compras
ROCKWATTLET'S ROCK

compras

Afinal, a Gato Preto vai fechar quase todas as lojas em Portugal

A marca tem quase 50 milhões de euros em dívida a credores. O prejuízo obriga ao encerramento de 10 dos 15 espaços, um dos quais no Alegro Setúbal.

O futuro parece cada vez menos otimista para a Gato Preto. Após ter anunciado o encerramento da atividade em Espanha, onde tem atualmente oito lojas, com o objetivo de fortalecer o negócio em Portugal, a marca vai ter de fechar 10 das 15 lojas que tem no nosso País, segundo o jornal “ECO”.

Atualmente, a empresa aguarda a decisão dos credores quanto ao Plano Especial de Recuperação (PER) para evitar a falência e renegociar a dívida. O montante total chega aos 49,5 milhões de euros a credores, incluindo aproximadamente 18 milhões que terão de ser perdoados por bancos e fornecedores.

Das 15 lojas, prevê-se o encerramento nas Amoreiras e Colombo, em Lisboa; Oeiras Parque, em Oeiras; Norte Shopping, em Matosinhos; Montijo; Arena Shopping, em Torres Vedras; Arrábida Shopping, em Gaia; Alegro Sintra, em Sintra; Alegro Setúbal, em Setúbal, já fechada; e Mondego Retail Park, em Coimbra. Permanecerão em funcionamento as lojas do Fórum Almada, em Almada; Freeport Fashion Outlet, em Alcochete; Mar Shopping, em Matosinhos; Palácio do Gelo, em Viseu; e UBBO, na Amadora.

A marca de decoração terminou 2025 com prejuízos na ordem dos 11 milhões de euros e, no ano anterior, chegou aos 15 milhões. A crise, que levou as vendas Gato Preto a cair de 40 para 20 milhões, sugiram com a pandemia da Covid-10, numa altura em que investiram no rebranding da marca.

A situação piorou com o incidente do encalhe do navio Ever Given no Canal do Suez, em 2021, “que originou ruturas no fornecimento de bens e agravou significativamente os custos de transportes”, além das ameaças dos produtos chineses de plataformas como a  “com menor preço e qualidade inferior”, pode ler-se no plano.

A sobrevivência da empresa pode depender agora do encerramento destas lojas. Ao todo, mais de 150 trabalhadores devem perder o emprego, sendo que a empresa estima o pagamento de uma indemnização de 900 mil euros aos colaboradores afetos aos pontos encerrados.

O desmantelamento dos espaços menos rentáveis no País irá rondar os 215 mil euros e permite o reforço da aposta no online. Além disso, será vendido um armazém nos arredores de Lisboa, “sobredimensionado” para a realidade atual da empresa, e que deve rendar cerca de 1,2 milhões.

A delicada situação financeira da marca portuguesa foi revelada em setembro passado, dando conta da existência de mais de 300 credores, com créditos superiores a 50 milhões de euros. Para estes, a decisão é vista como “uma vantagem clara, possibilitando o pagamento de montantes substancialmente superiores aos que previsivelmente resultariam de um cenário de liquidação total da empresa, preservando simultaneamente a continuidade da atividade e o valor da marca.”

A empresa entrou em crise por culpa das “pressões económicas e financeiras”, segundo afirma, e acredita que esta situação requer uma “revisão profunda” do modelo de operação “para lidar com as adversidades do contexto atual e procurar soluções que possibilitem a estabilização da empresa e a sua revitalização futura”.

ARTIGOS RECOMENDADOS