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De Frida Kahlo a Harry Potter: as cerâmicas de Natasha Barata que conquistaram Setúbal

A nova coleção da ceramista setubalense celebra a arte da pintora mexicana. Há ainda peças inspiradas nos livros de J. K. Rowling.

No México, tudo parece mais vivo. As cores são mais fortes, as histórias mais intensas e as emoções menos contidas. Foi nesse cenário que Natasha Barata se deixou atravessar por uma criatividade quase avassaladora, que mais tarde ganharia forma em barro. A sua nova coleção de cerâmica é o reflexo dessa experiência. Frida Kahlo sempre esteve presente no imaginário de Natasha Barata, responsável pelo projeto BARATATA, mas foi no México que essa admiração ganhou corpo, textura e cor.

Ao percorrer lugares marcados pela história da artista e por uma cultura profundamente ligada à terra e às emoções, a ceramista setubalense começou a desenhar, ainda mentalmente, uma coleção que viria a ser uma das mais pessoais da sua carreira, uma autêntica homenagem a Frida Kahlo, mas também às mulheres, à resistência e à beleza imperfeita da identidade. Não são peças meramente decorativas, são peças que olham de volta para quem as tem em casa.

Lançada em novembro, esta coleção não era, à partida, pensada como permanente. Mas rapidamente se tornou evidente que havia ali algo maior. Natasha decidiu mantê-la como parte fixa da marca porque se reconhece nela e porque as pessoas também se reconhecem.

Há quem escolha uma peça pela frase, quem a personalize pelas cores, quem a leve para casa como um símbolo silencioso de empoderamento. E isso, para a ceramista, é talvez a maior validação do seu trabalho.

De Setúbal para o barro: um percurso feito de desvios e coragem

O caminho de Natasha Barata até à cerâmica não foi linear. Começou há cerca de cinco anos, em plena pandemia, numa altura em que muitas pessoas procuravam reinventar-se.

No seu caso, a arte já lá estava. “Já estudava artes”, explica. Ainda assim, seguiu outros percursos, tendo-se licenciado em Engenharia Civil, feito um curso geral de Tradução, tentado caminhos mais convencionais. No entanto, nenhum deles a preenchia verdadeiramente.

Foi no cruzamento entre o macramé e a cerâmica que encontrou, inicialmente, um espaço de experimentação. Durante algum tempo, misturou as duas técnicas, até perceber que era o barro que lhe permitia dizer mais. “Depois passei praticamente a 100 por cento com a cerâmica”, conta. Há cerca de três anos que se dedica exclusivamente a esta arte, transformando-a não só no seu trabalho, mas na sua linguagem pessoal.

Hoje, Natasha cria a partir de Setúbal, com uma identidade muito própria. O toque manual é visível e cada peça carrega marcas únicas. Não há moldes industriais nem repetições exatas. Há tempo, intenção e uma ligação muito clara entre quem cria e quem escolhe levar uma peça para casa.

México, Frida Kahlo e a explosão criativa

A nova coleção tem um ponto de partida muito concreto: uma viagem ao México. Para Natasha, que já era fã de Frida Kahlo, estar naquele território foi intensificar tudo o que já sentia. “Fui este ano de férias ao México e ainda fiquei mais deslumbrada com aquilo tudo”, explica. A cultura, a estética, os contrastes e a história entraram-lhe pelos olhos e ficaram.

Não foi apenas Frida enquanto figura artística que a inspirou, mas tudo o que ela representa. “A parte da vida de ser uma mulher com muita força, de enfrentar tantos obstáculos” é central nesta coleção. As peças refletem essa resistência serena, o rosto feminino firme da artista mexicana, olhares fechados ou atentos, flores que não são apenas ornamento, mas símbolo de identidade e afirmação.

O México trouxe também cor, movimento e alegria. “Muita natureza, muita cor, muita alegria. É uma explosão de cores aquele país”, descreve Natasha. Essa energia traduz-se em peças que são simultaneamente alegres e profundas, simples e expressivas, humildes na forma, mas intensas na mensagem.

Peças que se escolhem e que escolhem quem as leva

A coleção inclui canecas e potes, sendo as jarras, até agora, as grandes favoritas. Cada peça é moldada e pintada à mão, com detalhes em relevo que fazem com que nenhuma seja igual. Há flores em tons quentes, expressões serenas, colares esculpidos e frases gravadas que funcionam quase como pequenos mantras.

Um dos aspetos mais importantes deste trabalho é a possibilidade de personalização. As pessoas podem escolher cores, frases ou acrescentar elementos específicos. “Agora fiz uma jarra para uma mãe e as suas duas filhas. Tinham um passado que quiseram transportar para a peça. Quando a fiz, senti que elas estavam a fazer esta encomenda para terem um símbolo de esperança no seu lar”. São encomendas carregadas de significado, onde quem compra procura mais do que um objeto. Procura força, memória ou representação.

Segundo a ceramista, isso sente-se no processo. “Nota-se que as pessoas vão buscar força às peças que querem ter em casa”, diz. E talvez seja essa a essência desta coleção. São peças que não ficam apenas numa prateleira, mas que acompanham o quotidiano e oferecem conforto num simples olhar.

Inicialmente lançada em novembro, esta coleção inspirada em Frida Kahlo acabou por ganhar estatuto permanente. Não porque vá ser sempre igual, mas porque o tema continuará presente na marca. “Não quero dizer que sejam sempre as mesmas peças, mas a temática vai estar presente”, explica Natasha.

Há já mais surpresas de cerâmica pensadas dentro deste universo, embora algumas ainda estejam em fase de estudo. O que é certo é que esta linha veio para ficar e para evoluir. A ligação emocional que a criadora sente ao tema reflete-se na forma como trabalha, como comunica e na resposta do público, que tem sido muito positiva.

Há também disponível uma coleção que se tem tornado bastante popular, inspirada nos livros e filmes da saga Harry Potter, com canecas personalizáveis.

Encomendas para o Dia dos Namorados

Para quem está a pensar oferecer algo diferente no Dia dos Namorados, esta coleção ganha ainda mais relevância. Natasha está a aceitar encomendas personalizadas só até ao final de janeiro, sem limitar o processo a peças específicas. Canecas, taças, pratos, copos de café ou jarras podem ser adaptados ao gosto de quem encomenda.

Estão também a ser preparadas peças especiais para o Dia dos Namorados numa parceria já habitual com a Sienna, uma criadora de velas naturais à base de soja. Juntas, vão lançar uma pequena coleção especial com velas e queimadores, pensada para datas simbólica. Uma colaboração que já acontece desde o ano passado e que vai continuar.

As canecas estão disponíveis para encomendas a partir de 40€, as velas em parceria com Sienna desde 23€ e o kit queimadores a partir dos 28€. As jarras, por sua vez, começam nos 130€.

Mais do que presentes, funcionam como declarações silenciosas de afeto, de força e de identidade. E talvez seja por isso que, numa casa, nunca passam despercebidas.

Normalmente, as peças de cerâmica demoram de dez dias a quatro semanas até estarem concluídas. O primeiro passo é a moldagem, seguindo-se o tempo de secagem, que é variável de entre três/quatro dias e uma semana. É altura, depois, de pintar a peça e levar à primeira fornada, que demora 24 horas. É necessário vidrar e deixar secar, de um dia para o outro. Para finalizar, vai uma segunda vez ao forno durante mais um dia.

Apesar deste ser o processo base, pode sempre ocorrer algum problema e atrasar a entrega, como uma racha ou manchas, falta de adesão e até falta de inspiração. Todas as peças são feitas “com amor” e “sem pressa” — afinal, são “únicas”.

Siga o Instagram (onde pode fazer as suas encomendas) e conheça de perto o trabalho de Natasha.

Carregue na galeria para descobrir as peças de cerâmica da artista setubalense.

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