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“A Grande Escavação”: o filme da Netflix que vale a pena ver no fim de semana

Ralph Fiennes e Carey Mulligan são os protagonistas desta história sobre um grande achado arqueológico nos anos 30.
Ralph Fiennes é um dos protagonistas.

Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, na Inglaterra de 1939, uma jovem mãe viúva (Carey Mulligan) contrata um arqueólogo local (Ralph Fiennes) para descobrir o que está por baixo dos grandes e misteriosos montes feitos pelo homem e que existem na sua propriedade rural em Suffolk. 

É esta a premissa para “A Grande Escavação”, o novo filme da Netflix que chegou à plataforma de streaming esta sexta-feira, 29 de janeiro. Realizado por Simon Stone, baseia-se na história real de um enorme achado arqueológico. A narrativa é uma adaptação do livro de John Preston publicado em 2007.

Ralph Fiennes interpreta Basil Brown, um trabalhador humilde e arqueólogo relativamente amador, sem curso superior. Na verdade, é o único tipo de funcionário que Edith Pretty (Mulligan) consegue contratar naquele momento, tendo em conta as despesas que acumula para manter a propriedade e para que não falte nada ao filho, Robert (Archie Barnes).

O enredo vai acompanhar o processo de escavação e a respetiva descoberta. Basil Brown e Edith Pretty não começam com uma relação íntima, mas vão-se aproximando à medida que a narrativa evolui, e Edith parece satisfeita por poder estar menos solitária. Por outro lado, Robert também se entusiasma facilmente com uma figura paternal amigável que de repente se torna parte do seu dia a dia.

Quando, após alguma escavação, Basil se apercebe de que vai precisar de ajuda porque não são apenas meia dúzia de antigos artefactos, chegam outras personagens para ajudar. O elenco inclui nomes como Danny Webb, Robert Wilfort, James Dryden, Joe Hurst, Paul Ready e Peter McDonald, entre outros.

Pode esperar um drama britânico de tons cinzentos, quase melancólicos, onde os pormenores são importantes mas apresentados de forma subtil. Os cenários são rurais e sublimes. Por cima de tudo existe uma aura da guerra que se aproxima e de outras tragédias mais pessoais destas personagens.

Existem, como se espera, alguns momentos mais dramáticos do processo de escavação. Basil Brown, por exemplo, quase é engolido por uma enorme massa de terra. 

“Acho que é interessante e talvez haja alguma sorte de o filme sair quando estamos noutra altura de incerteza, desta vez por causa da Covid-19”, disse à “BBC” Ralph Fiennes, que é natural de Ipswich (fica apenas a 16 quilómetros de Suffolk).

“Espero que as pessoas retirem uma mensagem positiva do filme, sobre o que conseguimos alcançar através da determinação e de esforços em conjunto”, acrescentou o ator de 58 anos.

Originalmente, o papel de Edith Pretty era para ter sido interpretado por Nicole Kidman. Mas a atriz australiana saiu do projeto e foi substituída por Carey Mulligan, quase 20 anos mais nova — por isso, foi ligeiramente envelhecida na caracterização, para se adequar melhor ao papel.

Também à “BBC”, o realizador Simon Stone admitiu que, inicialmente, nunca tinha estado muito interessado num tema como a arqueologia — e que pensava que esta história real não teria grande interesse para ser transformada num filme.

Isso mudou, contudo, quando leu o guião e decidiu realizar o projeto. “Todas as minhas presunções deixaram de existir. De repente fiquei infinitamente curioso sobre um tema que nunca me tinha interessado muito.”

E acrescentou: “Se fizesses um filme preciso sobre arqueologia, seria 99,99 por cento a cavar e 0,001 por cento a descobrir tesouros. É incrivelmente trabalhoso, e de algumas formas, para um público, é como ver tinta a secar. Mas é sempre nas áreas inesperadas que as pessoas conseguem encontrar alegria enquanto espectadores, e pensei que, se conseguisse fazer com que o público tivesse a mesma experiência que eu tive quando li o guião, seria uma surpresa bonita para as pessoas”.

Convém saber que “A Grande Escavação” parte de uma base verídica mas o enredo inclui vários elementos fictícios que foram introduzidos no livro por John Preston.

Sem revelarmos exatamente o que foi encontrado naquela propriedade rural em Suffolk em 1939, podemos dizer que foi um enorme (e inesperado) tesouro histórico, que hoje pode ser conhecido no famoso Museu Britânico, em Londres, a capital do Reino Unido.

“A história é complicada, não é?”, pergunta Ralph Fiennes. “Há uma sensação de descoberta misteriosa sobre quem veio antes de nós, e acho que qualquer aspeto da história é um lugar de reflexão ou de interação positiva sobre o nosso passado e sobre quem somos.”

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