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Rota do Pitéu regressa a Setúbal com 21 paragens e petiscos a 7€ (com bebida incluída)

Durante 17 dias, vai poder provar temaki de choco, prego de atum e cuscuz com camarão e moscatel em vários restaurantes.

Há choco frito, claro, mas também pode encontrá-lo dentro de um temaki, transformado em croquete, servido em pica-pau ou até em empadas e pataniscas. A Rota do Pitéu está de regresso a Setúbal e, durante 17 dias, vai levar os setubalenses a percorrer diferentes espaços do concelho à procura de sabores tradicionais e propostas menos óbvias.

A sétima edição da iniciativa da Câmara Municipal de Setúbal decorre de 2 a 18 de outubro e conta com 21 estabelecimentos de Setúbal e Azeitão. Em cada paragem, os clientes encontram um petisco criado para a ocasião, acompanhado por uma bebida de 20 centilitros, pelo preço fixo de 7€. O choco, um dos produtos mais associados à gastronomia setubalense, é uma das estrelas do percurso, embora apareça com várias roupagens.

A 490 Taberna STB aposta em croquetes, o Moscatel à Mesa apresenta um temaki, a Florida Cervejaria serve-o em pica-pau e o Mini Maria em pequenos pedaços fritos. Já a Tasca do Choco preparou uma combinação de empadas e pataniscas, acompanhadas por molho e pão.

As propostas vindas do mar não ficam por aqui. No Sem Horas há ostras temperadas, enquanto o Fora D’Horas apresenta um prego de atum e a Taberna do Largo um pica-pau de atum fresco. No Ponto, a escolha recai sobre uma tiborna de filetes de sardinha.

Uma das combinações mais inesperadas aparece na Porta 165, onde o cuscuz se junta a camarão, laranja e moscatel. A diversidade não acontece por acaso. A Câmara Municipal de Setúbal explica à NiS que a organização procura estimular o encontro entre receitas tradicionais e novas abordagens gastronómicas. “A inovação parte muitas vezes da tradição, reinterpretando-a e dando-lhe novas formas”, refere a autarquia, acrescentando que a fusão também ocupa um lugar importante na iniciativa. “A gastronomia é, por natureza, um espaço de encontro, de partilha e de cruzamento de culturas.”

Além da criatividade, há uma condição que ajuda a definir o que chega à mesa. Os estabelecimentos têm liberdade para desenvolver as propostas, embora sejam incentivados a privilegiar produtos locais. O petisco deve ainda estabelecer alguma ligação ao território, seja pelos ingredientes, pela história do espaço ou pela sua localização.

“O importante é que cada estabelecimento possa encontrar a sua própria forma de interpretar a Rota do Pitéu e de apresentar uma proposta que tenha identidade. O Pitéu tem de ter ‘personalidade’”, destaca a autarquia.

Uma rota que começou em plena pandemia

A primeira Rota do Pitéu aconteceu em 2020, num contexto bastante diferente. A ideia já estava a ser equacionada pela Divisão de Turismo antes da pandemia de Covid-19, mas acabou por ganhar um novo propósito quando o setor da restauração atravessava um período particularmente difícil. Na altura, o município viu na iniciativa uma forma de incentivar o setor e transmitir uma mensagem de confiança. Mesmo perante as circunstâncias, 18 estabelecimentos participaram na estreia.

Seis anos depois, a Câmara considera que a Rota conquistou um espaço próprio no calendário gastronómico da cidade. Há estabelecimentos que procuram a organização para saber como podem participar e clientes que perguntam aos espaços aderentes quando regressa a iniciativa.

A seleção começa com um convite da Divisão de Turismo aos restaurantes que fazem parte da base de dados municipal. Depois, os interessados formalizam a inscrição. Para participar, é necessário estar localizado no concelho de Setúbal e apresentar um petisco que tenha uma ligação ao território.

A lista deste ano volta a mostrar essa diversidade. Além das propostas centradas no peixe e no marisco, há codornizes na Adega dos Passarinhos, pastéis de bacalhau feitos à mão na Taberna do Fernando dos Jornais e cogumelos panados com maionese de coentros no Mercado Negro. Em Brejos de Azeitão, a Petisqueira Brandão participa com uma salada de ovas.

O Mercado do Livramento também faz parte do percurso. Por lá, as bifanas são protagonistas na Casa das Bifanas Ramiro e Celisa e na Ementa Vaidosa. A presença de Azeitão é, aliás, uma vertente que poderá ganhar maior expressão no futuro. Segundo a Câmara, existe a intenção de alargar a Rota naquela zona do concelho nas próximas edições.

Dar a conhecer restaurantes menos conhecidos

Mais do que vender petiscos durante pouco mais de duas semanas, a iniciativa pretende levar novos clientes aos restaurantes e fazer com que circulem por diferentes pontos da cidade e do concelho. A Câmara acredita que a curiosidade gerada pela Rota leva muitas pessoas a entrar, pela primeira vez, em estabelecimentos que ainda não conheciam. Essa descoberta pode prolongar-se para lá dos 17 dias do evento.

Ao dar maior visibilidade aos espaços e às respetivas propostas gastronómicas, a iniciativa pretende criar condições para que os visitantes regressem mais tarde, já sem o petisco da Rota como motivo principal.

A vertente turística também está presente. Para a autarquia, o roteiro não se resume à restauração: é uma forma de conhecer Setúbal através dos sabores, mas também da história, da geografia e do património do concelho. “Cada tasca tem a sua própria forma de receber, cada petisqueira tem a sua maneira de criar e cada pitéu tem uma história para contar sobre Setúbal”, salienta a Câmara.

Em 2023, a Rota do Pitéu recebeu o Prémio Cinco Estrelas Regiões, na categoria de projetos de promoção gastronómica. Para a autarquia, a distinção representou o reconhecimento do trabalho desenvolvido e da diversidade das propostas apresentadas pelos estabelecimentos aderentes. Para esta sétima edição, as expectativas são elevadas. “Setúbal não tem um só sabor. Tem o sabor da tradição e o gosto pela novidade”.

A lista completa dos 21 estabelecimentos, respetivos petiscos e horários de funcionamento pode ser consultada no roteiro disponibilizado pela Câmara Municipal de Setúbal.

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