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Há uma nova marca portuguesa de roupa desportiva que quer evitar o desperdício

Breathe Sportswear é o nome do projeto de peças de desporto sustentáveis criada por um casal empreendedor.
Tudo português.

Sustentavéis, confortáveis, amigas do ambiente e 100 por cento portuguesas — é este o lema da nova loja online de roupa desportiva. Fazer exercício físico já não é apenas vestir o fato de treino, colocar os auriculares e sair de casa, pelo menos na ótica desta nova marca portuguesa. “Nós encontramos uma forma de praticar desporto sustentável em Bali ou na Austrália, e em Portugal não havia nada”, explica Ana Pinto Gonçalves, uma das fundadoras da Breathe Sportswear.

Ana e Bernardo Gonçalves, ambos de 26 anos, são marido e mulher e acabam de criar este projeto “Os dois praticávamos desporto e sentimos a necessidade de encontrar algo mais sustentável em Portugal”, conta Ana. O aumento da prática de exercício físico durante o confinamento ajudou ao sucesso, mas a ideia de criar roupa desportiva sustentável surgiu há um ano.

“O confinamento veio atrasar o lançamento, porque os fornecedores fecharam e houve muita dúvida e incerteza”, revela. Os responsáveis chegaram mesmo a ponderar se valia a pena. “Apesar do ano ser um pouco incerto, para nós faria sentido lançar porque as pessoas começaram a dar importância à questão da sustentabilidade”.

Com o objetivo de adotar um estilo de vida mais sustentável e consciente, os responsáveis recorrem a várias técnicas de poupança de água e redução do uso de plástico e do lixo. Ambos perceberam que em Portugal não existia uma oferta de marcas que vendessem roupa amiga do ambiente para os desportos que praticam como ioga, padel, ténis, futebol, fitness, entre outros.

Foi preciso um ano até este sonho se concretizar — a marca foi tornada pública a 15 de agosto. Nenhum dos dois tinha qualquer formação ligada ao desporto, à gestão ou mesmo na criação de uma loja. “Fizemos um estudo de mercado e falámos com pessoas que também tinham lojas. Fomos percebendo como é que isto funcionava”, afirma uma das fundadoras da loja.

A empresa é pequena. Além dos fundadores, só contam com os fornecedores e uma costureira. “Nós encomendamos os tecidos, fazemos a pesquisa, as amostras e só depois o protótipo. Vamos fazendo as alterações com a nossa costureira, que também é modelista, e ela própria costura tudo”.

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O lançamento da nova coleção e o futuro

A primeira coleção chama-se Lotus — e tem um motivo muito especial. Tal como “a flor nasce bela e pura das águas mais turvas”, também surgiu a Breathe, num ano atípico marcado pela pandemia mundial e de muitos desafios.

A marca arranca com modelos minimalistas e intemporais, tanto para homem como para mulher. Pode encontrar calções, calças, T-shirts e tops. Na palete de cores, inspirada na natureza, destaca-se o verde, azul, vermelho e branco.

O receio inicial não se manteve e a primeira coleção tem sido um sucesso. “Até agora, tem corrido bem. No início, foi um pouco a medo, porque é uma marca nova e as peças são premium, mas fomos ganhando a confianças das pessoas”.

Tendo a sustentabilidade como pilar principal, os materiais foram escolhidos ao pormenor. A primeira coleção é concebida com Algodão BCI (Better Cotton Iniciative) e o Lyocell (Tencel), que “é um tecido muito leve e muito confortável”. São os dois materiais certificados, produzidos no norte, através de matérias naturais, sem plásticos, promovendo um comércio justo e um menor desperdício e consumo de água.

Todos os tecidos produzidos são tingidos de forma natural sem recurso a produtos químicos, através dos extratos de plantas e cogumelos. O packing das encomendas da loja é composto por uma caixa e fita de papel reciclado para evitar o plástico e os desperdícios. 

Para já, as peças estão apenas disponíveis no site da marca portuguesa ou através do Instagram, com entregas para todo o mundo. Ainda assim, há planos para entrar em lojas físicas num futuro próximo. “Queremos que o digital seja muito importante para nós, mas estamos a ponderar outras hipóteses para breve”.

Em outubro, a marca pretende ainda lançar alguns produtos inéditos e “alguns que são feitos 100 por cento com desperdício da primeira coleção”. Está a ser pensada uma nova coleção para o início de 2021. O futuro é incerto, mas a palavra medo não vai dominar o vocabulário da empresa.

 

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