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Foi maquilhadora na Yves Saint Laurent. Agora, promove o artesanato sustentável em Azeitão

Ana Bohane esteve 20 anos no estrangeiro e trabalhou em várias áreas. Em 2020, voltou para Portugal e criou a Make & Take.
Ana criou o projeto em 2023.

Nem sempre temos de estar inspirados para criar arte. Por vezes, a arte é a inspiração. Este é o caso de uma amiga da mãe de Ana que, na altura em que a conheceu, devia ter cinco anos. Era uma ceramista “talentosa, bem-disposta e cheia de vida, com uma energia única”. Ana achava que esta artista era uma espécie de super-mulher e admirava-a porque ela estava numa cadeira de rodas devido a um acidente de carro. Tinha muitas dores nas costas, mas dizia que a “a arte era terapia”.

Esta foi uma das inspirações para Ana Bohane, 44 anos, natural de Lisboa, a morar em Azeitão, começar o projeto Make & Take, em julho de 2023. A ideia consiste na realização de experiências e workshops, venda e divulgação de artigos artesanais sustentáveis. Ana esteve em Cascais até completar 20 anos. Em 2001, mudou-se para Londres. Apesar de não conhecer ninguém no Reino Unido, confessou que “queria experimentar viver num país diferente”. O primeiro trabalho em Inglaterra foi no Harrods, onde esteve durante seis meses, no Black Hall, com várias companhias de perfumes.

Depois, recebeu o convite para ser maquilhadora na Yves Saint Laurent, no Peter Jones, em Sloane Square. “Foram dois anos únicos que me ensinaram muito sobre a importância da conexão com os clientes. Fazê-los sentir bem era a melhor parte do meu trabalho”, afirma à NiS. Em 2005, tirou o curso de Produção de Filmes na London Metropolitan University, e, enquanto estudava, trabalhava em part-time para várias companhias financeiras como assistente pessoal, para empresas como Goldman Sachs e Morgan Stanley. Em 2007, estagiou para a Phoenix Pictures, em Los Angeles. Regressou a Inglaterra e trabalhou no mundo financeiro até 2015 onde, durante dez anos, aprendeu “muito sobre gestão, planeamento e organização”.

Em 2015 foi despedida e o manager foi transferido para Nova Iorque. “Vi essa mudança como uma oportunidade para me dedicar à minha outra paixão: a fotografia. Especializei-me em fotografia de marca para pequenos negócios. Em 2018, comecei a dar aulas de fotografia móvel a pequenos negócios. Com a chegada da pandemia, senti uma transformação em mim e houve um chamamento para voltar a Portugal. Passados 20 anos em Inglaterra, em julho de 2021, voltei pronta para começar uma nova aventura com a minha família”, acrescenta.

A ideia para começar a Make & Take coincidiu com a sua chegada. “Começou com uma questão muito simples: ‘O que é que eu gosto mesmo de fazer’? Pensei, senti e escrevi. Quis lançar este projeto porque tenho a paixão de conectar pessoas. O meu maior prazer é ver as pessoas a sorrirem, a sentirem-se bem com elas próprias, a seguirem o seu propósito”, revela. A Make & Take tem como objetivo criar experiências culturais únicas a pensar no bem-estar físico e mental. Desenvolve workshops de artesanato sustentável, um mercado mensal de artesanato e comida vegetariana. Há ainda conversas meditativas, que incluem partilha de ideias e sentimentos, um poder de interajuda, até a “tornar os sonhos realidade”.

Segundo a empreendedora, a decisão de se fixar em Azeitão aconteceu por acaso. Conheceu a proprietária do antigo cinema de Azeitão, Ana Lourenço, apresentou a proposta, “houve uma conexão” e Ana decidiu abrir o estúdio naquele local. “A mensagem que queremos passar é que tudo é tão simples e, mesmo que às vezes tenhamos dúvidas sobre as nossas habilidades, só temos de tentar. Quer seja a fazer artesanato ou aprender mais sobre nós próprios”, diz.

Acima de tudo, este projeto tem trazido alegria e bons sentimentos. “Conexão. Energia. Gratidão. Desde os nossos queridos artesãos temos (neste momento 40 artesãos a trabalharem connosco), aos nossos clientes que participam nos nossos workshops, e a todas as pessoas que entram no nosso espaço e passam a palavra aos seus amigos”, sendo que um dos principais princípios assentes na iniciativa é a honestidade. “Quero ajudar os outros a encontrarem o seu próprio caminho, acredito que estamos cá para nos apoiar uns aos outros. Promover a igualdade de direitos, de tratamento, de oportunidade”, sublinha.

No espaço, encontramos artesanato sustentável e trabalhos feitos à mão por artesãos locais. Os preços dos artigos variam entre os 5€ e os 350€, já que encontramos desde brincos, colares, sabonetes e peças de cerâmica, até quadros e candeeiros totalmente feitos em jornal, que são verdadeiras obras-primas. Um dos presentes que Ana não se esquece de receber foi dado em conjunto. “No Natal, recebi uma prenda muito querida, um desenho com algumas das nossas artesãs, e lá dizia ‘Ana, no mundo do artesanato as mãos criam pontes entre as pessoas e tu és a ponte que nos une a todas’, explica.

Outra das memórias que partilha é do dia de inauguração da Make & Take. “Abrimos dia 3 de julho, e nessa mesma semana, tivemos as nossas férias criativas para os mais pequenos, vieram algumas crianças e elas encheram o espaço com uma energia contagiante, a sua alegria e sorrisos, o experimentar algo novo vai para sempre ficar comigo”, conta.

Além dos workshops, que se realizam todos sábados, com sessões de manhã e à tarde, há ainda o mercado mensal, no último sábado de cada mês, férias criativas e conversas meditativas mensais, na última terça-feira do mês. Está previsto o desenvolvimento de um clube de cinema para “trazer de volta sessões de cinema a Azeitão”. Alguns artesãos estão disponíveis para eventos de team building e para festas de aniversário. Se quiser juntar-se a esta comunidade, desde “artesãos que desenvolvem artesanato sustentável a clientes e empresas”, deve enviar email para makeandtakept@nullgmail.com ou contactar a marca pela página de Instagram.

Em seguida carregue na galeria para descobrir mais detalhes sobre a Make & Take.

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