Há mudanças que não acontecem por falta de espaço, mas por vontade de ir mais longe. No caso do Ora H, a troca de morada foi menos um adeus e mais uma aposta num sonho há muito por concretizar. Foi sair de um primeiro andar para a rua, trocar limites por possibilidades e assumir, sem medo, que o menu podia e devia crescer.
O novo endereço, na Rua Plácido Stichini, não é apenas um ponto no mapa de Setúbal. É o lugar onde um projeto com anos de história decidiu ganhar um novo fôlego, estender a mesa e convidar a cidade a sentar-se de outra maneira.
A mudança não foi um recomeço, mas uma evolução pensada ao detalhe. O Ora H continua a ser um espaço de petiscos, partilha e cozinha portuguesa, mas agora com algo que antes era impossível. Com um novo grelhador a carvão, o restaurante serve agora peixe e carne no carvão, pratos do dia, almoços completos e garante também uma relação mais direta com a rua, graças ao novo espaço térreo e à esplanada.
“Diminuímos em espaço, mas crescemos em oferta”, resume Mário Caló, um dos responsáveis pelo Ora H, numa frase que acaba por definir tudo o que mudou e tudo o que ficou.
De tasca de bairro a projeto com identidade própria
Antes de se chamar Ora H, este projeto já tinha história. Durante oito anos, foi conhecido como A Taska, na Fonte Nova, um espaço que fechou, mas deixou uma base fiel de clientes. O nome mudou para Ora H, o contexto mudou, mas a essência manteve-se. “Já temos algum tempo de mercado, não com este nome”, explica Mário Caló, lembrando que o Ora H existe há quatro anos, mas traz consigo uma bagagem muito maior.
A primeira versão do restaurante, aberta em 2021 na Avenida José Mourinho, funcionava num primeiro andar e estava mais vocacionada para jantares e grupos grandes. Esse espaço, embora com maior capacidade (120 lugares), impunha algumas limitações. Não permitia almoços, não tinha esplanada e não oferecia condições para expandir a carta como a equipa desejava. A mudança surgiu para quebrar essas barreiras. “Sentimos necessidade de oferecer aos nossos clientes outro tipo de experiência e outro tipo de ementa, mantendo a nossa essência dos petiscos”.
A nova casa do Ora H fica numa transversal da Avenida Luísa Todi, em pleno epicentro da restauração setubalense, entre nomes bem conhecidos da cidade. Apesar de ter menos lugares (70 no interior e 40 na esplanada) o espaço trouxe o que antes não existia: uma maior proximidade com a rua, o conforto térreo e, sobretudo, as condições técnicas para uma cozinha mais ambiciosa.
A grande estrela desta mudança é o grelhador a carvão, que abriu caminho a uma nova secção da carta que vai desde peixe assado no carvão a carnes grelhadas na hora. Uma aposta que altera por completo a dinâmica do restaurante e que responde a um desejo antigo da equipa.
“Conseguimos fazer um upgrade à nossa ementa, que era impossível no outro espaço”, explica Mário Caló, acrescentando que o carvão e a grelha eram peças-chave nesse plano. Agora, o Ora H consegue juntar o melhor dos dois mundos: os petiscos que já tinham fama e os pratos grelhados que muitos clientes pediam há anos.
Almoços, pratos do dia e menus completos a preços acessíveis
Outra das grandes novidades é a aposta clara nos almoços, algo que nunca foi possível no espaço anterior. O restaurante abre agora às 10 horas da manhã, permitindo “pequenos-almoços tardios ou almoços antecipados”, e passa a ter prato do dia, com receitas tradicionais da cozinha portuguesa.
Feijoadas, cozido à portuguesa, arroz de marisco, massas de sapateira ou caldeiradas fazem parte da nova linha de “tachos”, uma aposta assumida numa comida de conforto portuguesa, bem servida e pensada para quem trabalha ou vive na zona.
Além disso, o Ora H criou menus completos de almoço, com valores a começar nos 15€, que incluem prato, sobremesa e café, algo inédito no percurso do projeto. Existem também menus mais requintados, que podem ir até aos 30€, com opções como salmonete, um peixe mais nobre. “Nunca tivemos esta capacidade de fazer almoços mais acessíveis”, admite Mário Caló, explicando que esta foi uma das principais razões para a mudança de espaço.
Apesar de todas as novidades, o Ora H não virou costas àquilo que o tornou conhecido. Os petiscos continuam a ser um dos pilares do restaurante, com destaque para o famoso pica-pau, os cogumelos salteados, as tábuas para partilhar e os pratos que pedem conversa longa e copos cheios.
Nas carnes, mantêm-se clássicos como o bife Ora H e o bitoque à portuguesa, agora com a vantagem de poderem ser preparados no carvão. E há um prato que continua a ser apresentado sem falsa modéstia: o choco frito, descrito pela equipa como “o melhor que se pode comer em Setúbal”.
A carta cresceu, diversificou-se e ganhou novas camadas, mas sem perder o fio condutor. Como o próprio Mário Caló resume, este é um projeto que vive da continuidade: “É um projeto que nos é muito querido, a nós e aos setubalenses”.
Horários alargados e uma nova relação com a cidade
O novo Ora H funciona, para já, em horário de inverno. De terça a quinta-feira, está aberto até às 18 horas, à sexta e sábado, funciona em horário direto, das 10 horas às 23 horas, sendo que ao domingo, serve apenas almoços e encerra à segunda-feira.
Esta flexibilidade permite atrair públicos diferentes ao longo do dia, desde quem procura um almoço rápido, até quem prefere petiscar ao final da tarde ou jantar sem pressas. A esplanada reforça essa ligação com a rua e com o ritmo da cidade, algo que o espaço anterior nunca conseguiu oferecer.
No fundo, o Ora H não ficou maior em metros quadrados, mas ficou maior em ambição, em proposta e em capacidade de resposta. Como bem resumiu o responsável durante a entrevista à New in Setúbal: “não estamos maiores em espaço, estamos muito maiores em oferta”.
O novo espaço começou a funcionar esta sexta-feira, dia 16 de janeiro, podendo já ser visitado pelos setubalenses.
Carregue na galeria para conhecer o novo espaço.

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