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Esta casa de luxo nas dunas de Troia é um verdadeiro paraíso zen

Demorou quatro anos a completar e tem a assinatura da BICA Arquitetos. É uma das moradias mais bonitas da península.
Parece estar isolada na natureza — mas não é bem assim.

Quando o projeto chegou às mãos de Inês Cortesão, o cenário não era de todo o ideal. Apesar da localização privilegiada na primeira linha de mar, em Troia, o terreno estava inserido num loteamento “densamente construído”. “Não é o mais interessante para um arquiteto. Gostamos de um terreno vazio, escolher o local da casa… Há todo um trabalho generoso de poder desfrutar de um terreno de forma mais livre”, explica à NiT a arquiteta de 52 anos.

Hoje, ao fim de quatro anos de trabalhos, a Casa de Troia é uma espécie de oásis no Pestana Troia Eco Resort. Finalizada no verão, tem feito sucesso um pouco por todo o mundo, para surpresa da fundadora do ateliê BICA Arquitetos. Olhando para as imagens, desvanece-se a surpresa e percebe-se rapidamente o porquê do fascínio.

A moradia com 300 metros quadrados de área esconde seis suites e uma ampla zona de lazer que se abre para as dunas. Apesar de estar inserida num empreendimento, não é fácil descortinar os vizinhos ou a zona de passagem para a praia. A privacidade é (quase) total — a harmonia com a natureza é completa.

“Todas estas construções são feitas sobre areia, sobre os espaços dunares, o que por si só acarreta uma questão de agressividade com a paisagem”, explica a arquiteta do projeto, que procurou acima de tudo respeitar a natureza, o contexto natural. O objetivo do cliente passava por não criar no lote um dos projetos já pré-aprovados para o resort. Pretendia algo original, uma ambição que coincidiu com a forma de trabalhar de Inês Cortesão.

“Tento sempre respeitar o lugar, estar a atenta aos sinais. Inicialmente pensei: como se constrói na praia? Normalmente são casas com madeira, um material que não agride. Decidi queria consolidar as dunas, e isso faz-se com estruturas de madeira que se dispõem para preservar a vegetação e impedir o desaparecimento da duna”, conta.

Imaginou, assim, um reaproveitamento das areias, que reconstruiram a duna ao largo da casa. Nessa linha de pensamento, imaginou também uma paliçada semelhante às que existem nas dunas, em dimensões mais volumosas, que permitiria não só preservar a paisagem, mas também garantir a privacidade da casa — permitindo abri-la, torná-la transparente nos locais onde dá prioridade à luminosidade.

“Construímos esta espécie de membrana de madeira, onde depois introduzimos a casa no interior. Não é um volume maciço, porque o edifício é intercalado com a vegetação que ali existia e que não queria retirar. Por isso, optámos por volumes alternados, com pátios onde a vegetação interior e exterior se fundem.” É, portanto, possível ver árvores a irromperem através da paliçada que rodeia toda a casa. Entre os quartos, pequenos pátios interiores de duna, que permitem a entrada de luz, enquanto garantem a privacidade.

A casa, construída para fins turísticos, foi desenhada para ter o maior número de quartos possível. Apresenta uma estrutura “muito semelhante à usada na hotelaria” com um “corredor central onde se distribuem as seis suites”. “Termina ao fundo de uma grande zona comum de lazer, com uma relação franca com o exterior, ao qual se abre completamente. Os vãos desaparecem e a casa não tem fim, só termina no mar, no infinito.”

É aí que sobressai também a enorme piscina, à largura total da casa, mas desenhada em rampa, à semelhança do que acontece na praia. “É uma repetição do mar que existe lá à frente. A ideia foi reproduzir um pedaço da praia e do mar.” A casa foi esticada e alongada, graças ao uso de pátios que separam os quartos e a zona de lazer e a piscina terminam bem mais à frente em relação às casas vizinhas. Uma forma de acautelar a privacidade e ocultar a sua localização no empreendimento. “Dá a sensação de que se está numa moradia isolada”, sublinha Inês Cortesão.

A intimidade da propriedade foi acautelada de forma cuidadosa. As paliçadas vistas de frente, permitem uma visão total e transparente, sobretudo nas zonas de passagem, no tal enorme corredor central, todo ele envidraçado. “É uma solução para não nos sentirmos encurralados, quem vê de dentro e quem vê de fora. Trata-se de uma zona de passagem, pelo que a privacidade não é tão relevante”, explica. O segredo está no ângulo: à medida que quem espreita vai caminhando, também essa transparência desaparece. No ângulo em que se poderia observar os quartos, a paliçada fecha-se, sem roubar a tão preciosa luz.

A arquiteta deu também prioridade à homogeneidade de cores e de materiais. “Queria fundir a casa com o exterior, transmitir uma ideia de continuidade com a areia”, diz. O pavimento interior foi escolhido para replicar o pontilhado e os brilhos da areia. Nas paredes, optou-se por uma argamassa semelhante que revestiu todas as paredes de todas as divisões, “sem qualquer diferenciação”.

A harmonia teve seguimento na criação do mobiliário, da sua autoria e com madeiras escolhidas consoante a funcionalidade. A de abeto para os exteriores, mais resistente aos elementos, e de freixo para os interiores. “Não optamos por nenhum elemento ou peça que pudesse ser um ponto de exceção. Poderíamos tê-lo feito, mas quisemos manter tudo homogéneo. Para as bancadas, escolhemos travertino, uma pedra semelhante à areia. O sofá, os móveis, tem tudo os tons da areia”, nota. “Quem vê, percebe um burburinho de texturas, mas a nível cromático respeita-se a homogeneidade.”

A obra, tão ligada à natureza, só ficou completa quando a vegetação pôde finalmente crescer, apesar de os trabalhos de obra já terem terminado há algum tempo. Sobre o projeto, Inês Cortesão mostra-se “orgulhosa”. “Olho para a casa e sinto que não a construí num loteamento. Orgulho-me sobretudo pela forma como se oculta o espaço urbano, de tal forma que dá a sensação de se viver isolado numa praia. Conseguir fazer isto através da arquitetura é o que mais me orgulha.”

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