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A 2.ª Dama de Honor Miss Angola Portugal é setubalense e tem uma marca

Aline Martinho ganhou o título em setembro. Além da moda, trabalha na área do desporto e vai regressar com a marca Alymor.
Foi uma vitória para Aline.

Foi em 2007, enquanto estudava no 3.º ciclo, que Aline Martinho se estreou num concurso de moda, o Miss Luísa Todi. Na altura, não estava muito confiante nem achava que iria ganhar por ser muito envergonhada. No dia do concurso, tudo mudou quando olhou para a passerelle. A emoção foi tanta que “nem quis almoçar” e, no final, acabou por vencer o concurso.

A jovem de 29 anos nasceu e mora em Setúbal, no Forte da Bela Vista. Tem dupla nacionalidade: angolana e portuguesa. Em setembro ganhou o título de 2.ª Dama de Honor Miss Angola Portugal 2023, mas a moda nem sempre foi uma escolha óbvia na sua vida. Depois de terminar o secundário, não foi logo para a faculdade. Tirou um curso de Enfermagem, embora o seu sonho de miúda fosse trabalhar na área da informática.

Depois de terminar o curso, na fase de estágio, percebeu que afinal não era aquele o caminho a seguir. Pensou em formar-se em Educação, mais propriamente, na vertente desportiva. Entrou no curso técnico superior de Desportos de Natureza, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, que terminou em 2020, e no curso superior de Desporto, concluído em 2022.

Trabalhou, durante três anos, no escritório da OF Produções. É professora de hidroginástica e natação no YMCA, em Setúbal, dá algumas aulas de ginástica e trabalha na Câmara Municipal de Setúbal. Além destas funções, é animadora e coordenadora na OF Produções, na produção de eventos. No verão, coordena e anima também o campo de férias Summerpolis.

Após ter vencido o concurso, em 2007, decidiu que a moda tinha um lugar na sua vida, que foi ganhando importância com o passar dos tempos. Sozinha, Aline começou a dar os primeiros passos na área. Inscrevia-se nas competições que ia encontrando e que estavam ao seu “alcance”. Ainda que este mundo nunca tenha sido ambicionado, a verdade é que desde miúda que “sonhava com os desfiles que via na televisão”.

Ao longo da sua carreira na moda, tem sido alvo de comentários desagradáveis, mas nada que a afete. “São inúmeras as vezes que vejo ou oiço comentários de pessoas a dizer que não somos capazes de algo. É geral e podia chegar aqui e contar aquilo que todos já sabem que iria dizer. Os episódios de racismo ou discriminação, ainda neste século, são reais e acontecem muitas vezes. Essa dúvida das nossas capacidades acaba por estar espelhada na cor da nossa pele, na nossa forma física, e isso é tão cliché nos dias de hoje que já me cansa. Quando acontece, eu respondo à letra e percebem que não estão a falar com uma ‘preta’ qualquer”, afirma a modelo.

É 2.ª Dama de Honor do Miss Angola Portugal 2023.
É 2.ª Dama de Honor do Miss Angola Portugal 2023.

Este é um mundo de batalhas, com algumas conquistas. “Foi e é duro, mas acredito que o trabalho árduo compensa. Nunca me dediquei a nível muito profissional. Gosto da forma como me dou. Para mim, todos os títulos contam, mesmo que sejam de pouca relevância para algumas pessoas, para mim, são o meu percurso”, diz à NiS.

O “Moda Sado” foi o evento que impulsionou a carreira de Aline na moda. Participou e ganhou o Setúbal Fashion Weekend, evento que se realizava na Baixa de Setúbal. Em concursos de Miss, foi sempre praticando em alguns e ganhou, além do título da escola, em 2007, o Miss Arrábida e Miss Setúbal, em 2015, Miss Rádio Azul Azeitão 2015, Miss Comunicação CPLP 2022 e, o mais recente, 2ª Dama de Honor do Miss Angola Portugal 2023, na celebração dos 20 anos do concurso.  

Atualmente, tem dado a conhecer o título que ganhou através da participação em alguns eventos para o qual é convidada. O caminho do futuro ainda está em aberto. “A participação no Miss Angola Portugal ditou a minha última participação nesse concurso específico e a proposta de ficar na organização do mesmo está em cima da mesa como uma grande possibilidade”, revela.

A moda será sempre um desafio. “É um escape onde deixo a vontade de brilhar tomar conta de mim. Sinto que estou num mundo diferente, em que a exigência pede coisas diferentes de mim, mas com um nível muito elevado e, dessa forma, sinto que me desafio e saio da minha zona de conforto. É um mercado e um mundo muito competitivo e a sua superação, ou seja, ganhar concursos, deixa-me muito satisfeita e orgulhosa do percurso feito”, desabafa. Ao longo do caminho, a mãe é sempre a sua inspiração pela “garra, forma genuína como vive a vida, sem medo de a viver”.

O regresso da Alymor

Em 2020, em plena pandemia de Covid-19, Aline criou a sua marca, Alymor. Depois de alguns avanços e recuos, a jovem está de regresso. “Achei que na pandemia tinha de me reinventar. O regresso ao trabalho não me permitiu dar continuidade ao projeto, mas a Alymor é a Aline em forma de amor para o mundo. Com as suas criações e forma de ver as peças que traz para todos”, explica a setubalense.

“Amor em forma de peças que nos faz sorrir de forma que mostre que ‘aqui’ há amor” é o lema da Alymor. Vai ter peças “três em um” entre o swimwear, fitnesswear e acessórios. Os “produtos vão ser criados consoante as alturas do ano”. A marca está presente no Instagram e a inauguração vai incluir um live através da página oficial no dia 20 de novembro.

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