comida

Sugestão NiS: o restaurante de peixe assado com mais de 40 anos de história

O Nau está no Largo da Fonte Nova no Bairro de Troino desde, pelo menos, 1980.
Cecília Lourenço é uma das responsáveis.

Em Setúbal há uma velha máxima que diz que quanto mais escondido for o restaurante, melhor é a comida. Por entre as ruas estreitas da nossa Avenida Luísa Todi vamos encontrando tasquinhas, sobretudo de peixe assado, que são reconhecidas pelo passa-a-palavra, pois de outra forma é difícil lá chegar. Uma delas é o Nau, um restaurante com muita história, que fica no Largo da Fonte Nova, no coração do bairro de Troino.

O casal responsável pelo emblemático spot setubalense é Cecília Lourenço, 64 anos, e Rui Lourenço, 66 anos, ambos de Setúbal. Gerem a casa há 42 anos, uma vez que este é um negócio de família. Antes de passar para as mãos do casal, o espaço pertencia ao pai e irmão de Rui. Quando se casaram ficaram com o restaurante, pelo qual são responsáveis até hoje.

Para Cecília, o que torna este restaurante tão especial é o facto de ser um espaço familiar. Há clientes que todas as semanas lá vão e já se tornaram parte da família. A responsável conta que antigamente vinham mães com os filhos na barriga, e hoje em dia vêm elas, os filhos e os namorados e namoradas dos filhos e filhas. “É um restaurante que acompanha as gerações e tem um ambiente familiar. As pessoas sentem-se bem aqui”, afirma Cecília à New in Setúbal.

Para os clientes, o facto de ser um espaço no qual se sentem em casa é um dos motivos que o torna especial, mas não é o único. A especialidade da casa é o que faz com que os novos clientes e os da casa, regressem sempre: o peixe assado no carvão. Se vem com a ideia de comer outra coisa que não peixe assado, não vale a pena vir porque é a única coisa que vendem.

O peixe vem da lota de Setúbal e é entregue todos os dias no restaurante, garantindo a sua frescura. Além das variedades que existem todo o ano como douradas (12,50€), robalo (12,50€), lulas (14,50€) ou peixe-espada (10€), algumas acompanham as épocas. Nesta altura do ano, a famosa sardinha (9€) e o carapau (8,50€) são os mais consumidos. Cecília esclarece que há carapaus o ano inteiro, mas durante os meses de inverno não estão tão gordos como nesta altura.

Apesar de no inverno as pessoas não estarem tão predispostas a vir para uma esplanada comer peixe, o Nau vai recebendo clientes, ainda que em menos quantidade do que no verão. Se ficar no exterior, o casal fornece umas mantas para garantir o conforto dos clientes enquanto almoçam, mas muitos preferem ir para dentro do restaurante. “No inverno, cá dentro, somos sempre os mesmos, é como se fôssemos uma grande família”, explica Cecília em relação aos clientes habituais.

Segundo conta a responsável, quem não conhece o restaurante tem pela frente a difícil tarefa de lá chegar. “As pessoas só vêm cá porque conhecem. Muita gente nem sabe que isto existe. Às vezes tenho de ensinar, por chamada, os clientes a virem aqui ter porque a maior parte perde-se”, conta.

Os clientes que vêm ao Nau, mas que não são de Setúbal, até podem estar habituados a comer peixe, mas muitos não conhecem bem as espécies. “Há muita gente de Lisboa que vem cá que não sabe o que são massacotes. Tenho de lhes explicar que são os filhos dos besugos”, afirma Cecília.

Há muitos que até lhes trocam os nomes. Em vez de pedirem carapaus pedem carapões. Cecília relembra, entre gargalhadas, uma história caricata que nunca mais se esqueceu, de um casal de clientes que vieram de Cascais para almoçar. “Perguntaram-nos quais eram os peixes que tínhamos e o meu marido disse-lhes e um deles eram massacotes. A senhora pediu uma dose de carapaus e outra de ‘massaconas’. Desatámos todos a rir e tivemos de lhe explicar que o nome correto era massacotes.”

O Nau é um espaço com muita história e há, pelo menos, 42 anos, que Cecília e Rui acompanham a evolução do bairro de Troino e do Largo da Fonte Nova. Os tempos mudam e há tradições que, infelizmente, já não são o que eram, mas Cecília recorda bons momentos. “Antigamente juntávamo-nos todos aqui, até às quinhentas, a fazermos flores para ornamentar as ruas do largo, para o São João ou o São Pedro”, remata.

O restaurante só funciona aos almoços, de segunda-feira a domingo, do meio-dia até às 16 horas.

Quem manda nisto tudo?

Nome: Cecília Lourenço
Idade: 64 
Prato favorito: Enguias
Guilty pleasure: Doces
Convença-nos a visitar o espaço: “Venham que serão sempre bem atendidos. Temos uma equipa bem-educada, peixinho fresco e queremos agradar a todos os clientes”.

Carregue na galeria para ficar a conhecer o restaurante O Nau.

ver galeria

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Praça Machado dos Santos 55
    2900-178 Setúbal
  • HORÁRIO
  • De segunda a domingo das 12h às 16h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
peixe

MAIS HISTÓRIAS DE SETÚBAL

AGENDA