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Bloqueio de portas, polícia e tentativa de cortes de água: o dia a dia dos lojistas do Centro Comercial do Bonfim

Os lojistas foram notificados para sair até ao fim de dezembro mas continuam de portas abertas até terem resposta do tribunal.
Os lojistas têm dormido no espaço para evitar o fecho de portas.

O ano passado não terminou da melhor forma para os lojistas do Centro Comercial do Bonfim. No final do mês de novembro, todos receberam uma carta registada da firma que gere o espaço, a Célebres Assuntos, a comunicar a caducidade do contrato de subarrendamento. 

Nesse sentido foi pedido aos cerca de 20 lojistas para entregarem as chaves e a loja “devoluta de pessoas e bens”, até ao dia 30 de dezembro. Completamente apanhados de surpresa, os lojistas uniram-se e, por causa da urgência do assunto, seguiu para tribunal uma providência cautelar no dia 9 de dezembro. Até ao dia de hoje, ainda não há nenhuma decisão judicial. 

Quando a New in Setúbal conversou com António Gorrão, marido da proprietária da papelaria T&T.com, o lojista garantiu que iria manter as portas abertas enquanto não houvesse outra resposta por parte do tribunal. E foi exatamente isso que fez assim como muitos outros lojistas.

O que não esperavam era encontrar o centro com as portas de acesso bloqueadas na manhã do dia 3 de janeiro, segunda-feira. “Esqueceram-se que nós também tínhamos as chaves e por isso conseguimos entrar na mesma”, conta à Nis António Gorrão.

Pouco tempo depois de conseguirem entrar e darem início a mais um dia de trabalho, a polícia foi chamada ao local. Os comerciantes foram identificados pela PSP, mas recusaram-se a abandonar os postos de trabalho até terem uma resposta do tribunal. 

Ainda durante a tarde de segunda-feira, as autoridades voltaram a aparecer no espaço comercial do Bonfim. “A advogada da Célebres Assuntos regressou com a polícia. Disse que deixávamos o centro aberto e que era uma falta de segurança mas isso não aconteceu”, sublinha António Gorrão.

Com a visita das autoridades duas vezes no mesmo dia, os lojistas decidiram passar a noite no centro comercial com o objetivo de evitar o fecho das portas novamente. Por esse motivo, os comerciantes têm dormido no espaço em turnos alternados desde o dia 3 de janeiro, segunda-feira.

“Durante a semana ainda tentaram cortar a luz por falta de pagamento, depois tentaram cortar a água. Tem sido sempre assim mas até agora temos conseguido dar a volta”, conta à NiS. 

António Gorrão diz ainda que os lojistas não vão sair do espaço enquanto não houver uma decisão do Tribunal de Setúbal relativamente à providência cautelar e acredita que a resposta “ainda vai demorar a chegar”. A New in Setúbal entrou em contacto com a advogada que representa a empresa Célebres Assuntos mas não obteve resposta até à data de publicação deste artigo.

O Centro Comercial do Bonfim nasceu nos finais da década de 70 e é um dos mais antigos do País. Neste momento tem cerca de 21 lojistas e mais de 50 espaços, sendo que um deles é o Cabeleireiro Fonseca que tem um contrato de arrendamento desde 1979.

 

 

 

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