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Academia de Dança Contemporânea de Setúbal precisa de um novo espaço e mais apoios

Com a pandemia, a escola perdeu muitos alunos, parte do financiamento do Ministério da Educação e está à beira da falência.
A Academia tem 39 anos.

A Academia de Dança Contemporânea de Setúbal (ADCS) foi criada em 1982 pelos bailarinos portugueses Maria Bessa e o António Rodrigues. Desde a fundação, que a escola já passou por vários espaços como, por exemplo, o da Rua de Brancanes e um barracão no Largo José Afonso, cedido pela Câmara Municipal de Setúbal. Porém, por causa da intervenção do programa Polis, a ADCS teve de abdicar do direito de superfície para a autarquia, em 2002.

Depois disso, a escola atualmente com 39 anos, continuou a funcionar noutros espaços até se instalar na Rua Prof. Borges de Macedo, nas Manteigadas, junto à Escola Profissional de Setúbal. A ideia seria que as instalações fossem provisórias, mas acabaram por se tornar definitivas.

Os grandes problemas deste espaço é que é muito pequeno e fica longe do centro, o que faz com que os alunos tenham dificuldades no acesso aos transportes. Com a pandemia, a situação da ADCS tornou-se ainda mais frágil, porque muitos alunos não se voltaram a inscrever nas classes.

“Neste momento chegámos a um ponto de rutura. As consequências provocadas pela pandemia, aliadas à localização da academia na periferia da cidade e as instalações insuficientes, traduziram-se numa redução do número de alunos de 100 para cerca de 48, o que se refletiu numa diminuição do valor do contrato de patrocínio do Ministério da Educação, já que o financiamento é atribuído com base no número de alunos da escola”, explica à New in Setúbal, Iolanda Rodrigues, membro da direção pedagógica e presidente da Associação Academia de Dança Contemporânea.

Com a redução do apoio do Estado, a ADCS tem um défice de cerca de 36 mil euros para cobrir todas as obrigações da escola. “O que pretendemos é uma alteração do sistema de financiamento do Ministério da Educação. Nós não tivemos culpa de termos perdido alunos e, por isso, precisamos que, pelo menos, esse apoio não nos seja retirado. Os encargos com a estrutura continuam e não poderíamos simplesmente fechar porque temos vários compromissos com os nossos alunos e funcionários”, sublinha Maria Ruas, professora de dança e da direção pedagógica da ADCS.

Além de serem pequenos, os estúdios têm problemas de humidade e chove lá dentro.

Além da alteração da forma de financiamento, a escola está à procura de umas instalações maiores para dar mais condições aos alunos. Com o objetivo de encontrar um espaço novo, a Associação de Pais e Amigos da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal lançou uma campanha solidária, com a participação de várias figuras públicas.

“A iniciativa foi promovida pelos pais, no sentido de ajudar a direção da escola a encontrar uma empresa ou entidade interessada em investir”, revela Iolanda Rodrigues.

Atualmente, a ADCS oferece o curso de formação de bailarinos, classes de iniciação ao movimento e cursos livres para jovens e adultos. A próxima apresentação da escola é no dia 12 de junho, sábado, às 16 horas, no Fórum Municipal Luísa Todi.

O evento “Aula Pública” vai juntar alunos da ADCS, desde as classes de iniciação ao movimento ao curso de formação de bailarinos, que vão mostrar o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo. Os bilhetes custam 6€ (balcão) e 7€ (plateia).

 

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