que não culpa Tarantino por essa situação, apontando antes responsabilidades ao produtor Harvey Weinstein, que mais tarde seria condenado por crimes sexuais.

As declarações tiveram grande repercussão mediática e o realizador não demorou a reagir. Quentin Tarantino respondeu esta segunda-feira, 9 de março, através de uma carta divulgada por vários meios internacionais, na qual critica duramente a atriz.

“Espero que a publicidade que estás a ter — com mais de 130 meios de comunicação a escrever o teu nome e a publicar a tua fotografia — tenha valido a pena para me desrespeitares e a um filme do qual me lembro bem que estavas entusiasmada por fazer parte”, escreveu.

O cineasta acrescentou ainda que considera as críticas injustas: “Depois de te ter dado um trabalho e de teres recebido o dinheiro, denegrir o filme por razões que suspeito serem muito cínicas demonstra uma notável falta de classe, para não dizer de honra.”

Tarantino concluiu a mensagem com uma crítica à postura da atriz, dizendo que deveria existir “espírito de equipa entre colegas artistas”. A polémica reacendeu uma discussão antiga sobre o uso do termo nos filmes do realizador. Em “Pulp Fiction” a palavra aparece cerca de 20 vezes, mas surge ainda com maior frequência em obras posteriores como “Jackie Brown” ou “Django Unchained”.

Ao longo dos anos, Tarantino já foi criticado por vários nomes da indústria. Um dos mais famosos é o realizador Spike Lee, conhecido por filmes como “Do the Right Thing” (1989) e “Malcolm X” (1992), chegou a acusar Tarantino, em 1997, de estar “obcecado” com o termo.

Apesar disso, o cineasta também tem defensores. O ator Samuel L. Jackson, que trabalhou com Tarantino em filmes como “Pulp Fiction” ou “Django Unchained” (2012), já afirmou que o uso da palavra faz parte da forma como o realizador constrói as personagens e os contextos das histórias.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos filmes que chegam às plataformas de streaming ao longo de março.

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