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O estilo de Napoleão voltou a estar na moda. Eis como usar os casacos militares

Inspiradas na autoridade imperial, estas peças voltaram a estar em destaque entre as grandes marcas. A NiT juntou algumas opções.

Quando Jenna Ortega apareceu no desfile de estreia do novo diretor-criativo da Dior, Jonathan Anderson, em outubro de 2025, a peça que usava já estava longe de chocar. A atriz vestia um casaco de inspiração militar, ao estilo de Napoleão, que combinou com uma minissaia de ganga. Para muitos, terá sido o consumar de uma tendência que se vinha a desenhar há vários meses.

Foi de forma discreta que estas peças marcantes começaram a surgir no street style. Tal como já aconteceu várias vezes no passado, numa altura em que a política global está mais tensa, é habitual recorrer-se a símbolos de poder e autoridade imperial também na moda. A profecia volta a cumprir-se.

No centro desta tendência está o casaco criado durante o reinado de Napoleão Bonaparte e que recebe o nome do imperador francês. Sinónimo de uma alfaiataria exímia, caracteriza-se por golas subidas, botões e uma ornamentação rígida que cria uma das silhuetas mais marcantes da moda atual.

Uma das marcas mais famosas de fast fashion, a Stradivarius, lançou uma coleção com vários designs estruturados que se inspiram diretamente neste fenómeno. Quase todos em ganga, variam entre blazers clássicos, sobretudos leves e blusões descontraídos que, de forma subtil, nos transportam para a era de Napoleão. 

No mundo do luxo, além da Dior (tanto na primeira fila, como na passarela), vimos estas propostas a regressar através de marcas como Ralph Lauren ou Chloé. Cada uma a reinterpretá-lo através dos seus próprios códigos, mas sem nunca se desviar dos pormenores mais severos.

Esta ligação às passarelas não é, porém, assim tão recente. Yves Saint Laurent foi um dos primeiros a traduzir o casaco Napoleão na linguagem da moda (o que não terá sido coincidência, dada a sua ligação conturbada com o serviço militar). O francês inspirou-se nas correntes políticas da época para introduzir uma silhueta autoritária na moda feminina.

Dior, Kenzo e Alexander McQueen.

O vanguardista lançou as primeiras sementes para uma revolução que continuou nos anos 80 e 90, através de nomes como Thierry Mugler e Jean Paul Gaultier, que ampliaram a estrutura destes modelos. Seguiu-se John Galliano e, pro fim, Alexander McQueen, nos anos 2000, que acrescentaram o espetáculo.

Fora das passarelas, também foi fazendo sucesso e surgindo de inúmeras formas. Michael Jackson preferia versões cintilantes e dramáticas, por exemplo, enquanto Freddie Mercury optava por cores ousadas que combinava com os seus tank tops brancos. Kate Moss usava-os nos seus famosos looks em Glastonbury.

À primeira vista, pode parecer um visual difícil de usar, sobretudo em 2026. Para não sobrecarregar o look, pode apostar em calções ou saias curtas, tal como fez Ortega, equilibrando a silhueta. Um bom par de jeans também traz o lado mais casual que não associamos ao estilo militar.

Quanto ao calçado, podemos olhar novamente para Moss. A modelo passou boa parte dos anos 2000 com botas de cano alto nos pés e podem ser cúmplices ideais para estas combinações. Quanto menos delicado o par que escolher, como sabrinas, melhor poderá funcionar.

De resto, tudo se trata de procurar, no vestuário, uma forma de controlo num contexto mais instável. Acrescenta-se a isso um novo interesse em looks mais intrincados e maximalistas, bem como a nostalgia do passado. 

Carregue na galeria para ver exemplos de casacos estilo Napoleão que estão à venda.

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