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Os pratos italianos mudaram-se para a Praça de Bocage. Custam menos de 10€

As receitas do Itália no Prato são caseiras e o menu varia todos os dias. O amor pela cozinha italiana é a base do negócio.
Pasta amatriciana.

Esta é a história de dois irmãos, Paulo e Tânia, emigrantes portugueses, que foram para Itália em 1990 com oito e nove anos, respetivamente. Porém, não são os únicos protagonistas, já que a mulher de Paulo, Arianna, e o marido de Tânia, Giulio, também são dois irmãos — neste caso, italianos. As vidas cruzaram-se no amor e a paixão alargou-se para os pratos de Itália, que pode provar no novo negócio que nasceu em Setúbal.

Paulo Camacho Faria, 43 anos, e Tânia Camacho Faria, 41, nasceram no Funchal, na ilha da Madeira. Ainda muito novos, e com os pais a irem em busca de melhores condições de vida — apenas o pai trabalhava como pedreiro, em Portugal — fizeram as malas e mudaram-se para Itália, mais especificamente para a vila de Ariete, uma localidade pequena, com cerca de 45 mil pessoas. Estudaram na Escola de Hotelaria e apaixonaram-se pela cozinha italiana. Trabalharam em vários restaurantes familiares e foi também por isso que quiseram implementar esse conceito de “cozinha familiar” em Portugal.

Paulo esteve durante alguns anos na cozinha, mas desistiu e foi para Milão, em 2002, com a mãe, depois da separação dos pais. Tânia continuou sempre a cozinhar e ficou em Ariete, depois de se ter casado. Paulo começou a trabalhar em logística com cerca de 20 anos e até ao novo projeto que abriu na cidade de Setúbal, não cozinhou mais.

Paulo conheceu a mulher, Arianna Pedrali, 41 anos, em 2007, porque a mãe começou a cuidar, depois de ter estado também vários anos na cozinha, de idosos, deficientes e pessoas com problemas cognitivos. Arianna era assistente sociosanitária. Em 2008, casaram-se e foi aí que Tânia conheceu o irmão de Arianna, Giulio, que nessa altura ainda tinha namorada. Viram-se novamente num batizado e, já separados, o italino ofereceu um quarto para Tânia ficar. Apaixonaram-se e estão juntos até hoje.

Arianna e Giulio cresceram em Trezzo Sull’adda, uma província de Milão. Giulio recorda que era muito comum ver a “la nona” a cozinhar gnocchi, ou a “mama” a fazer lasanha. Esteve na Escola Aeronáutica e, depois de ter estado cinco dias fora em Amesterdão, enquanto estudava, disse que a primeira coisa que fez quando chegou a casa foi pedir que a mãe fizesse 400 gramas de esparguete com molho de tomate — comeu tudo. Trabalhou também como empregado de mesa e passou os últimos anos na área da logística.

Arianna esteve na Escola Agrária e tirou a licenciatura de Educação. A primeira vez que teve contacto com a cozinha foi em 2005, quando confecionou pizza no shopping, num restaurante onde colaborou enquanto ainda estava a estudar. Trabalhou, depois, a dar assistência a pessoas com necessidades até começar o negócio com o marido, o irmão e a cunhada. O stress foi um dos principais motivos que fez os quatro sócios saírem de Itália.

“Quisemos voltar porque a zona onde vivíamos tinha muito trânsito e poluição. Não é tão seguro como Portugal e tem menos população. Eu e o Giulio viemos em abril, durante um mês, para perceber se fazia sentido”, conta Paulo. Apaixonaram-se imediatamente por Setúbal, até porque, pela praia, fazia lembrar casa, no Funchal.

Os irmãos não vieram sozinhos. Trouxeram os sabores de Itália no Prato

Foi em julho de 2023 que começou uma nova etapa na vida dos casais. Nasceu o projeto “Itália no Prato”, um restaurante na Praça de Bocage que serve comida caseira tipicamente italiana. Começaram por treinar, todos os dias, em casa — comeram vários quilos de pizza para conseguirem alcançar a receita ideal.

Pesquisaram e estudaram acerca dos pratos que queriam implementar no menu, praticaram e a verdade é que a massa que usam para cozinhar vem diretamente de Itália. Há pratos fixos e outros que variam diariamente, até porque pensaram na variedade de clientes, que chegam de várias partes do mundo.

Vai encontrar pizza — que é servida apenas em fatias aos quadrados —, mas a rainha do estabelecimento é mesmo a massa italiana. A New in Setúbal foi ao local e provou a pizza de margarita (3,50€). Não se deixe enganar pelo formato quadrado, nem pelo tamanho. Depois de provar esta, não vai querer voltar aos supermercados.

Seguiu-se a famosa carbonara (8€) e aquela que Paulo considera a sua irmã, amatriciana (8€). Asseguramos que será uma viagem gastronómica que vai querer repetir porque, além de serem deliciosas, têm a característica que procuramos muitas vezes nos restaurantes — são tradicionais e caseiras. Por isso, prepare-se para devorar tudo até ao final.

Estas duas massas são servidas às sextas-feiras e sábados e são a prova de que as maiores surpresas se escondem nas coisas mais simples. A sobremesa não desiludiu e provámos a zuppa inglese (2,50€), com camadas de creme pasteleiro, chocolate, pão de ló e licor, sem esquecer a crostata (2,50€), uma tarte recheada com frutos silvestres, muito saborosa.

No menu fixo, encontra a arrabbiata (7€), aglio olio e peperoncino (7€), pomodoro e basilico (7€), boscaiola (8€), ragu’alla bolognese (8€) e pesto e pomodori (8€). As pastas especiais, como é o caso da massa gorgonzola gamberi e zucchine, servida à quinta-feira, têm o custo de 10€. Pode ainda provar vinhos, como o lambruscos, e cervejas, vindas diretamente de Itália.

Não podemos deixar de mencionar que vai sentir que está a comer numa esplanada, sentado num bairro italiano, já que toda a decoração foi pensada para dar a experiência mais completa aos clientes, desde a cor das toalhas, à pequena janela que está no interior do restaurante.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Almocreves, 74
    2900-213 Setúbal
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado, das 11h às 22h
PREÇO MÉDIO
Menos de 10€
TIPO DE COMIDA
italiana

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