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Mercadinho Duplo de Azeitão já tem data marcada para a primeira edição do ano

O evento regressa ao concelho com um workshop de cerâmica, comida vegan e novidades para 2026.

Janeiro não é apenas o mês das resoluções, é também o ponto zero de tudo o que ainda pode acontecer. Depois de um ano a criar hábitos, encontros e uma comunidade fiel em Azeitão, o Mercadinho Duplo regressa para a primeira edição de 2026 com a vontade clara de ir mais longe, de se afirmar como um projeto que cresce com as pessoas e para as pessoas.

A 14 de fevereiro, Dia dos Namorados, o mercado volta a abrir portas, não apenas para celebrar o amor, mas para reforçar o que sempre esteve no centro desta iniciativa: o amor pela partilha, pelas raízes locais e por uma comunidade que escolhe, mês após mês, consumir de forma mais consciente e próxima.

Esta edição marca um novo ciclo do mercadinho organizado por Ana Bohane, que quer transformar o evento num encontro regular ao longo de todo o ano. O Dia de São Valentim serve como ponto de partida simbólico para uma ideia mais ampla, de “promover o amor em todas as estações do ano, todos os meses”, explica a fundadora do projeto. E é exatamente essa filosofia que molda tudo o que vai acontecer no antigo cinema de Azeitão.

Um mercadinho que quer acontecer todos os meses e criar rotina

Uma das grandes novidades desta edição é o compromisso assumido para 2026: a intenção de realizar o Mercadinho Duplo todos os meses, preferencialmente no início de cada mês. A ideia passa por continuar a criar consistência para que as pessoas saibam que aquele espaço existe, que podem contar com ele e que ali encontram sempre roupa em segunda mão de qualidade e uma comunidade que já começa a reconhecer-se.

Ana explica que a regularidade é essencial para o crescimento do projeto. Não se trata apenas de comprar ou trocar objetos, mas de manter viva uma rotina comunitária, onde se regressa porque há sempre algo diferente.

Essa diferença vem sobretudo da forma como o mercadinho se constrói edição após edição, com novas pessoas, novas ideias e uma curadoria informal que privilegia qualidade, reutilização consciente e contacto humano. O mercado decorre das 10 às 17 horas, mantendo o formato que junta venda em segunda mão e trocas, num mesmo dia e no mesmo espaço.

O Mercadinho de Trocas continua a ser um dos momentos mais simbólicos do evento. Nesta edição, funciona com o mesmo modelo que já conquistou quem participa regularmente. Às 11 horas acontece o check-in das pessoas inscritas, e às 12 horas começam oficialmente as trocas, num ambiente descontraído e colaborativo.

Aqui, o valor não está no dinheiro, mas na circulação de objetos e histórias. Roupa, livros e outros artigos mudam de mãos, prolongando a sua vida útil e evitando o desperdício. É um exercício prático de economia circular, feito sem discursos pesados, mas com regras simples e acessíveis.

A partir das 14 horas, tudo o que sobrar no espaço das trocas pode ser levado para casa de forma gratuita. Uma decisão consciente, que reforça a ideia de que o objetivo não é acumular, mas libertar espaço, físico e mental. Para Ana, este momento é tão importante quanto as trocas em si, porque garante que nada fica para trás e que tudo pode continuar o seu caminho.

Comida vegetariana e vegan, sempre diferente e feita por pessoas da comunidade

No primeiro andar do espaço, a comida volta a ter um papel central e nunca repetido. Uma das apostas mais fortes do Mercadinho Duplo é dar palco a novas ideias gastronómicas, sempre dentro de uma lógica vegetariana e vegan, saudável e caseira.

Nesta edição, haverá novamente uma pessoa convidada, com propostas diferentes das edições anteriores. “A comida é sempre diferente, porque damos espaço”, explicou Ana, reforçando que este é também um gesto de apoio à comunidade criativa local. Cada edição é uma oportunidade para alguém testar ideias, ganhar visibilidade e partilhar sabores.

Este cuidado em variar a oferta gastronómica faz com que cada mercadinho seja único, mesmo mantendo a mesma estrutura. Quem regressa sabe que vai encontrar algo novo, seja um prato, uma receita ou uma conversa à mesa improvisada.

Workshop de São Valentim

A grande novidade desta edição é o workshop de cerâmica de São Valentim, que acontece no primeiro andar e traz uma dimensão ainda mais criativa ao mercadinho. A sessão é orientada pela ceramista Teresa Barreto, que já colabora com o projeto há vários anos e é conhecida pelo seu trabalho livre e expressivo.

O workshop decorre das 14h30 às 17 horas, e custa 20€, que inclui todos os materiais, desde o barro, acompanhamento e cozedura das peças. Não é feito com roda, o que dá ainda mais margem de manobra a quem participa. “É muita liberdade criativa”, explicou Ana, sublinhando que basta aparecer, não sendo necessária experiência prévia.

Mais do que uma atividade temática para o Dia dos Namorados, este workshop encaixa na ideia maior da edição deste ano, que pretendem celebrar o amor de forma ampla. Amor pela criação manual, pelo tempo dedicado a fazer algo com as próprias mãos, e pelo prazer de experimentar sem pressa.

Ao escolher o Dia dos Namorados para a primeira edição de 2026, o projeto reforça a mensagem de que o amor não se limita a relações românticas, nem a datas específicas. Está na forma como consumimos, como partilhamos, como cuidamos dos outros e do espaço onde vivemos.

Como tudo começou

A ideia surgiu da frustração e da necessidade pessoal de Ana, mãe de três filhos, que viu à sua volta “montanhas de roupa” a serem descartadas enquanto se compravam novas, por impulso. “Vejo o desperdício que existe, desde roupa a brinquedos, especialmente por ter três filhos. E a sociedade só pensa em comprar coisas novas, sendo que há muitos produtos bons em segunda mão”. Não é um movimento moralista, é uma resposta prática: transformar peças esquecidas em utilidade, partilha e até rendimento local para quem marca presença com uma banca.

Desde a primeira edição, a adesão provou que a ideia era necessária e bem‑recebida. Ana conta que “foi super fácil, as pessoas aderiram e aliaram‑se à comida saudável (vegan e vegetariana)”, sublinhando que a componente gastronómica tem atraído mais público.

O mercadinho passou também por outras praças, sendo que, em setembro, foram convidados para a Praça do Rossio, em parceria com a Junta. No entanto, manter o evento no antigo cinema tem um papel simbólico para a relação de proximidade com o espaço e a comunidade local.

Ana resume a missão com simplicidade e determinação: “Comecei por isso mesmo, por olhar para os meus filhos e ver que precisamos de um futuro para eles. E para quê comprar novo, quanto se tem roupa tão boa de qualidade?” É essa pergunta, prática e ética, que impulsiona o Mercadinho Mais Sustentável — um projeto pequeno na escala, mas grande na intenção.

Carregue na galeria para conhecer edições anteriores deste mercadinho único.

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