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Primeiro, o bolo-rei do Retiro Azul. Agora, as tabletes de chocolate com recheio de moscatel

O desafio é não comer a tablete inteira de uma vez. Depois dos bombons de moscatel, esta é a grande aposta do pasteleiro Nuno Gil.
Estão a esgotar.

Sempre que falamos com Nuno Gil, ficamos com uma certeza: o pasteleiro palmelense, além de ser apaixonado pelos doces, tenta descobrir o máximo que consegue sobre a história do concelho onde tem o seu negócio, o Retiro Azul. Está sempre à procura de novas (e velhas) receitas, passadas de geração em geração, que o pasteleiro usa nos produtos que confeciona, sempre com um toque especial — normalmente, com moscatel.

Sentados à mesa, descobrimos que o próprio pesquisa e baseia-se nas fontes mais fiáveis: os próprios palmelões. Um dos ingredientes que conquista pessoas em todo o mundo é o chocolate. Depois do famoso bolo-rei de moscatel, feito com uma receita centenária, chegou a vez de apresentar a tablete de chocolate com recheio de moscatel.

“As tabletes de chocolate surgem no seguimento do meu trabalho em relação ao chocolate, que começou com os bombons de moscatel, por volta de 2015. Essa foi a primeira ideia e sabia que queria continuar a fazer algo com moscatel. Fazia todo o sentido. A verdade é que 99,9 por cento das pessoas adoram chocolate e tinha de associar esse ingrediente aos vinhos da nossa região”, explica à NiS Nuno Gil, de 54 anos.

Este é um trabalho que “envolve muito conhecimento e experiência em desenvolver novos produtos”, neste caso, sempre “endógenos” de Setúbal e Palmela. Há também a versão sem recheio, mas com frutos secos. “São elementos essenciais para a nossa alimentação e acho que associá-los ao chocolate enriquece ainda mais os sabores”, acrescenta. Na receita, embora esteja tudo “em fase de teste”, é usado chocolate negro, com 60 por cento de cacau. Desde o início da venda, em fevereiro, que os produtos “têm voado”, apesar de ainda estar a ser “uma experiência”.

A tablete não é demasiado mole, nem muito dura. Morde-se facilmente e descobrimos uma explosão de sabor a moscatel, como se fosse um género de caramelo, como recheio. No caso dos frutos secos, o chocolate negro permite uma harmonização perfeita entre os dois elementos. O desafio é não comer tudo de uma vez. Os bombons, com moscatel de várias marcas da região, sempre foram um sucesso, mas estão associados a uma determinada altura do ano. A embalagem de seis unidades custa 7,90€. Já a tablete tem uma maior durabilidade e pode ser consumida durante mais tempo. A embalagem com cerca de 100 gramas custa 2,50€ e encontra-a à venda no Retiro Azul, todos os dias da semana.

A história da Confeitaria Retiro Azul

Nos anos 30 era apenas uma taberna em Palmela. Passou a restaurante, café e agora é uma confeitaria. O Retiro Azul muda, adapta-se, mas nunca perde o espírito que tanto o caracteriza. “O ano que temos como referência da criação é 1939, embora tenhamos a ideia que ele terá surgido um pouco antes”, conta Nuno Gil. “Mais tarde foi adquirido por um galego, que o transformou e começou a fazer a introdução da gastronomia.”

Em Setúbal, o nome Nuno Gil é sinónimo de doces como os pastéis de choco, moscatel, de Santiago; pelas queijadas do Anjo ou D. Filipe. A verdade é que este pasteleiro é conhecido por criar doces para homenagear os produtos regionais da Península. E quase todos os meses tem novidades para contar. A melhor deste ano foi a reabertura d’ O Retiro Azul, o icónico espaço palmelense, ponto de encontro de muitas gerações.

Nuno começou por trabalhar na Marinha. Porém, a paixão pela cozinha e pastelaria falou mais alto, o que o levou a tirar os dois cursos nas Escolas de Hotelaria e Turismo de Setúbal e Lisboa. Gosta de pesquisar sobre a história da região, onde encontra inspiração para cada criação pensada ao pormenor.

O também proprietário da Confeitaria de S. Julião, em Palmela, já tem mais de 20 anos de carreira dedicados à cozinha e pastelaria. Confessa que todos os dias tem “ideias novas”. Criou recentemente os miminhos de maçã riscadinha parecidos com um quindim, feitos com açúcar, amêndoa, ovos, farinha da maçã desidratada; e os bombons de aguardente Villa Palma da Adega Cooperativa de Palmela. Contudo, os pastéis de choco, laranja de Setúbal, D. Filipe e Moscatel são, de longe, as suas criações mais famosas — até agora.

As remodelações do Retiro Azul tinham uma razão, além da necessidade. “O motivo principal prendia-se com a ideia de criar um conceito. Isto é, com a introdução de um projeto mais recente, mais inovador, que, de alguma maneira, pudesse voltar a chamar a população a um sítio onde pudessem adquirir e provar a doçaria regional.” A palavra café foi substituída pela palavra confeitaria e à montra chegam agora muitas das criações disponíveis na Confeitaria S. Julião.

Ali, todas as propostas contam uma história, que nos transporta diretamente para as tradições e identidade da Península de Setúbal. Nunca se esquece, é claro, da fogaça, um doce típico e um dos mais vendidos no renovado espaço. Pode ainda provar os bombons de moscatel, à venda no espaço. 

Atrás do balcão, os filhos de Nuno já seguem as suas pisadas. “É um projeto familiar e gostaria que passasse de geração em geração. A Maria (22 anos) está na parte da confeção e o Miguel (26) trata da promoção e do atendimento ao público. É importante saber explicar quais são os ingredientes e a história de cada bolo.” Siga o Facebook do Retiro Azul para ficar a par das novidades. Podemos avançar que a próxima serão bombons de ginja. 

Carregue na galeria e conheça o espaço em Palmela. 

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